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Suzano investirá US$ 2,7 bilhões em fábrica de Ribas do Rio Pardo

Projeto Jubarte é o maior investimento planejado pela companhia e promete ser o mais competitivo da indústria

Após quase dois anos da fusão com a Fibria, de R$ 36 bilhões, a Suzano avança nos preparativos de um novo ciclo de expansão. Contando com cerca de 1,3 milhão de hectares de florestas cultivadas, que influenciam de forma decisiva na competitividade de suas operações, a empresa vai ganhar mais ainda mais força em celulose de eucalipto, com a construção de outra fábrica em Mato Grosso do Sul, e adentrar novos mercados nos próximos anos. “Hoje, tiramos apenas fibra e energia da árvore. Estamos olhando para a base florestal para extrair mais valor”, diz o presidente da Suzano, Walter Schalka.

A empresa já é a maior do mundo em celulose de eucalipto, com uma produção de 11 milhões de toneladas anuais. Dentre os investimentos planejados, o Projeto Jubarte é o maior, e acrescentará 2,2 milhões de toneladas anuais de celulose à capacidade atual. Para isso, o investimento será de US$ 2,7 bilhões em Ribas do Rio Pardo (MS).

A previsão inicial era de que a expansão em celulose ocorresse pouco depois da incorporação da Fibria, porém, o ciclo de baixa prolongado da matéria-prima prorrogou os prazos. Para ser executado, o projeto ainda depende da redução da alavancagem financeira, que vem sendo mais lenta do que o esperado. No entanto, caso os preços da fibra permaneçam em recuperação e o câmbio contribua, é possível encurtar o caminho até o aval do conselho de administração a partir deste momento.

No atual trimestre, a Suzano já anunciou dois reajustes na China, que fizeram o preço líquido chegar a US$ 500 por tonelada no início deste mês. Nesta semana, subiu os preços novamente, desta vez, no Sudeste Asiático e Oriente Médio, para US$ 550 a tonelada. Anteriormente, em 12 meses, até setembro, a empresa já havia reduzido em US$ 1,2 bilhão a dívida líquida, para US$ 12,2 bilhões. “Essa é uma demonstração inequívoca de que a Suzano continua gerando caixa, mesmo que os preços estejam baixos e o retorno não seja o adequado”, comentou Schalka.

No mês de setembro, a alavancagem financeira, calculada pela relação entre dívida líquida e Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em dólares, era de 4,4 vezes, acima dos limites estabelecidos em sua política financeira, mas inferior às 4,9 vezes de dezembro. Normalmente, esse índice deveria estar entre 2 e 3 vezes, intervalo que a companhia já indicou que poderá alcançar até o final de 2021.

No decorrer dos ciclos de investimento, a política permite que o índice atinja 3,5 vezes. Levando-se em conta que a geração de caixa de US$ 1,2 bilhão ao ano é suficiente para cumprir 100% do investimento estimado e outros compromissos financeiros – assim, o Projeto Jubarte não interferirá na alavancagem –, a gigante de celulose poderia anunciá-lo quando o índice estiver nessas 3,5 vezes.

De acordo com Schalka, a companhia concretizará o investimento “assim que tiver a estrutura financeira adequada”. A decisão, ele ressalta, não será impactada pelo anúncio de projetos concorrentes de celulose, concentrados na América do Sul. A fábrica de Ribas do Rio Pardo possui distância média entre fábrica e floresta estimada em 60 quilômetros e promete ser a mais competitiva de toda a indústria.

 

Na visão dos analistas Daniel Sasson, Ricardo Monegaglia e Edgard Pinto de Souza, do Itaú BBA, a nova unidade terá, em plena atividade, custo caixa de produção de US$ 90 por tonelada, comparável à média de US$ 120 das operações em vigor da companhia neste ano. Na avaliação do banco, o projeto poderia destravar R$ 7 bilhões em valor à Suzano, cujo valor de mercado está em R$ 71 bilhões. A ação acumula alta de cerca de 40%, desde que a fusão com a Fibria foi consumada.

Combinados a um cenário mais ácido de preços da celulose e à desvalorização cambial, os compromissos relacionados à operação, formalizada em janeiro de 2019, pressionaram a alavancagem financeira, mas não paralisaram a Suzano. Naquele mesmo ano, por exemplo, a empresa recorreu a R$ 933,4 milhões em créditos de ICMS para tirar do papel a construção de uma linha de conversão de papéis tissue no Espírito Santo – que começa a operar em fevereiro –, modernizar a unidade Aracruz e investir em base florestal.

Schalka informa que a Suzano usará, cada vez mais, celulose de fibra curta (incluindo eucalipto) no lugar da fibra longa, por ser mais competitiva, inclusive na indústria de embalagens. A matéria-prima também será importante substituta dos produtos de origem fóssil, já que é renovável, reciclável e biodegradável. “Queremos aumentar o mercado endereçável da fibra curta”, enfatizou.

A estratégia de crescimento também inclui produzir diferentes tipos de celulose. Além do tradicional “paper grade”, a fabricante inovou ao fabricar celulose fluff (usada em fraldas descartáveis e absorventes higiênicos) a partir de eucalipto e, agora, tem planos para entrar no mercado da fibra solúvel. Uma das fábricas já em operação provavelmente será convertida para esse tipo de celulose, segundo o presidente da companhia. A ideia é avançar nessa cadeia de valor, até chegar à fabricação de viscose.

Nessa busca por crescimento, o executivo garante que a Suzano também quer ser um agente de transformação social. “A companhia transcende ser competitiva em celulose e entende que seu papel mais relevante é na sociedade”, ressaltou. Sustentabilidade, ou o chamado ESG (do inglês environmental, social and governance), passou a ter importância estratégica dentro da companhia, que estabeleceu metas até 2030 para enfrentar as mudanças climáticas e reduzir a desigualdade. “Só é bom para nós se for bom para o mundo”, concluiu.

Fonte
Valor Econômico
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