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Por que o papel higiênico é um dos primeiros itens a sumir das prateleiras?

prateleira vazia supermercado

Entenda o crescimento da demanda pelo produto em períodos de crise, como o surto mundial de coronavírus

O novo coronavírus (Covid-19), considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma pandemia global, vem afetando não apenas a saúde, como a economia em todo o mundo.

O pânico generalizado provocado pela doença tem levado pessoas a estocarem mantimentos e produtos de higiene, em especial, o papel higiênico.

Em um supermercado no Reino Unido, por exemplo, o corredor onde ficam produtos de limpeza, incluindo papel higiênico, está praticamente vazio. Itens como macarrão, óleo, comidas enlatadas e água sanitária também estão sumindo das prateleiras.

Tony Richards, diretor de operações da empresa Essity, que produz papel higiênico e domina quase um terço desse mercado no Reino Unido, disse à BBC News que 63 milhões de rolos foram vendidos nas últimas duas semanas. Em comparação, 24 milhões foram vendidos no mesmo período do ano passado.

“Não entrem em pânico, pensem em toda a comunidade. Nós conseguimos levar papel higiênico para as prateleiras, só precisamos de tempo”, afirmou.

Até o momento, não há notícias de que o Reino Unido esteja sofrendo de desabastecimento. Apesar disso, muitas pessoas aderiram à corrida por papel higiênico e por outros produtos que podem compor um “bunker de sobrevivência”, antecipando possíveis medidas extremas de isolamento pelo novo coronavírus – algo ainda não anunciado por autoridades. É o chamado “panic buying”, ou compras motivadas pelo pânico.

Mas que razões levariam a população mundial a tomar essas medidas? Especialistas apontam razões diversas para explicar esse fenômeno.

Steven Taylor, autor do livro The Psychology of Pandemics (A Psicologia de Pandemias, em tradução livre), lançado três semanas antes do início do surto do coronavírus na China, afirma que compras motivadas pelo pânico também aconteceram em outras pandemias, mas foram pouco documentadas. Segundo ele, durante a Gripe Espanhola, em 1918, as pessoas esvaziaram prateleiras de Vick Vaporub, nome comercial da pomada criada para desobstruir as vias aéreas durante gripes e resfriados. A empresa produtora da pomada fez até uma série de propagandas especiais relacionadas à pandemia.

Dessa vez, além do álcool em gel, as fotos que viralizam são de pessoas estocando papel higiênico. Para explicar isso, Taylor tem uma teoria: “O papel higiênico virou um símbolo de segurança, embora não vá impedir que as pessoas sejam infectadas pelo vírus. Mas quando as pessoas ficam sensíveis a infecções, aumenta a sensibilidade delas para o que é nojento. É um mecanismo para nos proteger de patógenos”. Para ele, o papel higiênico é visto, desse modo, como um instrumento para evitar “coisas nojentas” e se torna um símbolo de segurança.

Taylor acrescenta que as pessoas fazendo compras motivadas pelo pânico são geralmente ansiosas, e que essa é uma pandemia das redes sociais. “A diferença fundamental dessa pandemia para outras são as redes sociais e nossa interconexão. As pessoas são expostas a vários materiais, inclusive fotos e textos dramáticos. É uma ‘infodemia’”, afirma.

coronavirus corrida papel higienico

Nesse contexto, o que viraliza são as imagens de corredores e prateleiras vazios, não de pessoas fazendo compras normalmente, como é a maioria dos casos. E, por causa da conexão entre as pessoas pelo mundo inteiro, se houver qualquer orientação oficial para que a população estoque produtos em um país, essa informação pode viajar para outros locais e estimular as compras mesmo onde não houver necessidade semelhante, inflando artificialmente a sensação de ameaça.

No Japão, o medo do coronavírus também levou os japoneses a uma verdadeira corrida por papel higiênico. Em dois dias, o produto sumiu das prateleiras após notícias falsas circularem nas redes sociais e devido a um trauma de quase meio século atrás.

Em 1973, a crise do petróleo afetou a produção de papel e fez muitas pessoas estocarem papel higiênico. Isso se repetiu em 2011, quando o Japão foi atingido pelo tsunami. Agora, há uma reedição do problema com o surto do novo coronavírus. “É a psicologia coletiva. Os japoneses se sentem pressionados a fazer alguma coisa para lidar com o medo e estocam produtos, talvez pelo trauma do passado”, diz Daisuke Onuki, professor de Relações Internacionais na Universidade Tokai, em Kanagawa.

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O medo também provocou uma demanda maior por água mineral e macarrão instantâneo, e fez muita gente cumprir a peregrinação diária atrás de máscara cirúrgica e álcool em gel, além de adquirir novos hábitos, como lavar as mãos do pulso até a ponta de cada dedo, não tocar em corrimões e manter uma distância maior da pessoa a quem vai cumprimentar.

Ainda é incerto dizer quanto tempo essa pandemia vai durar e quais os seus impactos a longo prazo na economia mundial, mas, até aqui, a recomendação dos especialistas é agir com cautela e estar sempre bem informado, sobretudo, em época de disseminação de fake news.

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