A Eldorado Brasil, comandada pela J&F Investimentos, quitou antecipadamente a dívida do único financiamento ativo do grupo com o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES). Com isso, o caminho para a Paper Excellence (PE) assumir o controle da produtora de celulose aguarda apenas o fim do processo do pedido de anulação de arbitragem feito pela holding dos irmãos Batista.
O empréstimo feito com o BNDES foi de R$ 3 bilhões, rendendo R$ 2 bilhões de juros, e financiou parte da fábrica e das florestas da Eldorado no Mato Grosso do Sul. O vencimento era para 2022. Agora, resta apenas um compromisso financeiro da Eldorado, junto ao Banco do Brasil, no valor de R$ 500 mil.
Com isso, o BNDES deixou de ser credor do grupo e sua única relação com a J&F é como acionista minoritário de sua empresa de alimentos JBS, com participação de 23%.
Apesar de o pagamento facilitar o processo, a disputa entre a J&F e a PE pode estar longe de um desfecho. Segundo o Valor Econômico, há disposição de ambos os lados de recorrer à uma sentença desfavorável na primeira instância, que pode ser proferida nas próximas semanas.
O caso da briga pela Eldorado se desenrola há mais de três anos. A arbitragem proferiu uma decisão unânime a favor da PE, em março, permitindo a aquisição e o controle da companhia, segundo contrato de compra e venda feito em 2017. Porém, a J&F recorreu à Justiça, pedindo anulação e conseguindo suspender a transferência até o julgamento do mérito.
O valor referente às ações e que deve ser pago à holding dos irmãos Batista estão depositados em juízo, sendo estimado um total entre R$ 4,5 bilhões a R$ 4,7 bilhões.
Enquanto as empresas travavam uma batalha judicial, a companhia reduziu gradativamente seu endividamento. O valor total atribuído na transação da Eldorado é de R$ 15 bilhões com dívidas.


















