AFRY aponta eletrificação e flexibilidade energética como caminhos centrais para a descarbonização da indústria de tissue
Em entrevista ao Talk Tissue, Eduardo de Almeida, Senior Principal da AFRY, detalhou o impacto das energias renováveis no preço da eletricidade, as tecnologias mais promissoras para descarbonizar a produção de tissue e o papel da consultoria na otimização operacional das fábricas
Nesta edição do Talk Tissue, Felipe Quintino, CEO do Nexum Group e fundador do Portal Tissue Online, conversou com Eduardo de Almeida, Senior Principal da AFRY, diretamente do Tissue Planet, evento realizado pela Toscotec em Lucca, na Itália. O bate-papo abordou os caminhos para a descarbonização da indústria de tissue, as tecnologias mais promissoras e o trabalho de consultoria da companhia junto às fábricas.
Segundo Eduardo, o avanço das fontes renováveis, em especial solar e eólica, tem provocado forte variação no preço da eletricidade em mercados com leilão horário, como o espanhol. Esse cenário abre espaço para projetos de eletrificação na produção de tissue, com destaque para caldeiras elétricas e campânulas elétricas, que podem operar em paralelo a equipamentos a gás e ser acionadas conforme o preço da energia ao longo do dia. O executivo avalia que a fábrica de papel pode se posicionar como mecanismo de adaptação das redes elétricas, ganhando competitividade ao aproveitar janelas de energia barata.
Eduardo destacou ainda que a viabilidade da descarbonização depende fortemente da matriz elétrica de cada país. Em mercados com matriz limpa, como o brasileiro, a eletrificação reduz emissões de forma direta, ao contrário de regiões ainda dependentes de carvão. Outro caminho citado foi o das heat pumps, mais eficientes que caldeiras elétricas para geração de vapor, mas que exigem estabilidade operacional e ainda não são mainstream na indústria. Para o executivo, o principal inimigo da descarbonização segue sendo o gás natural relativamente barato, que pressiona o retorno financeiro dos projetos de transição.
Sobre o trabalho da AFRY, Eduardo detalhou que a companhia atua em consultoria estratégica e operacional para a bioindústria, com serviços que vão de M&A e internacionalização à otimização de fábricas. No Brasil, mercado especialmente sensível a preço, o foco recai sobre eficiência operacional, manutenção, uptime de máquinas e implantação de sistemas de gestão baseados em KPIs aplicáveis ao dia a dia. Para Eduardo, a estabilidade de operação, com qualidade constante e alta eficiência, é o principal desafio das fábricas de tissue em todo o mundo e a base da sustentabilidade de longo prazo das companhias.

















