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Fábrica da Suzano no MA completa um ano e coroa ‘momento positivo’

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Com pouco mais de um ano de operação, a nova fábrica de celulose de eucalipto da Suzano Papel e Celulose, que está entre as duas maiores e mais modernas do mundo, consolida o “momento positivo” que atravessa a companhia. Ao longo de 2015, à plena produção na unidade de Imperatriz (MA), a venda do excedente de energia elétrica no mercado e a continuidade dos programas de redução de custos e aumento de produtividade prometem dar musculatura ao caixa e acelerar o processo de desalavancagem financeira da Suzano.

“Iniciativas de melhoria de competitividade estrutural estão acontecendo em todas as áreas. A tendência é de melhores resultados. É um momento positivo”, afirmou ao site do Valor Econômico, o presidente da Suzano, Walter Schalka, em passagem pela unidade maranhense no fim de 2014. “O processo de desalavancagem se acentua em 2015”, disse.

De fato, os números financeiros até o terceiro trimestre evidenciam a importante contribuição de Imperatriz aos negócios da Suzano. Enquanto a receita líquida da companhia avançou 26,3% em nove meses, para R$ 5,09 bilhões, o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado subiu 31,3%, para R$ 1,626 bilhão e o custo caixa de produção de celulose consolidado, que mede o desembolso efetivo do produtor, caiu 4,7%, para R$ 556 por tonelada. A dívida líquida, por sua vez, era de R$ 9,78 bilhões ao fim de setembro, equivalente a 4,5 vezes o Ebitda e 17,2% maior na comparação anual.

A nova fábrica entrou em operação em 30 de dezembro de 2013, com capacidade de produção de 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano e geração de excedente de energia de 100 MW, o suficiente para atender a uma cidade com 280 mil habitantes. Mais adiante, com pequenos ajustes, a unidade poderá alcançar produção anual de 1,7 milhão de toneladas.

Somente no projeto industrial de Imperatriz, os investimento somaram US$ 2,4 bilhões. Mais US$ 575 milhões foram aplicados na base florestal, que ganhará reforço no curto prazo. Ao fim do ano passado, havia 120 mil hectares de plantio na região e, em 2015, mais 20 mil hectares serão plantados e outros 20 mil hectares serão reformados. Em três anos, a meta é adicionar 60 mil hectares de florestas.

Ao mesmo tempo, a companhia segue atenta a oportunidades de compra. No ano passado, houve rumores de que a Suzano teria chegado a negociar uma área florestal da Queiroz Galvão, no Maranhão, em operação que poderia alcançar R$ 1 bilhão, mesmo valor apontado para uma suposta conversa com a Eco Brasil Florestas, comandada pelo empresário Osmar Elias Zogbi, também relacionada a base florestal.

Nenhuma das duas possíveis conversas foi confirmada. Mas é fato que a Suzano busca “florestas competitivas o mais próximo da fábrica”. “Estamos olhando todas as possibilidades”, comentou o presidente. Atualmente, conforme Schalka, a despesa de logística de madeira representa o maior custo de Imperatriz que, por sua vez, já tem o menor custo de produção de celulose do sistema Suzano. E essa despesa tende a cair, à medida que fatores que pressionaram o início de operação no Maranhão – natural a todo processo inicial – deixaram ou estão deixando de existir.

Para escoar a celulose de Imperatriz, a Suzano utiliza um ramal ferroviário próprio de 28 quilômetros e os fardos com a matéria-prima alimentam as composições dentro da própria fábrica. Depois, as três composições, com 72 vagões e 5,76 mil toneladas de celulose cada composição, percorrem 100 quilômetros na Ferrovia Norte-Sul e mais 500 quilômetros da Estrada de Ferro Carajás, até chegarem ao armazém da companhia no Porto do Itaqui, em São Luís. Uma quarta composição entrará em atividade ainda neste ano.

Por mês, entre três e quatro navios são abastecidos com a fibra proveniente da unidade maranhense e partem para portos na Europa e na América do Norte. Devido à posição geográfica de Itaqui, as viagens para esses destinos foram reduzidas em quatro dias. “Haverá progressos em 2015, porque Itaqui ainda não está operando ao máximo de sua competitividade”, ressaltou.

Em fevereiro, a unidade passará por sua primeira parada geral para manutenção, com duração prevista de dez dias, durante a qual algumas melhorias serão executadas – alguns gargalos de custos já foram identificados, de acordo com o diretor executivo de Operações da Suzano, Ernesto Pousada. Segundo ele, a venda de energia a partir da unidade deve se manter em torno de 80 MWh médio e o novo teto do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que indica preços da energia elétrica no curto prazo e caiu de R$ 822,83 para R$ 388,48 em 2015, não deve representar perda importante à companhia.

Segundo Pousada, a fábrica está inserida no subsistema Norte e, em alguns momentos de 2014, os preços de energia na região ficaram abaixo do praticado no Sudeste. Assim, explicou, a expectativa é de que os valores não oscilem muito por causa do novo preço máximo fixado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ao menos naquele mercado. “Esse [a fábrica do Maranhão] é um projeto muito bem equacionado do ponto de vista de retorno geral”, afirmou.

Valor Econômico