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Indústria de papel e celulose deve registrar superávit de US$ 10 bilhões em 2021

Apesar da forte presença do setor na economia brasileira, grandes players do mercado defendem que sua relevância ainda é pouco conhecida no país

Neste ano, a indústria de base florestal deve responder, sozinha, por cerca de um sexto do superávit da balança comercial brasileira – cerca de US$ 10 bilhões –, estando apta a atender a diferentes demandas no campo da sustentabilidade. Porém, na avaliação de grandes players do setor, sua relevância ainda é pouco conhecida no país.

O diretor-geral da Klabin, Cristiano Teixeira, acredita que o setor esteja alinhado com as grandes tendências globais, principalmente em termos de ESG, no entanto, ele precisa ser mais vocal sobre suas iniciativas. “Nosso setor, no Brasil, prepara o solo, planta, colhe e produz fibra, mas volta para a mesma terra reiniciando o processo. Temos de ser vocais porque não são todas as nações que voltam ao mesmo terreno para plantar”, afirmou, durante a 16ª conferência latino-americana da Fastmarkets RISI.

Já o presidente da Suzano, Walter Schalka, defendeu novamente mudanças no sistema de precificação da celulose no mercado mundial e ressaltou que a volatilidade não agrega valor a nenhum elo da cadeia de papel e celulose. “Tenho sido recorrente quanto à necessidade de reduzir a volatilidade dos preços na indústria. Acreditamos que uma melhor previsibilidade dos preços seria positiva para todos”, disse.

Seria possível alcançar maior previsibilidade com a mudança no sistema de precificação, que hoje varia de acordo com a região. Se, na China, os preços são flutuantes, na Europa os valores são fixos e os fabricantes negociam os descontos. A adoção do modelo de preços flutuantes com descontos também flutuantes em todas as regiões seria uma solução para a indústria.

Rodrigo Libaber, diretor comercial, de logística e relações com investidores da Eldorado Celulose, acredita que a menor volatilidade é melhor para o futuro tanto do segmento de papel como do de celulose. “Se a busca é por maior estabilidade, é preciso focar nos fundamentos do mercado”, observou.

Libaber explicou que a pandemia do coronavírus gerou comportamentos diferentes de acordo com o tipo de papel e fibra produzidos, beneficiando, por exemplo, o segmento de tissue e acentuando a queda do consumo de papéis de imprimir e escrever, que já estava sendo vista no mercado global.

“A pandemia intensificou esse movimento. Mas vamos ver um comportamento diferente a partir de agora. A sociedade vai se preocupar mais com higiene pessoal e os hábitos vão mudar, o que levará o [segmento de] tissue a crescer mais do que no pré-pandemia”, concluiu.

Fonte
Valor Econômico
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