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Proibição de importação de papel russo pode pressionar oferta na América Latina

Apesar da baixa participação de mercado na América Latina, participantes do mercado antecipam efeitos colaterais do conflito na Ucrânia

O mercado latino-americano de embalagens deve enfrentar pelo menos alguns efeitos colaterais da guerra na Ucrânia, disseram players do mercado à Fastmarkets.

Dados do Serviço Federal de Alfândega da Rússia compilados pela IHS Markit mostram que em 2021 a Rússia exportou cerca de 71.500 toneladas de kraftliner para a região. Esse número representa apenas 1,5% de toda a demanda latino-americana de kraftliner, mas o volume de importações da Rússia vem aumentando nos últimos dois anos em meio à falta de oferta local e à demanda crescente.

Em comparação com 2020, as exportações russas de kraftliner para a América Latina aumentaram 24,1% no ano passado, depois de crescer 67,6% entre 2019 e 2020. A Rússia também exportou cerca de 42.000 toneladas de meio reciclado, 16.000 toneladas de sack kraft e 15.000 toneladas de testliner para a América Latina em 2021.

AMÉRICA LATINA É O TERCEIRO MAIOR MERCADO DE EXPORTAÇÃO DE KRAFTLINER PARA A RÚSSIA

Combinando os volumes de exportação enviados para todos os países da América Latina, em 2021, a região foi o terceiro maior mercado de exportação de kraftliner russo, respondendo por cerca de 12% do total de exportações russas de kraftliner.

O economista da Fastmarkets para a América Latina, Rafael Barisauskas, afirmou que a guerra na Ucrânia resultou em uma reação em cadeia que agora está afetando o comércio global. Notavelmente, várias sanções impostas contra o comércio com a Rússia podem limitar as remessas desse país no futuro.

O economista comentou que esse é um problema importante para compradores menores da América Central, como o Equador. O país recebeu cerca de metade das exportações totais de kraftliner da Rússia para a América Latina em 2021, ou 34.000 toneladas. A Rússia também exportou 11,2 mil toneladas para o Chile e 6,5 mil toneladas para o Peru.

O México, o segundo maior mercado de papelão para contêineres da América Latina, recebeu 7.200 toneladas de kraftliner russo em 2021.

CUSTOS DE ENERGIA NA EUROPA PRESSIONARÃO PRODUTORES LATINO-AMERICANOS A BUSCAR FONTES NA REGIÃO

“Além disso, esperamos que as exportações de papel cartão vindos de outros países europeus para a América Latina diminuam nos próximos meses, pois os custos de produção crescentes devido aos preços mais altos da energia na Europa estão forçando os produtores a reduzir ou fechar unidades, cortando remessas para mercados offshore. Nesse contexto, entendemos que os compradores latino-americanos terão que buscar volumes na região ou nos EUA, pressionando ainda mais um mercado já apertado e desequilibrado”, acrescentou Barisauskas.

 GUERRA PODE AUMENTAR A DEMANDA DE COMPRADORES EUROPEUS DE PAPELÃO NA AMÉRICA LATINA

Os produtores latino-americanos de papelão também esperam que a guerra possa ter implicações em suas exportações. De acordo com um fornecedor do Brasil, há uma demanda crescente de compradores europeus. “Estou recebendo várias ligações de traders europeus pedindo papel”, disse a fonte.

A Fastmarkets informou que a oferta de papelão na Europa já está apertada. Por isso, fontes latino-americanas acreditam que haverá ainda mais oportunidades de exportação com a expectativa de aumento dos custos de produção na Europa devido aos efeitos da guerra nos preços da energia.

O desafio, disse outra fonte, é que os produtores brasileiros podem não ter volumes suficientes para embarcar porque a demanda doméstica está se mantendo em bons níveis.

AUMENTO DOS PREÇOS DA ENERGIA AFETARÁ A INFLAÇÃO GLOBALMENTE

Outro fator emergente da guerra é o declínio da oferta de gás natural, com a Europa – que importa cerca de 40% do seu gás natural da Rússia – particularmente afetada por essa queda. Os preços da gasolina têm subido após a invasão da Ucrânia pela Rússia, e isso teve um impacto direto na inflação em geral, entende a Fastmarkets.

“Uma inflação base mais alta pode desencadear uma inflação generalizada em diferentes cadeias de suprimentos do setor, como vimos em 2020-21 com a Covid-19”, disse Barisauskas.

O economista também observou que a incerteza global tende a aumentar a demanda por dólares americanos ou outras moedas que são vistas como mais estáveis ​​do que as dos países em desenvolvimento, resultando em depreciação de moedas, incluindo o real brasileiro.

“As taxas de câmbio provavelmente aumentarão em relação ao dólar”, afirmou Barisauskas.

Fonte
Fastmarkets
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