Escassez de profissionais técnicos coloca formação e retenção no centro da produtividade industrial
Painel do TMD26, da Tractian, destacou iniciativas de capacitação, desenvolvimento de lideranças e participação das equipes na adoção de novas tecnologias
A dificuldade de atrair e reter profissionais de manutenção, engenharia e processos representa um desafio para a indústria, com impactos que vão além do preenchimento de vagas. A perda de conhecimento técnico pode ampliar o tempo de aprendizado, elevar o risco de falhas e comprometer iniciativas de melhoria e produtividade nas operações industriais.
O tema foi discutido no painel “Cultura de Inovação: Como Atrair e Reter Mão de Obra Operacional e Técnica para a Indústria”, realizado durante o TMD26, evento promovido pela Tractian em outubro. Na ocasião, representantes da indústria compartilharam experiências de capacitação, desenvolvimento profissional e estratégias para fortalecer a retenção de talentos.
A discussão também reflete desafios já identificados no setor de papel tissue. Durante o Tissue Summit Brasil 2026, executivos abordaram a escassez de profissionais técnicos e a necessidade de desenvolver e reter talentos para sustentar as operações industriais. O tema já havia sido aprofundado pelo Tissue Online na reportagem “Desafios, tendências e estratégias para atrair e reter profissionais para a indústria de tissue”, que reuniu perspectivas sobre os principais obstáculos e caminhos para enfrentar essa questão no setor.
FORMAÇÃO INTERNA COMO ALTERNATIVA
Entre as experiências apresentadas no TMD26, uma delas envolveu a transformação de um programa de jovens aprendizes em uma trilha de formação técnica. A iniciativa reuniu 20 participantes, que desenvolveram projetos e tiveram contato direto com os equipamentos industriais. Segundo o relato apresentado no painel, todos foram aproveitados profissionalmente, seja pela própria empresa, seja por outras organizações. O resultado foi apresentado como experiência do programa, não como indicador auditado.
Outro caso demonstrou as dificuldades de depender exclusivamente da contratação externa. Após uma experiência de aprendizagem em parceria com uma instituição de ensino, na qual apenas uma das 17 pessoas concluiu o percurso relatado, a empresa passou a priorizar a formação interna.
A iniciativa incluiu 24 qualificações de soldadores, associadas a uma trilha de evolução profissional e salarial vinculada ao desenvolvimento de competências e ao cumprimento de metas.
As experiências reforçam a importância de estruturar programas contínuos de capacitação, criando caminhos para desenvolver profissionais dentro das próprias operações e reduzir a dependência de um mercado de trabalho com oferta limitada de determinadas especialidades.
TECNOLOGIA DEPENDE DE PROFISSIONAIS PREPARADOS
A adoção de inteligência artificial e automação também esteve entre os assuntos discutidos no TMD26. Uma das experiências apresentadas envolveu encontros periódicos com representantes das áreas operacionais para identificar oportunidades de automatização e envolver os profissionais na construção de soluções.
A abordagem evidencia que a transformação digital não depende apenas da aquisição de tecnologias. A participação das equipes é importante para identificar necessidades reais da operação, compreender os recursos disponíveis e transformar dados em decisões que contribuam para o desempenho industrial.
Na indústria de tissue, essa relação pode ser observada em aplicações como sensores, manutenção preditiva, monitoramento de indicadores e análise de desvios de processo. Em operações que dependem de equipamentos de alta complexidade e disponibilidade, o conhecimento dos profissionais que atuam diretamente nas máquinas também é fundamental para aproveitar os recursos tecnológicos.
RETENÇÃO E LIDERANÇA NA AGENDA INDUSTRIAL
Além da qualificação técnica, o painel destacou a importância de preparar lideranças para trabalhar com diferentes gerações, estabelecer trajetórias profissionais e ampliar a participação dos colaboradores nas decisões.
Entre os pontos discutidos estiveram programas recorrentes de desenvolvimento de gestores, oportunidades de crescimento e condições de trabalho como fatores relacionados à retenção. As experiências também abordaram a presença de mulheres em posições de liderança industrial e os desafios de conciliar carreira e maternidade.
Para os fabricantes de papel tissue, essas questões se conectam diretamente à necessidade de manter equipes qualificadas e preservar o conhecimento acumulado nas operações. A saída de profissionais experientes pode representar a perda de conhecimentos sobre equipamentos, ajustes de processo e resolução de problemas que nem sempre estão documentados.
Nesse contexto, a formação de sucessores, o compartilhamento de conhecimento operacional e a construção de perspectivas de carreira passam a integrar a estratégia de produtividade e competitividade das empresas.
A discussão reforça um dos princípios da Indústria 5.0, tema central do Tissue Summit Brasil 2026: a integração entre tecnologia e pessoas. Mais do que modernizar equipamentos e ampliar a automação, o desafio da indústria está em preparar profissionais para operar, interpretar e aproveitar as novas ferramentas, transformando investimentos tecnológicos em resultados consistentes.


















