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Megafábrica de celulose da Bracell inicia operações em agosto

A unidade receberá investimento superior aos R$ 8 bilhões inicialmente previstos e terá duas linhas de produção, com flexibilidade para alternar entre celulose solúvel e branqueada de eucalipto

A megafábrica de celulose que a Bracell está erguendo em Lençóis Paulista (SP) entrará em operação em agosto. Primeira de nova geração com larga escala na América do Sul, a unidade receberá investimento superior aos R$ 8 bilhões inicialmente previstos e terá duas linhas de produção, com flexibilidade para alternar entre celulose solúvel, matéria-prima da viscose, e branqueada de eucalipto (kraft).

A empresa da Royal Golden Eagle (RGE), de Cingapura, está ampliando a antiga Lwarcel, adquirida em 2018, e dedicará importante parte da produção às fábricas de viscose e papéis do próprio grupo na Ásia. Também estão no radar outros clientes da região, Europa e Estados Unidos para comercialização do volume excedente. “Estamos muito otimistas com a perspectiva de demanda nos próximos anos”, afirmou o vice-presidente executivo da Bracell, Per Lindblom, ao Valor Econômico.

O cronograma atual, que inclui um atraso de quatro semanas por conta de problemas na entrega de materiais e equipamentos, principalmente da Ásia, em virtude da pandemia, prevê que a primeira linha do Projeto Star entre em operação em meados de agosto, e a segunda inicie após duas semanas.

Na curva de aprendizagem, haverá variação de produção entre celulose solúvel e kraft de acordo com o nível de estabilidade operacional. Pelo menos nos primeiros anos de operação, não está definido o volume esperado de cada tipo de fibra. Para o planejamento, serão consideradas a demanda e a perspectiva de integrar toda a celulose solúvel fabricada em Lençóis Paulista à viscose fabricada pela RGE na Ásia.

A princípio, o aporte para expansão da Lwarcel, comprada pela RGE em 2018, estava estimado em R$ 8 bilhões – valor que já correspondia ao maior investimento privado no estado de São Paulo nas últimas duas décadas. O projeto, no entanto, era menor: a ideia era instalar uma nova linha, de 1,25 milhão de toneladas anuais, que se complementa à linha existente de 250 mil toneladas de celulose kraft por ano.

Agora, o empreendimento terá duas novas linhas, com capacidade de produção de 1,5 milhão de toneladas de celulose solúvel por ano ou cerca de 2,6 milhões e 2,8 milhões de toneladas de celulose kraft anuais. Apesar de não revelar o investimento adicional, a Bracell confirma que angariou US$ 1,3 bilhão em empréstimo sindicalizado que reuniu bancos nacionais e internacionais. Comenta-se no setor que o custo de um projeto industrial de tal porte chegue próximo de R$ 15 bilhões. Em atividade, o Projeto Star, que já envolveu 11,5 mil no pessoas no pico das obras, irá criar 6 mil postos de trabalho.

A megafábrica de celulose da Bracell terá a maior caldeira de recuperação do mundo, que está sendo equipada com tecnologias de última geração, ainda não usadas em escala industrial na região, e terá capacidade de queimar 13 mil toneladas de sólidos totais diariamente. O empreendimento terá uma das maiores unidades de gaseificação em operação, utilizando 100% de matéria-prima renovável para produzir biogás, sendo livre de combustíveis fósseis.

O projeto usará parte da energia gerada na operação em suas instalações, e ainda poderá exportar 180 megawatts (MW) de energia limpa para o sistema nacional, quantidade suficiente para abastecer uma cidade com 3 milhões de habitantes. A fábrica será a nova referência em emissões, já que terá seis precipitadores eletrostáticos, que diminuem o material particulado nos gases da caldeira de recuperação química. O Projeto Star também terá como diferencial o tratamento de efluentes, segundo o diretor-geral da Bracell São Paulo, Pedro Stefanini.

A Bracell estabeleceu contrato de longo prazo com a MRS para escoar a celulose de Lençóis Paulista até o Porto de Santos, local em que já possui terminais disponíveis. O insumo será transportado de caminhão da fábrica até o Terminal Intermodal em Pederneiras, de onde seguirá via ferrovia para Santos.

Fonte
Valor Econômico
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