Presidente da Abre afirma preocupação com impacto da guerra no setor de embalagens
A produção de embalagens no Brasil recuou 3% em 2021. Segundo Marcos Barros, 2022 começa com cautela

Segundo estudo do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) e da Fundação Getulio Vargas (FGV), para a Associação Brasileira de Embalagem (Abre), a produção de embalagens no Brasil recuou 3% em 2021, após três anos de crescimento. O setor prevê que, para 2022, ocorra queda de 0,5% na produção física, considerando as condições atuais, com margens para haver crescimento de 1% a recuo de 2%.
Um dos fatores que influenciam as perspectivas é a guerra que acontece na Ucrânia, gerando os desdobramentos sobre o preço do petróleo que reforça a pressão no mercado de embalagens, especialmente as plásticas, que sofrem com a retração da demanda e aumento da inflação e do câmbio elevado.
O desempenho mais fraco também é explicado pelos estoques elevados na cadeia de valor. “A guerra preocupa efetivamente. Os números do estudo só confirmaram os receios do setor, de que há acomodação na demanda. Se a guerra perdurar, haverá mais pressão sobre preços e inflação. Isso vai afetar a indústria e chegar nas embalagens”, afirma o presidente da Abre, Marcos Barros.
Ainda há o fato de 2022 ser um ano de eleições, o que pode trazer algum alívio, com mais estímulos à economia doméstica e ao consumo, pondera Barros. “O ano começa com cautela”, acrescenta.
As commodities mais caras e o repasse aos preços das embalagens, por outro lado, fizeram com que o valor bruto da produção crescesse 31,1% em 2021, para R$ 110,9 bilhões.
No entanto, enquanto no ano passado as empresas conseguiram repassar o aumento dos custos e o impacto do câmbio ao preço final, em 2022 as negociações estão mais difíceis e a indústria está abrindo mão de margem, disse o presidente da Abre.
Houve também a recuperação nos preços da celulose. Fretes mais elevados e falta de contêineres, usados para importação de matéria-prima para produção de embalagens, completam a tempestade perfeita que se formou na frente dos custos do setor.
Conforme o estudo, os preços das embalagens se desaceleraram a partir de agosto, mas permanecem em níveis relativamente elevados. Naquele mês, a variação acumulada em 12 meses chegou a 42%, a maior em pelo menos 20 meses. Em janeiro, esse índice estava em 26,3%.













