A Suzano finalizou 2021 com lucro líquido de R$ 8,6 bilhões, comparável a prejuízo de R$ 10,7 bilhões em 2020. No quarto trimestre, a gigante de celulose obteve lucro líquido de R$ 2,3 bilhões, queda de 61% na comparação anual, em virtude do impacto negativo da variação cambial na linha financeira.
O resultado operacional (Ebitda) de outubro a dezembro saltou 60% na comparação anual, para R$ 6,36 bilhões – um novo recorde. A companhia foi beneficiada pelo maior volume de vendas e preços mais altos, tanto no negócio de celulose quanto de papel.
A produtora de celulose também foi favorecida pelo câmbio desvalorizado, que tem efeito positivo na receita com exportação. A receita líquida da companhia teve crescimento de 43% no quarto trimestre, a R$ 11,47 bilhões. No ano, a receita líquida alcançou R$ 40,97 bilhões, alta de 34%.
A geração de caixa operacional no quarto trimestre totalizou R$ 4,8 bilhões, um salto de 61% na comparação anual. As vendas de celulose subiram 2% na mesma comparação, a 2,7 milhões de toneladas, e as de papel cresceram 5%, para 371 mil toneladas.
Segundo Walter Schalka, presidente da Suzano, o ano foi “histórico” tanto em razão dos resultados alcançados quanto pelo anúncio de novos projetos de crescimento, principalmente o Projeto Cerrado.
Apesar da forte correção dos preços da celulose entre o segundo e o terceiro trimestres e de investimentos de mais de R$ 6 bilhões no ano, a Suzano também reduziu o endividamento líquido de US$ 12,3 bilhões para US$ 10,4 bilhões, observou o presidente. “A empresa está preparada, robusta financeiramente”, afirmou Schalka.
NOVA LINHA DE CRÉDITO ROTATIVO
Nesta semana, a Suzano concluiu a contratação de uma nova linha de crédito rotativo, elevando, de US$ 500 milhões, para US$ 1,275 bilhão, o total disponível por meio dessa ferramenta. Segundo a companhia, a contratação, feita por meio das subsidiárias Suzano International Trade GmbH e Suzano Pulp and Paper Europe, objetiva “ampliar a já robusta posição de liquidez, proporcionando maior flexibilidade à gestão do caixa ao longo dos próximos anos, em um contexto de novo ciclo de investimentos”.
De acordo com Marcelo Bacci, diretor de finanças, relações com investidores e jurídico, a Suzano não precisaria ter ampliado o total disponível, mas o fez porque pretende reduzir a posição de caixa, hoje considerada excessiva, ao longo do tempo.
No final de 2021, os custos da empresa foram afetados pela inflação e alta de preços de commodities e químicos, além dos custos com madeira que avançaram com o impacto da alta do diesel na colheita e no transporte. Segundo Schalka, a empresa segue buscando mais eficiência e trabalhando para reduzir o custo da operação. No entanto, a ruptura na cadeia de suprimentos levou ao aumento de preços de celulose, resultando em consecutivos reajustes anunciados desde o fim de 2021, sustentados ainda pela demanda global crescente.
Conforme o executivo, a produtora tem recusado pedidos de celulose no mercado spot por não ter condições de atendê-los. “A oferta não veio como esperado e os estoques vêm caindo consecutivamente nos portos da Europa e da China. Na Suzano, estão abaixo do nível operacional”, comentou o presidente, e acrescentou: “A prioridade é abastecer os clientes. Em algum momento [à frente], teremos de fazer esse ajuste nos estoques”.
O setor de papel segue positivo neste início de ano, na visão de Schalka. “Falta papel no mundo hoje”, afirmou. O desequilíbrio no mercado global pode ser explicado pela conversão de máquinas de papel de imprimir e escrever para kraft e o consumo mais aquecido do que o esperado por esse tipo de papel, cuja demanda encolhe no mundo.


















