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Os movimentos que marcaram o setor brasileiro de tissue no segundo semestre de 2025
NotíciasReportagem especial

Os movimentos que marcaram o setor brasileiro de tissue no segundo semestre de 2025

Investimentos industriais, novos projetos, fortalecimento de marcas e avanços em sustentabilidade marcaram o setor de tissue no Brasil entre julho e dezembro

O segundo semestre de 2025 consolidou movimentos estratégicos relevantes na indústria brasileira de tissue. Entre julho e dezembro, o setor avançou em investimentos industriais, ampliou capacidade produtiva, acelerou projetos de inovação e reforçou agendas ligadas à sustentabilidade, gestão de pessoas e fortalecimento de marcas.

O período também foi marcado pela entrada em operação de novas unidades, recordes de produção, lançamentos voltados à premiumização do portfólio e iniciativas que ampliaram o posicionamento das empresas tanto no mercado de consumo quanto no segmento institucional. A seguir, o Tissue Online Brasil reúne os principais acontecimentos que ajudaram a desenhar o cenário do setor no segundo semestre do ano.

EXPANSÃO INDUSTRIAL E AUMENTO DE CAPACIDADE PRODUTIVA

A segunda metade de 2025 foi marcada pela consolidação de investimentos industriais e pelo avanço de projetos estruturantes no setor de tissue. Entre os principais movimentos, a Suzano iniciou a operação de sua nova fábrica de tissue em Aracruz (ES), fortalecendo o polo industrial capixaba e ampliando sua presença no segmento de bens de consumo. O avanço do projeto foi reforçado pela notícia de que a fábrica passou a completar a cadeia de produção da companhia no Espírito Santo.

A Bracell Papéis inaugurou oficialmente sua fábrica de tissue em Lençóis Paulista (SP) e, ao longo do semestre, registrou recordes de produção diária e mensal, evidenciando o avanço da curva de ramp-up da unidade.

Outros destaques do período incluíram a Softys Brasil, que bateu recorde de produção de papel toalha, com 223,34 toneladas por dia, refletindo ganhos de confiabilidade e estabilidade operacional. A IPEL deu continuidade ao seu plano de expansão, ampliando sua presença em mercados da América Latina, enquanto a Jakspel iniciou uma nova fase de expansão com foco em eficiência e inovação industrial. O semestre também marcou o fortalecimento da Manikraft, que passou a figurar entre as cinco maiores fabricantes de papel toalha do Brasil.

MERCADO, CONSUMO E POSICIONAMENTO COMPETITIVO

O comportamento do mercado ganhou destaque com a divulgação de dados que apontaram que o consumo de papel higiênico no Brasil cresceu no primeiro semestre de 2025, reforçando a resiliência do setor.

A Bracell Papéis apresentou um estudo inédito sobre o mercado de tissue institucional no Brasil, ampliando o debate sobre oportunidades, desafios e profissionalização do segmento. Paralelamente, discussões envolvendo fabricantes não integrados evidenciaram temas como competitividade, estrutura de custos e acesso a matérias-primas.

LANÇAMENTOS, FORTALECIMENTO DE MARCAS E ESTRATÉGIAS COMERCIAIS

O segundo semestre também foi marcado por lançamentos e ações voltadas ao fortalecimento de marcas. A Mili ampliou sua linha premium com o lançamento de papel higiênico folha quádrupla e apresentou novos produtos em higiene e cuidados pessoais durante eventos do varejo.

A Suzano anunciou o rebranding da marca Neve, inaugurando uma nova fase com foco no cuidado e na conexão com o consumidor. Já a Softys ampliou seu portfólio com o início da produção do papel higiênico Cotton folha tripla e campanhas sazonais.

Marcas como Supra, da Bracell, e Snob, da Santher, também avançaram em ativações e estratégias de posicionamento. A Supra ganhou destaque ao criar uma passarela própria no São Paulo Fashion Week, ampliando sua conexão com o universo da moda e da experiência de marca, enquanto a Snob fortaleceu sua presença no varejo com o lançamento de uma nova versão de papel toalha em formato mega rolo, voltada à conveniência e ao consumo familiar.

SUSTENTABILIDADE, ESG E IMPACTO SOCIAL

A agenda ESG manteve protagonismo ao longo do semestre. A Suzano criou a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) do Maranhão e lançou uma estratégia corporativa dedicada à natureza, além de ter projetos reconhecidos durante a COP30.

A Bracell avançou em projetos de restauração ecológica e em iniciativas ligadas à diversidade e inclusão, enquanto a Mili reforçou ações de educação ambiental e coleta seletiva.

GESTÃO, PESSOAS E CULTURA ORGANIZACIONAL

O período também foi marcado por movimentações em liderança e gestão, com anúncios de novos executivos em áreas industriais, operações, recursos humanos e comunicação. Empresas do setor lançaram programas de estágio e trainee e ampliaram iniciativas voltadas ao bem-estar, diversidade e inclusão.

Reconhecimentos em rankings de melhores empresas para trabalhar e prêmios ligados à gestão de pessoas reforçaram a atenção crescente da indústria ao desenvolvimento humano e à cultura organizacional.

EVENTOS, ARTICULAÇÃO SETORIAL E VISÃO DE FUTURO

Feiras regionais e nacionais seguiram como plataformas estratégicas para relacionamento com o varejo, lançamentos de produtos e apresentação de estratégias comerciais, reforçando a proximidade entre indústria, marcas e canais de distribuição. Ao longo dos últimos seis meses do ano, esses encontros também funcionaram como espaços de leitura de mercado, troca de experiências e alinhamento de expectativas em um cenário de transformações estruturais no setor.

Entre os destaques, a Expoagas 2025 recebeu a Softys Sepac, que apresentou seu portfólio completo de higiene e cuidados pessoais; a Superminas 2025 marcou os últimos lançamentos da Mili; e a SuperBahia 2025 celebrou o avanço da Supra e a expansão do portfólio da marca Fofura, da Bracell Papéis.

Nesse contexto, o anúncio da próxima edição do Tissue Summit Brasil e os debates sobre Indústria 5.0, transformação digital e a integração entre tecnologia e pessoas contribuíram para consolidar uma agenda que deve orientar decisões estratégicas nos próximos anos.

Ao encerrar 2025, a indústria brasileira de tissue demonstra maior maturidade, com foco em eficiência operacional, fortalecimento de marcas e compromisso com inovação e sustentabilidade – pilares que tendem a ganhar ainda mais relevância em 2026.

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Sandra Nascimento

Sandra Nascimento é jornalista, pós-graduada em Comunicação Organizacional e desde 2022 escreve sobre os mercados de papel e celulose.
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