Segundo dados recentes do Ministério da Previdência Social, o Brasil enfrenta uma crise de saúde mental, com o maior número de afastamentos dos últimos dez anos. O tema ganha ainda mais relevância em 2026 com a entrada em vigor da atualização da NR-1, que amplia a responsabilidade das empresas sobre a identificação, prevenção e gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho, inserindo o bem-estar psicológico e social de forma definitiva na agenda corporativa e de ESG.
Até maio, as organizações passam por um período de ajustes para mitigar fatores que impactam a saúde mental, emocional e social, como assédio moral e sexual, estresse, sobrecarga, discriminação, bullying, microagressões, insegurança psicológica, conflitos constantes, comunicação tóxica, jornadas exaustivas e pressão contínua por resultados.
Para Cris Kerr, especialista em assédio, segurança psicológica e neurociência e CEO da CKZ Diversidade, o cuidado com as pessoas colaboradoras e a preocupação com o bem-estar no ambiente de trabalho deixaram de ser opcionais e passaram a ocupar lugar central na agenda corporativa e de ESG. “Além de atender à norma, investir em bem-estar garante mais produtividade, engajamento, retenção de talentos e menos afastamentos por doença”, afirma a executiva.
Com a NR-1, Cris Kerr aponta que as organizações passam a ser responsáveis por mapear e prevenir esses riscos no ambiente de trabalho e também por:
- Treinar lideranças e pessoas colaboradoras sobre boas práticas de conduta;
- Criar canais de denúncia seguros e eficazes para casos de assédio;
- Implementar políticas de responsabilização, com critérios transparentes de apuração e medidas corretivas;
- Revisar a carga de trabalho e a jornada das pessoas colaboradoras para evitar exaustão;
- Promover uma cultura e liderança inclusiva e humanizada, garantindo um ambiente respeitoso para todas as pessoas.
COMO AS EMPRESAS PODEM SE ALINHAR À NORMA?
Desde 2024, muitas organizações vêm ajustando processos para evitar penalidades, mas ainda enfrentam dificuldades para sair do papel. Segundo a especialista, alguns passos são essenciais:
- Diagnóstico do ambiente, por meio de pesquisas, conversas individuais ou grupos focais;
- Treinamento de lideranças, com foco em conscientização e aplicação prática;
- Formação de pessoas multiplicadoras, capazes de intervir diante de comportamentos inadequados;
- Criação de espaços permanentes de diálogo, inserindo o tema nas rotinas e conversas de time.
“Quando as pessoas são mais felizes em suas ocupações, geram maior lucratividade, maior produtividade, menor turnover e, consequentemente, menos afastamentos por doença, que é um dos grandes desafios nas companhias quando falamos sobre saúde emocional corporativa”, explica Cris Kerr.
















