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Projeto Cerrado, da Suzano, transforma paisagem e economia de Ribas do Rio Pardo

A produção da nova fábrica começa no primeiro semestre de 2024, mas a movimentação na cidade de pouco mais de 25 mil habitantes já é intensa

A 97 km de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, a cidade de Ribas do Rio Pardo, de pouco mais de 25 mil habitantes, vem se transformando desde maio deste ano, quando foi anunciado o Projeto Cerrado, a nova fábrica de celulose da Suzano, que receberá investimento de R$ 14,7 bilhões.

A companhia estima ampliar em 20% sua atual capacidade produtiva, de 10,9 milhões de toneladas de celulose por ano. A previsão é que a produção comece no primeiro trimestre de 2024.

Enquanto isso, a movimentação em Ribas segue em ritmo acelerado. O imóvel mais próximo do que se poderia classificar como edifício no município, por exemplo, vai perder esse status em breve para um prédio residencial de cinco andares em construção.

Apesar de a obra do Projeto Cerrado ainda estar na fase de terraplanagem, ela já atrai investidores de olho na movimentação que deve gerar. Além do residencial, um hotel e três alojamentos estão sendo erguidos para atender os trabalhadores e futuros funcionários. O setor imobiliário comemora a venda de loteamentos e aluguéis com preços dobrados devido à alta da demanda.

O prefeito João Alfredo (PSOL) já contabiliza 1.500 novos empregos e espera chegar a 10 mil no pico da obra, previsto para agosto de 2022. Ao todo, o empreendimento deve gerar cerca de 13 mil postos de trabalho desde a fase de construção até o funcionamento do núcleo industrial.

A arrecadação tributária de Ribas, hoje de R$ 120 milhões/ano, deve duplicar até 2024, mas o prefeito prevê reflexos já no ano que vem. A chegada da indústria também ocasionará um aumento populacional estimado em mais 10 mil pessoas em até oito anos. “Já estamos nos preparando, projetando ampliação de hospital, pedindo mais policiamento, para ter infraestrutura”, diz.

Boom” semelhante ocorreu no início dos anos 2000 em Três Lagoas, também no MS, onde estão instaladas uma unidade da Eldorado Brasil e duas fábricas da Suzano.

BASE FLORESTAL É FORTE NO ESTADO

Dados do governo de Mato Grosso do Sul apontam indicam que o setor é responsável por cerca de 12 mil empregos – 5.500 diretamente envolvidos na fabricação.

“Nossa estratégia é mudar o perfil de produção agropecuária, avançando em outras culturas”, diz Jaime Verruck, titular da Semagro (Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar).

A base florestal representa 7% do PIB do estado, com receita bruta de R$ 10 bilhões, de acordo com dados de 2019 do IBGE.

Mato Grosso do Sul tem, atualmente, a segunda maior área plantada de eucaliptos do país – 1,240 milhão de hectares – e, segundo Verruck, deve ultrapassar Minas Gerais em dois anos.

No estado, a produção anual de madeira fica entre 30 e 35 milhões de metros cúbicos, e o consumo varia de 20 a 22 milhões de metros cúbicos, na produção de celulose ou como fonte de energia na siderurgia. “Temos as condições adequadas, não é preciso desmatar nada, são áreas de pastagens transformadas para produção florestal”, explica o secretário.

Outra vantagem local é o preço menor da terra, que pode custar 50% menos do que em estados como São Paulo, Paraná ou Minas Gerais, conforme aponta Moacir Reis, diretor da Reflore (Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas),

No caso de Ribas do Rio Pardo, além do terreno arenoso propício para produção, também existe o fator logístico, favorável até em relação a Três Lagoas. A distância entre as áreas de plantio e da futura usina é menor, o que diminui o custo do transporte primário – para retirar a madeira das florestas e levar à área de acesso aos caminhões – e do principal – que vai de lá até as fábricas de transformação.

O transporte final da celulose é outro fator beneficiado. “É preciso pensar como escoar essa produção de maneira eficiente e segura para garantir a exportação. Há alternativas interessantes para levar ao terminal de Santos”, comenta Aires Galhardo, diretor de celulose industrial, engenharia e energia da Suzano. O executivo cita como exemplo o rio Pardo, que fornece condições de escoamento da carga sem problemas de oscilação de vazão.

ELDORADO TAMBÉM TEM PLANOS DE EXPANSÃO

Outro nome de peso que tem planos de expansão no estado é a Eldorado Brasil. A empresa quer ampliar a fábrica de celulose em Três Lagoas por meio do Projeto Vanguarda 2.0, com investimento estimado em R$ 10 bilhões. A iniciativa deve gerar 20 mil empregos diretos e indiretos e levar a produção a alcançar 2,5 milhões de toneladas/ano.

A pedra fundamental foi lançada em 2015, mas o processo vem se arrastando por conta da batalha judicial travada pela J&F Investimentos e a Paper Excellence pelo comando da Eldorado.

Neste mês, a Justiça de São Paulo liberou o processo de transferência da fabricante de celulose à PE, mas a disputa ainda não chegou ao fim. Procurada pela Folha de São Paulo para falar sobre os investimentos, a Eldorado não quis se manifestar.

Fonte
Folha de São Paulo
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