O mercado de papel tissue no Brasil segue em expansão, mas ainda distante dos padrões de consumo observados em países desenvolvidos. Dados recentes da Euromonitor International mostram que o segmento movimentou cerca de R$ 16 milhões no varejo em 2025, com volume de aproximadamente 1,2 milhão de toneladas – crescimento anual de 6%. Apesar do avanço consistente, o consumo per capita brasileiro permanece significativamente abaixo de outros mercados.
Segundo a consultoria Fastmarkets RISI, o consumo brasileiro de papel tissue ainda é baixo. Em 2021, o Brasil registrou consumo anual de 6,3 kg per capita, enquanto países como Estados Unidos e Chile apresentam níveis muito superiores (26 e kg e 14,5 kg, respectivamente). Esse descompasso revela um mercado ainda em desenvolvimento, fortemente influenciado por fatores econômicos e culturais.
“O setor de tissue no Brasil tem um potencial enorme de crescimento, justamente porque ainda estamos em um patamar de consumo inferior ao de mercados mais maduros. Ao mesmo tempo, isso exige da indústria um alto nível de eficiência para lidar com custos elevados e manter competitividade”, afirma Luciano de Liz Barboza, CEO da IPEL.
A própria estrutura de consumo reforça esse estágio intermediário. No Brasil, o papel higiênico representa a maior parte do consumo, enquanto categorias como papel toalha e lenços descartáveis ainda têm baixa penetração. Em mercados mais maduros, esses produtos possuem participação muito maior, refletindo hábitos de consumo mais diversificados e maior poder aquisitivo. Esse cenário indica um espaço relevante para expansão, especialmente em segmentos de maior valor agregado.
Outro ponto central é o comportamento do consumidor. De acordo com o executivo, o mercado brasileiro tem sido marcado por uma crescente busca por custo-benefício, impulsionada pela inflação e pela pressão sobre a renda. Isso tem levado ao crescimento de linhas econômicas, marcas próprias e formatos maiores, ao mesmo tempo em que produtos premium ganham espaço de forma mais seletiva, criando uma polarização no mercado.
Para a indústria, esse contexto representa um desafio. Fatores como energia, transporte e matéria-prima pressionam as margens, exigindo inovação e ganho de escala para sustentar a operação. Ainda assim, há vetores claros de crescimento no horizonte.
“Temos uma base populacional grande, urbanização crescente e um consumidor que, aos poucos, passa a valorizar mais qualidade e higiene. Isso abre espaço para evolução do mercado, tanto em volume quanto em sofisticação”, acrescenta Barboza. Nesse sentido, o avanço de produtos mais sustentáveis e de maior desempenho também surge como diferencial competitivo.
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