A Inteligência Artificial e o futuro da indústria de tissue
Por Rogério Berardi, diretor de papel, embalagem e tissue da Valmet na América Latina
De acordo com o relatório da McKinsey – The state of AI in 2025 – três anos após a introdução das ferramentas de IA terem trazido à tona a nova era da inteligência artificial, quase nove em cada dez respondentes da pesquisa afirmam que suas organizações utilizam IA regularmente. Porém, como é feita essa utilização e o que podemos esperar do futuro?
O potencial da Inteligência Artifical na indústria papeleira segue crescendo, o mercado global de IA para a indústria deverá crescer, aproximadamente, 46,6% em cinco anos. Esse crescimento demonstra que a tecnologia da inteligência artificial deixou de ser uma aposta futura para se tornar uma prioridade estratégica para o setor. Muito se fala que IA pode substituir as tarefas humanas, mas a verdadeira natureza está em tornar as operações mais estáveis, eficientes e previsíveis e quem não utilizar IA para isso ‘ficará para trás’.
O que vale destacar é onde as empresas estão concentrando os seus investimentos em IA. A partir do estudo da Technavio / EMIS – Global AI in Pulp and Paper Industry Market 2025-2029, a maior fatia está na otimização de processos, responsável por 35,7% do mercado e considerada a área de crescimento mais acelerado até 2029. Isso revela uma mudança importante de mentalidade. As fábricas não estão buscando apenas automatizar atividades; estão buscando compreender melhor seus processos, reduzir variabilidades e operar o mais próximo possível das suas condições ideais de eficiência, custo e qualidade.
Na prática, isso significa utilizar algoritmos para analisar milhões de eventos operacionais, identificar padrões invisíveis ao olhar humano e recomendar ajustes capazes de melhorar rendimento, qualidade e consumo de recursos. O resultado não é apenas mais produtividade e, sim, uma operação mais robusta e eficiente. A IA surge justamente como um mecanismo para capturar esse conhecimento, transformá-lo em inteligência organizacional e disseminar as melhores práticas de forma consistente.
Com a IA, a lógica de identificar defeitos após a ocorrência começa a se inverter e o objetivo passa a ser prever desvios antes que eles aconteçam, permitindo correções preventivas, reduzindo desperdícios, retrabalho e perdas de produção. Não é sobre detectar defeitos mais rápido, mas evitar que eles ocorram. Essa talvez seja uma das mudanças mais relevantes, que ganhará força nos próximos anos dentro das operações industriais.
A próxima etapa da transformação digital vai muito além da geração de dados. A indústria já produz um enorme volume de informações diariamente. O desafio agora é conectar inteligência de processo, de produto e a tomada de decisão no timing correto em um ecossistema todo integrado.
Por isso, acredito que o debate sobre Inteligência Artificial na indústria de tissue precisa amadurecer. A pergunta não deveria ser “o que a IA pode substituir?”, mas sim “como a IA pode ajudar as empresas a gerir melhor suas operações?”.
As empresas que enxergarem a tecnologia apenas como uma ferramenta de automação correrão o risco de capturar apenas uma pequena parcela do valor disponível. Já aquelas que compreenderem a IA como uma plataforma de aprendizado contínuo, redução de variabilidade e aumento da inteligência operacional estarão mais preparadas para liderar a próxima fase da indústria tissue onde IA terá, com certeza, um papel fundamental.

















