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Celulose Notícias

Ampliação da Celulose Riograndense traz novos moradores e impulsiona negócios em Guaíba

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Investimento de R$ 5 bilhões toma forma e mexe com a economia e o orgulho da cidade

Depois de um namoro que não acabou bem quando a Ford foi embora para a Bahia, Guaíba sente mais uma vez o coração bater forte. Ao anunciar projeto de R$ 5 bilhões em 2012 – o maior investimento privado na história do Estado –, a Celulose Riograndense selou um casamento com a cidade.

O início da união é igual ao de um casal apaixonado. A ampliação da fábrica avança em ritmo acelerado, e os moradores sentem os efeitos do progresso econômico. Desde agosto, R$ 1 bilhão já foram investidos e 35% da obra realizada.

A chegada de dezenas de empresas ao município para prestar serviços à Celulose Riograndense trouxe milhares de novos moradores e impulsionou negócios. Atualmente, são 4 mil trabalhadores atuando no projeto, metade do previsto para maio, quando a obra estiver no auge. Levantamento da prefeitura estima que até 2025 a população do município, hoje em torno de 100 mil pessoas, irá dobrar.

Com apenas um hotel, Guaíba não tinha estrutura para receber tantos forasteiros. De olho na oportunidade, dois empresários investiram R$ 500 mil na construção da pousada Castelo das Palmeiras, com 120 lugares. Inaugurada em dezembro, fica a dois quilômetros das obras de ampliação da fábrica. O contrato para a ocupação dos quartos é fechado direto com as empresas terceirizadas que prestam serviços à celulose.

– Temos inquilinos de São Paulo, Espírito Santo e Bahia. Assinamos um contrato de seis meses, ampliado agora para 12 meses – comemora Clóvis Roberto Carvalho de Souza, o Chechéu, que administra o local.

A pouco mais de 200 metros da pousada, a comerciante Mirtes Frozza também celebra o dinamismo econômico da cidade. Proprietária de um mercado no bairro Moradas da Colina, ela conta que precisou contratar mais seis funcionários. A chegada de novos fregueses – muitos com sotaques diferentes – incentivou a microempresária a ampliar a loja, que passou de 300 para 480 metros quadrados.

– Quem é de fora leva praticamente as mesmas coisas que as pessoas que já moravam na cidade. Mas há diferenças. Os baianos costumam comprar menos carne, por exemplo – relata Mirtes.

Ainda há vagas

A ideia era utilizar mão de obra local para erguer a fábrica. Mas o mercado de trabalho aquecido e a falta de profissionais disponíveis na construção civil obrigaram a empresa a importar trabalhadores de outros Estados. Mais operários devem chegar de fora para a próxima fase da ampliação, a montagem. O motivo é a necessidade de mão de obra qualificada para execução de tarefas específicas.

À frente do projeto, o engenheiro mecânico Carlos Pastrana, que atua como gerente-geral na Celulose Riograndense, também é um sotaque diferente na cidade. O paulista era o responsável pela ampliação da fábrica em 2009, quando a Aracruz, então dona da indústria, passou por problemas financeiros e precisou paralisar o projeto. Há sete meses de volta à cidade, enfrenta os dias quentes para concluir o empreendimento que ele mesmo começou.

– Procuramos causar o menor impacto possível. Estamos sempre dispostos a ouvir a comunidade. Seja por algo relacionado à nossa empresa, seja com algo vinculado a uma terceirizada – diz Pastrana.

Foi a chegada das empresas que obrigou o empresário Paulo Varella Nunes, dono de uma livraria no Centro, a contratar mais oito funcionários e direcionar a gerente da loja, Daniela de Cássia, apenas para atender os novos clientes. A empresa de Varella foi contratada pela celulose e por pelo menos 20 empresas, que estão prestando serviços para a indústria, para fornecer material de escritório e informática. Com a ajuda da filha Fernanda Varella Dias, o empresário se empenha para dar conta do aumento no volume de negócios:

– Nosso faturamento aumentou 40% e a expectativa é de que cresça ainda mais. Devemos contratar novos funcionários assim que a fábrica for crescendo.

Ímã para empreendimentos
Além da ampliação da fábrica de celulose, Guaíba aguarda a chegada de novos investimentos na área de energia eólica, montagem de veículos e fábrica de elevadores. Confira

Foton: os chineses devem começar em março as obras de uma fábrica de caminhões na cidade. O investimento previsto é de R$ 250 milhões.

