Por que fábricas de tissue ainda perdem dinheiro na manutenção
Gestão reativa, cortes mal planejados e perda de conhecimento técnico seguem impactando a confiabilidade dos ativos e a eficiência operacional na indústria de tissue
A eficiência operacional sempre foi um dos pilares da competitividade na indústria de papel tissue. Em um setor pressionado por custos elevados de matéria-prima, energia e logística, cada decisão operacional dentro da fábrica pode impactar diretamente os resultados. Nesse cenário, a forma como as empresas estruturam a gestão de manutenção tem papel cada vez mais relevante.
Apesar disso, ainda é comum encontrar fábricas que tratam a manutenção apenas como um centro de custo, focando prioritariamente em reduções imediatas de despesas. No entanto, especialistas do setor alertam que decisões baseadas exclusivamente no curto prazo podem gerar efeitos contrários no médio e longo prazo.
Esse foi um dos temas discutidos no Talk Tissue realizado pelo portal Tissue Online com o engenheiro Wagner Miranda de Paula, profissional com mais de três décadas de experiência na gestão de manutenção em grandes players da indústria.
MANUTENÇÃO NÃO PODE SER VISTA APENAS COMO CUSTO
De acordo com Wagner, um dos erros mais recorrentes na indústria é analisar a manutenção apenas sob a ótica da redução de custos. Nas fábricas de tissue, os três principais pacotes de custos normalmente estão relacionados à celulose, aos químicos e aos custos fixos da operação. Dentro desse último grupo está justamente a manutenção , o que faz com que ela frequentemente seja alvo de cortes quando as empresas buscam aumentar a competitividade.
O problema é que decisões rápidas, como redução de equipes, diminuição de estoques ou terceirizações mal estruturadas, podem gerar impactos operacionais importantes no futuro. Quando a manutenção perde capacidade técnica ou planejamento, o resultado costuma aparecer na forma de paradas não programadas, aumento de corretivas, gastos emergenciais e perda de eficiência produtiva. Em outras palavras, uma economia inicial pode acabar gerando um custo maior ao longo do tempo.
O RISCO DA MANUTENÇÃO REATIVA
Outro ponto destacado pelo engenheiro é que muitas empresas ainda operam em um modelo de gestão predominantemente reativo. Mesmo com investimentos em tecnologia, contratos de serviços ou ferramentas de monitoramento, diversas fábricas continuam enfrentando problemas recorrentes porque a estratégia de manutenção não está alinhada de forma estruturada.
Quando não há uma metodologia clara de gestão, as ações acabam sendo tomadas apenas quando o problema já aconteceu. Esse modelo reativo, frequentemente descrito no setor como “apagar incêndios”, tende a aumentar custos operacionais e reduzir a confiabilidade dos ativos. Para evitar esse cenário, a manutenção precisa ser planejada de forma estratégica e integrada à gestão da fábrica.
CONHECIMENTO TÉCNICO AINDA É UM DIFERENCIAL IMPORTANTE
Um aspecto muitas vezes subestimado nas decisões de gestão é o valor do conhecimento acumulado dentro das equipes de manutenção. Profissionais experientes que acompanham as máquinas há anos desenvolvem uma capacidade única de identificar sinais de falhas ou comportamentos fora do padrão. Esse tipo de percepção operacional, muitas vezes baseado em experiência prática, não é facilmente substituído.
Por isso, mudanças bruscas na estrutura das equipes ou perda de profissionais qualificados podem gerar impactos importantes na capacidade da fábrica de antecipar problemas.
METODOLOGIA E DISCIPLINA OPERACIONAL
Na visão do especialista, a evolução da manutenção industrial passa por três pilares principais. O primeiro é a adoção de uma metodologia estruturada de gestão. Modelos como TPM, excelência operacional ou outras filosofias de melhoria contínua podem cumprir esse papel, desde que aplicados com disciplina e alinhamento entre todos os níveis da organização.
O segundo pilar é a manutenção baseada em confiabilidade, que busca antecipar falhas e entender o comportamento dos ativos por meio de análises estruturadas e dados operacionais.
E o terceiro envolve uma revisão mais criteriosa das estratégias de contratação de serviços, avaliando não apenas o custo, mas principalmente o desempenho e os resultados entregues.
MANUTENÇÃO COMO PARTE DA ESTRATÉGIA INDUSTRIAL
À medida que a indústria de tissue se torna mais competitiva e tecnologicamente avançada, a manutenção passa a ter um papel cada vez mais estratégico dentro das fábricas. Mais do que evitar falhas, uma gestão bem estruturada contribui para aumentar a confiabilidade dos equipamentos, reduzir perdas operacionais e garantir maior estabilidade na produção. Empresas que conseguem integrar manutenção, operação e estratégia industrial tendem a obter ganhos consistentes de eficiência e competitividade.
Para aprofundar esses temas, o Painel de Eficiência e Manutenção, que integra a programação do Tissue Summit Brasil 2026, em 24 de março, reunirá especialistas para discutir estratégias, tecnologias e boas práticas voltadas à confiabilidade dos ativos, redução de paradas e aumento da eficiência operacional, compartilhando experiências aplicadas ao contexto real das fábricas de tissue. Uma oportunidade para ampliar conhecimento e trocar insights sobre os desafios e soluções do setor.
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