Inovação: a única saída para escapar da guerra de preços no mercado tissue
Por Dineo Silverio, colunista do Tissue Online, especialista em conversão de tissue com mais de 32 anos de experiência
Em um setor cada vez mais competitivo, o mercado de papel tissue – especialmente nas categorias de papel higiênico e toalhas de cozinha – enfrenta um fenômeno bem conhecido: a comoditização. Na gôndola do supermercado, onde o consumidor toma sua decisão em poucos segundos, as marcas disputam centavos, e produtos que deveriam se diferenciar por qualidade, maciez ou sustentabilidade acabam sendo reduzidos a um simples número – o preço por rolo.
Essa realidade impõe um desafio estratégico: como manter margens saudáveis e valor percebido em um produto essencial, mas altamente substituível? A resposta, segundo especialistas e líderes do setor, está na inovação constante, em todas as etapas – da tecnologia de produção à experiência do consumidor.
O PREÇO QUE NÃO MUDA E O CUSTO QUE SÓ CRESCE
No Brasil, esse desafio é ainda mais evidente. O preço médio do papel higiênico está praticamente estagnado há mais de uma década, mesmo diante do aumento expressivo nos custos de energia, logística e matéria-prima.
O resultado é um cenário de margens comprimidas e baixa capacidade de reinvestimento, o que reforça a necessidade de buscar alternativas inovadoras para manter a rentabilidade e o posicionamento competitivo.
QUANDO O PRODUTO SE TORNA UMA COMMODITY
A comoditização ocorre quando os produtos perdem diferenciação percebida. No caso do tissue, isso se acentua pela padronização dos formatos e pela semelhança visual nas gôndolas. Promoções e embalagens econômicas acabam dominando o espaço, forçando os fabricantes a competirem quase exclusivamente por preço. O resultado é conhecido: erosão de margens, pressão sobre custos produtivos e redução da capacidade de investimento em inovação – um ciclo difícil de quebrar.
INOVAR NÃO É OPCIONAL: É QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA
A inovação, porém, vai muito além de criar novos padrões de gofrado ou melhorar o perfume do produto. Ela se manifesta em novas tecnologias de conversão e transformação de fibras, melhor aproveitamento de energia e insumos, redução de impacto ambiental e novas experiências de consumo.
Empresas que apostam em tecnologias avançadas – como processos que entregam toalhas mais absorventes com menor gramatura, papéis mais macios sem comprometer a resistência, ou linhas de produção mais sustentáveis e flexíveis – conseguem se destacar não apenas no preço, mas no valor agregado percebido pelo consumidor e pelo varejista.
O PAPEL DA INDÚSTRIA 4.0 NO TISSUE
A digitalização da indústria – com sensores inteligentes, automação avançada e análise de dados em tempo real – vem transformando a maneira como as fábricas de tissue operam. A Indústria 4.0 permite ajustes finos de processo, redução de desperdícios e maior eficiência energética, criando ganhos de produtividade que sustentam a competitividade mesmo em mercados pressionados.
Mas há outro aspecto igualmente relevante: a velocidade e eficiência nas trocas de produção. Em um cenário de margens estreitas, a capacidade de realizar changeovers rápidos e precisos entre diferentes tipos de produtos, gramaturas ou embalagens é fundamental para otimizar o uso das máquinas e reduzir paradas improdutivas. Essa agilidade na conversão representa um ganho direto na rentabilidade interna do negócio, ajudando a equilibrar as margens dentro da fábrica, e não apenas na venda final – onde os preços permanecem estagnados.
Empresas que investem em tecnologia e automação para tornar essas trocas mais inteligentes conseguem aumentar o aproveitamento de suas linhas, reduzir custos ocultos e ampliar sua flexibilidade produtiva, respondendo de forma mais rápida às demandas do mercado e do varejo.
CONCLUSÃO
Num mercado onde o papel higiênico e a toalha de cozinha muitas vezes parecem “todos iguais”, apenas a inovação consegue romper o ciclo da comoditização. Investir em tecnologia, diferenciação e valor percebido é mais do que uma escolha estratégica – é uma condição de sobrevivência e crescimento em um ambiente de margens apertadas e consumidores exigentes.
O futuro do setor tissue não pertence a quem vende mais barato, mas a quem cria mais valor – dentro e fora da fábrica.

















