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Notícias Papel Marrom

Por que a Klabin adquiriu negócios da International Paper?

Aquisição de ativos estava em andamento desde o início do ano e mostra que o mercado de embalagens não deve sofrer com a Covid-19

A primeira aquisição anunciada em meio à crise de preço de ativos gerada pela pandemia do coronavírus, a compra dos ativos de embalagens e papel ondulado da International Paper (IP) pela Klabin, por R$ 330 milhões, nessa segunda-feira, 30, já se pagou – se reação de mercado quitasse compromissos.

negocios international paper

As units da Klabin, uma cesta com ações ordinárias e preferenciais, subiam perto de 4,6% na B3. O valor de mercado da empresa passava de R$ 16,3 bilhões para R$ 17,1 bilhões. Na prática, os investidores incorporaram quase três vezes os ativos adquiridos, em valor.

Marcos Ivo, diretor financeiro da empresa, líder na produção de embalagens de papelão ondulado no país, explicou à Exame que a negociação foi concluída agora devido ao ritmo “natural” da tran0sação, mas estava em andamento desde o início do ano passado, e que a crise não afetou os valores que vinham sendo discutidos.

A Klabin comprou 6,6% em participação na produção de papelão ondulado, concentrando agora uma fatia de 24% do mercado brasileiro, o que equivale a adicionar uma capacidade de 305.000 toneladas anuais. Apesar de ter sido negociado ao longo dos últimos meses, antes mesmo da crise global com a Covid-19, o valor é substancialmente inferior a outros negócios feitos pela empresa e também ao custo de uma unidade nova.

Aquisições feitas em 2016 saíram dentro de um intervalo de R$ 2.700 a R$ 3.000 por tonelada. Além disso, um estudo do ano passado da Pöyry, firma de consultoria e engenharia especializada no setor, indica que o custo de uma nova unidade é de R$ 3.200 por tonelada. Os ativos adquiridos saíram por R$ 1.100 a tonelada, ou seja, um terço do investimento.

SETOR DE PAPELÃO ONDULADO AQUECIDO

Após perdas sucessivas, a IP estava de saída do mercado de papelão ondulado. A americana passou a atuar nesse segmento no Brasil a partir de 2012. Agora, saiu de vez com a venda das unidades à Klabin. Recuperou, com isso, menos de 30% do valor investido aqui.

Ivo explicou que o segmento de atuação da Klabin é resiliente, inclusive para momentos como o atual, e que a decisão é uma estratégia de médio e longo prazo. Ele destacou que a Klabin produz a embalagem. “Nas crises de renda, a população reduz o tíquete das compras em busca de produtos similares mais baratos. Porém, qualquer que seja o custo [do bem], ele sempre precisa ser embalado”.

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O executivo também apontou que o sistema de entregas de produtos, o delivery tanto alimentos quanto outros tipos de bens, consome mais embalagens do que a compra direta. Ainda não se sabe quanto tempo vai durar o confinamento da população, mas as indicações são de aumento das vendas pela internet (em relação ao total) e encomendas à distância.

A Klabin afirmou, em sua apresentação sobre a transação, que o investimento é “imaterial” para sua alavancagem financeira. A companhia tinha R$ 9,7 bilhões em caixa ao fim de dezembro, para uma dívida bruta de R$ 24,1 bilhões. “Os vencimentos de 2020, 2021 e 2022 somados são de R$ 3 bilhões”, disse Ivo. Segundo ele, a empresa dispõe ainda de uma linha pré-aprovada de US$ 500 milhões, mas não precisará utilizar. “Não vimos necessidade de lançar mão de nenhuma estratégia de proteção de caixa para além do cuidado normal com os negócios”.

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A reação à transação da Klabin indica que o mercado está tentando aplicar alguma racionalidade ao momento. Apesar de a lei geral atual ser a de preservar o caixa, há quem tenha condições de investir.

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