Suzano quer ganhar escala no mercado de embalagens
A companhia busca se tornar um player relevante no segmento, ocupando a capacidade produtiva que se torna ociosa de papel de imprimir e escrever com novos produtos
A Suzano tem planos ambiciosos para o mercado de embalagens e papéis para embalagem: em um ou dois anos, novos produtos nesse segmento deverão responder por 10% das vendas domésticas de papéis da empresa, em volume, que somaram 648,6 mil toneladas nos nove primeiros meses de 2021.
“A Suzano só vai participar do mercado onde for competitiva e puder ganhar escala. Não vamos atuar em nichos. A estratégia é escalar rápido”, afirma o diretor da unidade de negócios de papel e embalagem da companhia, Fabio Almeida Oliveira. Hoje, a maior produtora e exportadora de papéis para embalagens do país é a também brasileira Klabin, com larga margem em relação à concorrência.
Em receita, as vendas de papel da Suzano no mercado interno somaram R$ 3 bilhões nos nove primeiros meses de 2020. “Queremos ser relevantes no mercado regional [América do Sul]”, destaca Fabio.
Segundo o executivo, a estratégia é ocupar, ao longo do tempo, a capacidade produtiva que se torna ociosa de papel de imprimir e escrever – cuja demanda retraiu em virtude da digitalização –, com novos produtos, como o kraftliner, obtido exclusivamente a partir da celulose de eucalipto e usado principalmente para capa externa do papelão ondulado, ou o testliner, feito com fibra reciclada, ainda em desenvolvimento, que, em sua maioria, é aplicado para miolo das caixas de papelão.
Apostando ainda na crescente substituição do plástico por papel, a Suzano desenvolveu um papel flexível para embalagem, ou “greenpack”, usado pela Johnson & Johnson para embalar internamente e externamente o Sempre Livre Adapt Plus Eco, absorvente recém-lançado que leva 50% menos plástico do que a versão tradicional. Com o iFood, o maior aplicativo de entregas de refeições e alimentos no país, a companhia lançou um papel para utilização em sacolas, ou “greenbag”.
A Suzano não revela o volume atual de vendas dos novos produtos, relativamente baixos por terem chegado recentemente ao mercado, mas indica que pretende dobrar esse número em 2022. Maior produtora mundial de celulose de eucalipto e uma das maiores em papéis de imprimir e escrever na América Latina, a companhia produz e comercializa cerca de 1,2 milhão de toneladas de papéis, entre as quais 1 milhão de toneladas de imprimir e escrever e 200 mil toneladas de cartões, usados principalmente na confecção de caixas mais delicadas, como as de produtos de higiene ou medicamentos. Além disso, possui participação de 49% na Ibema, cuja capacidade produtiva de papel cartão é de 150 mil toneladas anuais.
Conforme Oliveira, este ano caminha para ser o melhor nessa unidade de negócios em termos de receita e resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). Em nove meses, a receita líquida com papéis foi de R$ 4,36 bilhões, alta de 28% na comparação anual – a celulose, com volumes bastante superiores, representou cerca de 85% da receita líquida consolidada de R$ 29,5 bilhões no mesmo período.

















