CeluloseNotícias

Após alerta da ONU, Suzano deve rever compromissos ambientais

A companhia cogita aumentar suas metas climáticas após o IPCC apontar que a atividade humana está alterando o clima da Terra de maneira sem precedentes

O presidente da Suzano, Walter Schalka, acredita que empresas e países devem ser mais ambiciosos em relação às metas climáticas. A declaração foi feita após a divulgação do relatório do IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental de Mudança do Clima da ONU).

O executivo afirmou, durante a apresentação dos resultados trimestrais da companhia, que a Suzano deve rever seus compromissos ambientais após os alertas do painel do clima. Por ser de base florestal, a companhia remove mais gases de efeito estufa da atmosfera do que emite.

O documento do IPCC, divulgado na última semana, apontou que a atividade humana está alterando o clima da Terra de maneira sem precedentes, e que algumas mudanças são inevitáveis e irreversíveis.

“Não dá mais para as empresas ou países anunciarem metas muito longas de carbono zero, para 2040, 2050, 2060. Nós precisamos de uma redução imediata da emissão de carbono global”, defendeu Schalka.

Para que haja impacto imediato, o executivo sugere que as organizações coloquem objetivos intermediários de redução de carbono. “Nós não podemos esperar mais para fazer uma ação de reversão dessa situação. Podemos entrar num ponto de não-reversão, causando prejuízos tremendos no mundo”, declarou.

“Nós já somos carbono negativo, mas vamos ter que ser ainda mais ambiciosos em relação à meta que foi colocada de [sequestrar] 40 milhões de toneladas de carbono [da atmosfera] até 2030. Nós, quase certamente, vamos colocar uma meta ainda mais ambiciosa em relação a isso”, destacou.

A gigante de celulose vem buscando marcar presença no mercado em relação à agenda ESG (sigla em inglês para boas práticas ambientais, sociais e de governança corporativa).

A Suzano tem projetos ligados à preservação da biodiversidade e, recentemente, emitiu títulos de dívida vinculados à meta de elevar, para um mínimo de 30%, os cargos de liderança ocupados por mulheres até dezembro de 2025, além de reduzir o uso de água de sua produção.

“Continuaremos a promover esse tipo de trabalho para mitigar a situação que se apresentou com o IPCC nos últimos dias. Não podemos mais procrastinar essa decisão para o futuro. É nossa responsabilidade, como sociedade e como empresa, adotar políticas para mitigar o impacto dos gases de efeito estufa e combater as mudanças climáticas”, declarou Schalka.

O presidente da Suzano foi um dos mais de 160 empresários e intelectuais a assinarem uma carta, em junho deste ano, enviada ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pedindo o veto a três projetos de lei da área ambiental. Os autores são contra as propostas legislativas relacionadas a mudanças na legislação ambiental, que impactam na demarcação de terras indígenas, na mineração nessas áreas e na grilagem de florestas.

Fonte
Folha de São Paulo
Mostrar mais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo