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Empresas buscam múltiplas inteligências na liderança

Avanço da inteligência artificial e maior complexidade dos negócios levam companhias a rever critérios e ampliar competências exigidas de líderes

A aceleração tecnológica e o avanço da inteligência artificial estão redefinindo o que se espera de líderes no ambiente corporativo. Em um cenário marcado por decisões mais rápidas, maior instabilidade e pressão por resultados, empresas começam a revisar um modelo historicamente baseado em desempenho técnico e passam a buscar uma combinação mais ampla de capacidades.

Relatórios de consultorias como McKinsey & Company e Gartner já apontam o aumento da complexidade organizacional e seu impacto direto na qualidade das decisões.

Ao mesmo tempo, a automação de tarefas analíticas desloca o diferencial competitivo para a forma como líderes interpretam cenários, lidam com pessoas e constroem influência dentro das organizações. Na prática, esse movimento amplia o escopo de competências e reforça a necessidade de integrar diferentes inteligências no dia a dia da liderança.

Para Aline Kummer, CEO e fundadora da Escola de Super Humanos, esse processo representa uma mudança estrutural. “O ambiente de negócios ficou mais complexo do que o modelo de liderança que ainda predomina em muitas empresas. Não é mais suficiente tomar boas decisões do ponto de vista técnico. O líder precisa interpretar contexto, lidar com ambiguidade, influenciar pessoas e sustentar consistência emocional ao mesmo tempo”, afirma.

 

Segundo a executiva, ganha espaço uma abordagem mais integrada de capacidades, que inclui inteligência intelectual, emocional e social, além de competências relacionadas à influência, habilidades do futuro e as habilidades da alma. “O erro das empresas foi tratar essas competências como complementares, quando na verdade elas são estruturais para a tomada de decisão. Liderança hoje envolve múltiplas inteligências operando simultaneamente”, diz.

Esse reposicionamento já aparece em processos de avaliação e desenvolvimento dentro das organizações. Áreas de recursos humanos passam a incorporar critérios mais sofisticados na análise de lideranças, considerando não apenas entregas, mas também capacidade de articulação, gestão de pressão e construção de reputação interna.

Com o avanço da inteligência artificial, a tendência é de aceleração desse movimento. À medida que sistemas assumem tarefas técnicas, o papel humano se concentra em dimensões menos automatizáveis, como julgamento, sensibilidade relacional e capacidade de adaptação a cenários novos. “Quanto mais a tecnologia avança, mais evidente fica o limite do que é puramente técnico. O diferencial passa a ser a qualidade da leitura humana sobre situações complexas. É isso que sustenta decisões melhores e organizações mais consistentes no longo prazo”, conclui Aline Kummer.

Fonte
Doiscês
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