Suzano pretende continuar crescendo no mercado de papel tissue
A companhia acredita que há espaço importante para expansão da demanda de tissue no Brasil, dado o baixo índice de consumo per capita em relação a outros mercados
Maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, a Suzano planeja seguir crescendo no mercado de papéis tissue, segundo o diretor de bens de consumo e relações corporativas Luís Bueno. “A Suzano pode crescer com bons projetos orgânicos ou pode crescer com aquisições regionais”, afirmou, durante o Suzano Day.
Conforme o executivo, há espaço importante para expansão da demanda de tissue no Brasil, dado o baixo índice de consumo per capita em relação a outros mercados. No ano passado, a companhia operou a 100% da capacidade instalada nesse segmento para atender a demanda.
A Suzano entrou no mercado de tissue em 2018, com foco inicial no Norte e Nordeste, onde já é líder com participação de 66% e 28%, respectivamente. Após avançar sobre o Centro-Oeste e Sudeste, encerrou 2021 como a terceira maior fabricante nesse mercado, com fatia de 11,2%.
Impulsionada por esse segmento e pelos mercados de embalagens e papéis especiais, a demanda global de celulose de fibra curta seguirá avançando nos próximos anos, segundo o diretor de comercial celulose e gente e gestão da companhia.
A Suzano estima que o consumo global de fibra curta crescerá, organicamente, 4,7 milhões de toneladas nos próximos cinco anos, chegando a 41,1 milhões de toneladas em 2026. Mas a percepção, conforme explicou o executivo, é que esse acréscimo pode ser maior se consideradas duas grandes tendências, de substituição de outras fibras por fibra curta e a migração do plástico para materiais de fonte renovável, elevando a 43,1 milhões de toneladas o consumo potencial da matéria-prima em 2026.
Do lado da oferta, considerando-se os projetos já anunciados, a adição de capacidade, líquida de fechamentos e conversões, pode alcançar 6,9 milhões de toneladas no mesmo período.
NOVOS MERCADOS MOVIMENTAM US$ 115 BILHÕES
A Suzano segue firme em seu projeto de transformação rumo à bioeconomia. Em quatro frentes – têxtil, carbono, bio-óleo e celulose microfibrilada (MFC) –, a companhia brasileira tem no radar novos mercados que, juntos, movimentam US$ 115 bilhões e tendem a crescer com o avanço da agenda de descarbonização em todo o mundo.
“Vamos continuar entregando resultados no curto prazo. Mas temos de olhar para o futuro, pensar em como vamos operar para transformar a empresa e a sociedade”, afirmou o presidente da empresa, Walter Schalka.
Alguns dos novos negócios estão em vias de se tornar operacionais. A companhia já submeteu para certificação 7,5 milhões de toneladas de carbono equivalente – de um total de 30 milhões de toneladas que poderão ser exploradas – e esses créditos serão comercializados no mercado voluntário, disse o diretor de Novos Negócios, Estratégia, TI, Digital e Comunicação da Suzano, Christian Orglmeister.
Além disso, a primeira fábrica de fibras têxteis a partir de celulose microfibrilada em parceria com a finlandesa Spinnova começa a produzir no fim do ano – somente esse mercado está estimado em US$ 70 bilhões.
Na base dos negócios, a Suzano segue investindo em ampliação de capacidade e redução de custos. Conforme o diretor de finanças, relações com investidores e jurídico, Marcelo Bacci, a companhia vai incrementar a geração de caixa livre em R$ 2,3 bilhões ao ano mediante a redução dos desembolsos operacionais para R$ 1,5 mil por tonelada de celulose até 2027, ante R$ 1,669 mil por tonelada no ano passado.
O Projeto Cerrado, que prevê a instalação de uma fábrica de celulose com capacidade produtiva de 2,55 milhões de toneladas por ano em Ribas do Rio Pardo (MS), contribuirá para esses ganhos, uma vez que terá o menor custo caixa de produção do mundo. “O projeto terá elevada eficiência energética, permitindo crescimento de 64% na geração de energia por tonelada produzida”, explicou o diretor operacional de celulose da Suzano, Aires Galhardo.
A Suzano está investindo, ainda, R$ 600 milhões em um projeto de melhoria da eficiência energética na fábrica de Jacareí (SP), como parte de um pacote de projetos que se refletirá em menor custo caixa de produção. Nessa unidade, a redução será de R$ 115 por tonelada.


















