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Celulose Notícias

A Celulose Riograndense iniciou no domingo a operação de sua nova planta industrial de Guaíba.

A Celulose Riograndense, iniciou no domingo, 3 de maio, às 19 horas, a operação de sua nova planta industrial de Guaíba.

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A capacidade de produção foi ampliada de 450 mil toneladas/ano para 1,8 milhões de toneladas/ano de celulose de eucalipto, usada para fabricar papel higiênico e lenços descartáveis, principalmente.

O investimento final foi estimado em US$ 2,2 bilhões (mais de 6 bilhões de reais) pelo presidente Walter Lídio Nunes, engenheiro mecânico gaúcho que cumpriu toda sua trajetória profissional na indústria brasileira de celulose.

Estagiário da primeira fábrica guaibense nos anos 1970, quando estudava na PUC de Porto Alegre, Nunes fez a maior parte de sua carreira na Aracruz Celulose, no Espírito Santo, mas nos últimos dez anos envolveu-se profundamente com o redesenho da ex-Borregaard, a indústria que mais motivação deu ao movimento ambiental brasileiro, liderado por José Lutzenberger (1927-2002).

Fechada duas vezes por poluir quando pertencia aos investidores originais vindos da Noruega com incentivos fiscais do governo militar, a indústria de Guaíba mudou de dono oito de vezes até cair na mão do grupo chileno Matte, logo após a crise financeira mundial de 2008.

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Além de dar andamento ao projeto de quadruplicação pilotado por Nunes a serviço da Aracruz e, em seguida, da Fibria, os chilenos mostraram-se sensíveis ao modo gaúcho de ser, tanto que mandaram trocar o nome inicial da empresa – de Celulose do Brasil para Celulose Riograndense.

Para Nunes, era um sinal de que ele mesmo, com todo seu know how, tinha carta branca para tocar o que acabou sendo o maior projeto de sua vida.

“Esta é a quinta fábrica que eu ajudo a construir, mas as inovações que implantamos aqui só existem em cinco ou seis plantas do mundo”, diz ele.

Por exemplo, o tratamento da água passa por três estágios, enquanto na maior parte das fábricas de celulose só existem dois estágios.

Com a tecnologia empregada no manejo da água, a Celulose Riograndense vai produzir quatro vezes mais gastando 40% menos água do que antes.

No campo crítico dos gases, foram gastos US$ 40 milhões de dólares extras para evitar o risco da liberação do fedor que provocou a revolta dos gaúchos em 1972.

E mais, a fábrica promete uma reciclagem de 99,7% dos resíduos sólidos.

A partir de 2016, a empresa deve faturar cerca de US$ 1 bilhão por ano, admitindo-se que o preço de tabela da celulose esteja acima de US$ 600 por tonelada.

Atualmente, está acima de US$ 700.

“LICENÇA SOCIAL” FOI O MAIOR DESAFIO

O maior desafio da nova planta de Guaíba não foi técnico nem financeiro, mas socioambiental. “Nós fizemos mais de 500 reuniões para obter a licença social para implantar o projeto, que fica dentro da cidade”, conta Nunes.

“Licença social” é o termo usado pelo engenheiro Nunes para expressar a busca de um acordo operacional com a comunidade, as autoridades, os fornecedores e os trabalhadores. “Sem um dia sequer de greve”, salienta o chefão – trabalharam na obra 9.700 pessoas, parte das quais ainda continuam dando os acabamentos finais em pisos, jardinagem e outros detalhes secundários.

Na operação da fábrica devem trabalhar 3 mil pessoas, incluindo a parte florestal e de transporte de matéria-prima. A logística de abastecimento continuará sendo predominantemente rodoviária, mas a partir de 2016, quando a fábrica estiver em plena carga, as barcaças transportadoras de celulose para o porto de Rio Grande voltarão carregadas de toras de madeira embarcadas no porto de Pelotas, que está sendo adaptado para atender á Celulose Riograndense.

Walter Lídio Nunes - CMPC

Walter Lídio Nunes – CMPC

O transporte lacustre de madeira adquirida nos eucaliptais do extinto projeto da Votorantim/Fibria na zona sul do Estado deverá responder por 30% das necessidades da indústria, que tem base florestal própria nos eixos da BR-290 e da BR-116.

A concretização do projeto da Aracruz provoca um impacto de 1,1% no Produto Interno Bruto do Rio Grande do Sul, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas. Quando alcançar a plenitude operacional, dentro de seis meses – “tentaremos fazer a curva do aprendizado em menos tempo do que a média mundial”, diz Nunes – a indústria de Guaíba produzirá mais do que as três fábricas do grupo Matte existentes no Chile.

jornalja.com.br