Engebasa: aplicará R$ 100 milhões na construção de torres para a instalação de cata-ventos de energia eólica.

Impsa: os argentinos, que fabricam aerogeradores, também investirão R$ 100 milhões em projeto no município.

GFKO: a empresa russa, que atua no setor de logística, quer aplicar R$ 60 milhões.

Mitsbubishi: a companhia japonesa anunciou na quarta-feira investimento de R$ 20 milhões para a fabricação de elevadores passar de cem unidades para 250 por mês. Devem ser abertas 200 vagas até 2015.

Toyota: a montadora japonesa vai ampliar o centro de distribuição de automóveis que tem na cidade. O valor investido é R$ 1,6 milhão.

Preço dos imóveis dispara

O aumento do número de leitos, com a ampliação do único hotel de Guaíba e a abertura de uma pousada, não foi suficiente para abrigar todos que chegam à cidade para trabalhar. Por isso, empresas passaram a alugar casas com dois, três ou quatro dormitórios. Com o aumento da procura, o mercado imobiliário deu um salto. O custo para alugar uma quitinete, com 40 metros quadrados, antes de R$ 350 por mês, não sai por menos de R$ 1 mil hoje.

Casas com 70 m² pularam de R$ 600 para R$ 2 mil por mês. Apartamentos de 180 m² ficam por R$ 6,5 mil. Valores altos mesmo em comparação com os da Capital.

– Com o mercado aquecido, tem gente colocando a casa para alugar e indo morar de aluguel em Porto Alegre – conta o corretor de imóveis Cláudio Dornelles.

Com mais de 20 anos de experiência, o corretor diz agora ter encontrado um grande filão de negócios: atuar em cidades que receberão grandes fábricas. Em breve vai abrir uma filial em Telêmaco Borba (PR), onde a Klabin, também da área da celulose, fará investimento de R$ 7 bilhões.

– A comissão do corretor que antes era de 10% agora é de 20% – não esconde Dornelles, que pretende comprar um carro novo e diz faturar hoje mais que o dobro de seis meses atrás.

O cargo que o funcionário ocupa na empresa determina o perfil do imóvel alugado. Executivos optam por alugar casas mobiliadas. Para receber trabalhadores com funções mais modestas, a preferência é por imóveis vazios.

Edgar Dias Lopes, dono de uma loja de móveis, é quem fornece mobília para grande parte dos forasteiros. O volume de vendas aumentou 40% nos últimos meses, e a opção é por mobília simples.

– O que mais tenho vendido é beliche, colchão, roupeiro e fogão – diz Lopes, que também alugou uma casa para um grupo de trabalhadores de Minas Gerais que chegou à cidade recentemente.

Guindastes no horizonte

Ampliar uma fábrica como a Celulose Riograndense já seria uma tarefa complicada por si só dada as dimensões gigantescas da área ocupada, o equivalente a quase 42 campos de futebol. Em Guaíba, porém, o desafio é maior. Enquanto indústrias de mesmo porte geralmente ficam localizadas em distritos industriais afastados, a empresa de celulose está situada dentro da cidade.

A execução do projeto mudou a paisagem. Estradas foram fechadas, outras, abertas. Ruas de chão batido e casas antigas deram lugar a uma avenida asfaltada.

Cláudio Carmona é gerente de um posto de gasolina localizado na nova estrada. Inaugurado em janeiro, o empreendimento quer ganhar com o grande movimento de carros que agora circula pela região.

– Quem antes passava pela frente da fábrica agora precisa transitar por aqui. O movimento está muito bom – relata.

A cidade, que tem uma linha do horizonte com nenhum prédio acima de 10 andares, também revela novas paisagens nas alturas. Mais de 20 guindastes ocupam a área de obras e podem ser vistos a longas distâncias. Nas próximas semanas, Guaíba também deve ganhar uma nova chaminé, símbolo das diversas empresas de celulose que passaram pela cidade desde a década de 70. A nova torre, que começou a ser construída recentemente, deve ter 160 metros. A velocidade com que é erguida, três metros por dia, impressiona tanto quanto o vigor econômico que o município tem conquistado nos últimos meses.

Zero Hora.