NotíciasPapel Marrom

Klabin capta US$ 500 milhões por meio de bônus sustentável

Trata-se do menor custo da história da companhia para um título de dívida internacional com prazo de dez anos

A Klabin, maior fabricante brasileira de papéis para embalagem e de embalagens de papelão ondulado, angariou US$ 500 milhões em um bônus atrelado a metas sustentáveis. O rendimento (“yield”) e o cupom são de 3,20% ao ano. Trata-se do menor custo da história da companhia para um título de dívida internacional com prazo de dez anos. A demanda também foi alta: 10,4 vezes o volume captado, isto é, havia compradores para uma operação superior a US$ 5 bilhões.

O diretor financeiro e de relações com investidores da Klabin, Marcos Paulo Conde Ivo, explica que esse também foi o menor yield da história no grupo de empresas brasileiras privadas de mesmo rating. “Se olharmos todas as empresas privadas brasileiras, incluindo as de grau de investimento [a Klabin está uma nota abaixo desse patamar], essa seria a segunda operação mais barata em termos de yield da história”, afirma.

O bônus só perde para o conquistado por outra gigante do setor de celulose, a Suzano, classificada com o selo “grau de investimento”, que em novembro, concluiu a reabertura de um bônus para 2031, por meio do qual captou mais US$ 500 milhões. A taxa foi a menor já paga por uma empresa brasileira para um papel internacional de dez anos, de 3,10%. Em setembro, na emissão original desse papel, a Suzano havia levantado US$ 750 milhões, com yield de 3,9%.

 

O sustainable-linked bond da Klabin estabelece três metas, com pesos diferentes, que devem ser cumpridas até 2025. “Uma delas é reduzir o consumo de água por tonelada de produto produzido, a outra é aumentar o percentual de reuso e reciclagem e a terceira, a reintrodução de duas espécies extintas ou ameaçadas nos biomas onde os processos da Klabin estão inseridos”, afirma Ivo.

Se a Klabin falhar nesses objetivos, terá de desembolsar um prêmio extra aos detentores dos títulos. Segundo o gerente de tesouraria da companhia, Gustavo Rocha Garcia, “cada meta tem um peso, a primária é a de redução de consumo de água”. No total, se as três metas não forem atingidas, o título pode sofrer um acréscimo de 0,25 ponto percentual, ou seja, ficará em 3,45% ao ano.

O resultado deve incentivar a Klabin a preservar o apelo da sustentabilidade atrelado a novas emissões. “Independentemente das captações, já temos metas claras de sustentabilidade a serem atingidas até 2030, por isso é de se esperar que as próximas operações da Klabin também tenham a pegada verde no componente da emissão”, conclui Ivo.

Fonte
Valor EconômicoBP Money
Mostrar mais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo