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Ibema passa por reorganização e lança nova estratégia

Atualmente, a empresa visa ao mercado nacional de embalagem, e não mais apenas ao negócio de papel

A Ibema, terceira maior fabricante brasileira de papel cartão, que em 2020, celebra 65 anos, passou por ampla reorganização. A empresa, que tem a Suzano como acionista relevante, passou por diversas mudanças nos últimos três anos: trocou o comando, zerou a alavancagem financeira, cortou custos e modernizou as operações fabris. Atualmente, concretiza uma nova estratégia, visando ao mercado nacional de embalagem, e não mais apenas ao negócio de papel, e à tendência ecológica de substituição do plástico. Dentre as novas aspirações da empresa, estão tornar-se propriamente uma fornecedora de embalagens e crescer por meio de aquisições.

O presidente da companhia, Nilton Saraiva, após apresentar ao mercado o novo posicionamento da Ibema, em uma “live” com mais de 400 inscritos, comentou: “Olhamos para a frente e enxergamos novas oportunidades. Algo que nos limitava era nos considerarmos apenas como fabricante de papel cartão”.

Saraiva assumiu o comando da Ibema em abril de 2017, um ano após a Suzano ter assumido 49,9% da empresa, mediante aporte de capital de R$ 8 milhões e transferência da fábrica de cartões de Embu (SP). O executivo esteve à frente desse processo de transformação. As famílias fundadoras (Nápoli, Gomes e Maia) permanecem na composição acionária, por meio da Ibemapar, que detém a fatia de 50,1%.

Ele explica que a chegada da Suzano trouxe mudanças importantes de gestão, com ganhos de governança, eficiência e escala. A Ibema, com duas fábricas, uma em Turvo (PR) e outra em Embu, subiu sua capacidade de produção para 140 mil toneladas anuais. Sua sede administrativa fica em Curitiba e o centro de distribuição, em Araucária (PR).

Durante esse período, praticamente todos os investimentos foram direcionados ao aumento de produtividade, e à execução de projetos que possibilitassem rápido retorno de capital, de modo a alavancar o resultado operacional. Uma das grandes fabricantes de pasta mecânica (matéria-prima do papel cartão) no país, a Ibema ainda passou por maior verticalização da operação industrial, com aumento do consumo de pasta própria.

Simultaneamente, renegociou os passivos – o tamanho da dívida reestruturada não foi revelado – e zerou a alavancagem financeira, que antes, estava em seis vezes. O executivo explica que esse indicador foi beneficiado tanto pela melhora do numerador (dívida líquida) quanto do denominador (Ebitda em 12 meses). Em 2019, a receita líquida ficou em R$ 560 milhões. O quadro de colaboradores, que chegou a 1 mil, foi reduzido em 15% e, hoje, é composto por 800 funcionários.

Com a reorganização, a empresa pôde se debruçar na estratégia do negócio. “Estamos nos colocando como uma empresa de embalagens, embora ainda não sejamos. Vamos ajudar nossos clientes a desenvolver sua embalagem, especialmente na substituição do plástico”, ponderou o executivo. Para atingir a meta, a Ibema dobrou o número de profissionais na área de pesquisa e desenvolvimento, a fim de auxiliar os clientes também na adaptação de suas linhas de produção às novas embalagens.

No mercado nacional, os principais concorrentes da Ibema são a Klabin e a própria Suzano, além da Papirus, com quem “ensaiou” uma fusão em 2012. Além da substituição do plástico, uma demanda cada vez mais frequente de seus consumidores, a empresa aposta em produtos customizados para driblar a escala das duas líderes e se consolidar em determinados nichos do mercado. Hoje, cerca de 30% a 35% de sua capacidade produtiva é destinada à exportação.

O novo posicionamento incluiu a modernização da logomarca e a ampliação do portfólio de produtos, reforçando a ambição da Ibema de ir além da concorrência no segmento de papel cartão, informa o diretor comercial Júlio Guimarães, que veio dos quadros da Suzano para reforçar a gestão da Ibema. A proposta é utilizar duas fortalezas identificadas no negócio: ter um produto de florestas plantadas, portanto, fonte renovável, e usar um elevado teor de material reciclado, viabilizando a migração do plástico para o papel nas embalagens usadas pela indústria de bens de consumo.

A Ibema pretende avançar, sobretudo, nos segmentos de alimentos, higiene pessoal e limpeza, mas também vê oportunidades em bebidas e, mais recentemente, em delivery e no comércio eletrônico. Guimarães diz que, com o avanço do e-commerce, a embalagem deixa de servir apenas para o transporte do produto e se transforma em um canal de identidade da marca.

O executivo entrega que a pandemia do coronavírus afetou, principalmente, as vendas distribuição, mercado em que a Ibema é líder nacional, com participação de 40%. Nos últimos dois meses, ocorreu forte recuperação e a demanda superou os níveis pré-pandêmicos, alavancada pela recomposição de estoques. A procura aquecida dez com que a companhia ampliasse prazos de serviço, mas deve haver uma normalização ainda neste ano, quando as receitas devem subir 10%.

Fonte
Valor Econômico
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