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Santher tenta se reerguer

Uma das maiores e mais tradicionais fabricantes de papéis tissue do país, a Santher (Fábrica de Papel Santa Therezinha), dona das marcas Personal, Snob e Kiss, está lutando para superar um delicado momento financeiro e se reerguer.

santher

O Valor apurou que os esforços imediatos estão voltados ao alongamento de empréstimos e financiamentos com vencimento no curto prazo, que somavam R$ 190 milhões ao fim de setembro, conforme o último balanço disponível.

A empresa tinha ainda R$ 210 milhões em compromissos de curto prazo com fornecedores, frente a R$ 54 milhões em caixa e aplicações e geração de caixa líquido de R$ 40 milhões em nove meses, conforme as demonstrações financeiras do terceiro trimestre – o balanço de 2016 ainda não foi publicado pela Santher.

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Segundo fontes da indústria, a companhia já teria iniciado tratativas com grandes bancos privados e públicos em busca de um novo cronograma de pagamento de determinadas dívidas. A renegociação, na avaliação dessas fontes, é fundamental para que a Santher não tenha de recorrer a uma capitalização, com a entrada de novo sócio ou uma oferta de ações, por exemplo. O Valor apurou que, neste momento, a empresa não cogita uma operação dessa natureza.

Numa situação em que conseguisse continuar rolando dívidas, que em parte ainda refletem o investimento de R$ 280 milhões feito na produção de tissue e fraldas descartáveis em 2010, não haveria necessidade de repactuação com os bancos. Mas a crise econômica no país reduziu a oferta de crédito e, assim como outras empresas, a Santher passou a encontrar algumas limitações. Nesse ambiente, a companhia deu início a um processo de reestruturação que envolveu ajustes de estrutura, fechamento de uma fábrica e a volta da família Haidar à direção.

As medidas estão reportadas em atas de reuniões do conselho de administração. Na mais recente delas, realizada em 15 de março, Ruy Haidar, da terceira geração da família controladora, foi eleito presidente em substituição a Ricardo Botelho Bicalho, que chegou à Santher no início de 2013 em mais uma tentativa de profissionalização da gestão da empresa.

As dificuldades da Santher, que é a segunda maior do mercado doméstico de papel higiênico em volume e a primeira em toalhas, foram agravadas pela forte recuperação dos preços da celulose, principal matéria-prima, e a pela desvalorização do real frente ao dólar. Esses movimentos, combinados ao dissídio salarial e aos gastos com energia, elevaram drasticamente os custos de produção.

De acordo com uma fonte do setor, praticamente todos os produtores de tissue no país sentiram os efeitos da crise financeira e da menor oferta de crédito dos bancos, sobretudo as líderes de mercado. Nesse segmento, explica o executivo, os consumidores habitualmente migram para produtos mais baratos em momentos de dificuldade econômica, favorecendo as vendas das médias empresas. Entre as que estão no topo, caso da Santher, o acirramento da concorrência acaba levando a uma política mais agressiva de preços.

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Há ainda uma questão estrutural do setor: enquanto o consumo do papel de folha dupla é crescente, o de folha simples vem encolhendo ano após ano, com a migração dos consumidores para o produto mais sofisticado. Hoje, o negócio de folha dupla já superou o de folha simples na Santher, mas até pouco tempo o equilíbrio era outro e isso pode ter prejudicado a empresa, na avaliação de uma fonte. A fábrica fechada no ano passado, em Governador Valadares (MG), era dedicada justamente à folha simples e já estava obsoleta.

Em evento recente da indústria de tissue em São Paulo, o diretor da Anguti Estatística, Pedro Vilas Boas, chamou a atenção para o fato de o consumo desse tipo de papel seguir em expansão, mas com ritmo mais lento por causa da crise econômica. Além disso, a rentabilidade da indústria tem sido afetada pelo acirramento da concorrência – com vistas à manutenção de participação de mercado – e da maior dificuldade de negociação de preços com as grandes varejistas.

Apesar desses desafios, o mercado de tissue segue atraindo investimentos e novos competidores, entre eles a Suzano Papel e Celulose. De meados de 2016 até 2019, segundo apresentação da Anguti, novas máquinas adicionarão 295 mil toneladas desse tipo de papel no mercado brasileiro, ante produção de 1,26 milhão de toneladas e vendas domésticas de 1,25 milhão de toneladas no ano passado.

De janeiro a setembro do ano passado, a Santher teve receita líquida de R$ 1,08 bilhão, alta de 8,3%, com prejuízo de R$ 2,27 milhões. O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) caiu 15%, para R$ 90,9 milhões, e a dívida líquida estava em R$ 505,7 milhões, com queda de 9,3% ante dezembro de 2015.

Procurada, a empresa não comentou o assunto.

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