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“O atacarejo é resistente”, diz presidente executivo do Assaí Atacadista

Segundo Belmiro Gomes, mesmo com os impactos da pandemia, meta de crescimento para este ano está mantida; rede, que contratou 3 mil temporários por 70 dias, criou projeto de apoio a microempreendedor

O Assaí, a bandeira do atacarejo do Grupo Pão de Açúcar, viu sua venda crescer em meio à pandemia da Covid-19, com os consumidores lotando as lojas para fazer estoques logo que foi decretado o isolamento social. Enquanto isso, grande parte do varejo de produtos não essenciais teve o faturamento reduzido a zero do dia para a noite.

Belmiro Gomes, presidente executivo do Assaí Atacadista, disse ao Estado que a pandemia respondeu pelo crescimento de dois pontos porcentuais das vendas do primeiro trimestre, que fecharam com um avanço de 24% em relação ao ano anterior. Para este o ano inteiro, ele acredita que o faturamento passe de R$ 35 bilhões, ante R$ 30,4 bilhões em 2019.

PANDEMIA DO CORONAVÍRUS

Belmiro Gomes, presidente executivo do Assaí Atacadista, disse que o plano de expansão da empresa está mantido Foto: Robson Fernandjes/Estadão

Enquanto empresas demitiram e reduziram salários por causa da pandemia, o Assaí contratou cerca de 3 mil temporários para cobrir os que foram afastados e dar conta do maior volume de vendas. Agora decidiu cortar preços de embalagens e matérias-primas para pequenos restaurantes, pizzarias, dogueiros, conhecidos como transformadores, que estão trabalhando a portas fechadas por meio de entregas e tiveram uma brusca queda no faturamento.

Apesar do aumento nas vendas, Gomes, não acha que o atacarejo, supermercado que mistura atacado com varejo, esteja totalmente blindado à crise. “Como a nossa proposta é preço baixo, o atacarejo é resistente e mais fácil de se ajustar em cenários de austeridade”. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Qual foi o impacto da pandemia nas vendas do Assaí?

Já vínhamos tendo crescimento forte. No ano passado, abrimos 22 lojas, que foi um recorde, e tivemos mais de R$ 30 bilhões de vendas brutas. Essas novas lojas já davam uma indicação de que no primeiro trimestre o crescimento seria da ordem de 25%. Em janeiro e fevereiro, o crescimento acumulado foi de 22%. Em março, em uma semana registramos um fluxo muito grande de consumidores nas lojas, fazendo compras de abastecimento. Por conta da pandemia, tivemos um efeito de mais dois pontos porcentuais no crescimento. Então, fechamos o primeiro trimestre próximos de 24% de crescimento. Isso significou aproximadamente a conquista de 8,5 milhões de novos clientes por mês em relação ao ano anterior.

Qual foi impacto da paralisação das atividades dos clientes do food service que compram no atacarejo, como pasteleiros, donos de pequenos restaurantes?

Atendemos de 15 milhões a 16 milhões de clientes por mês. A maior parte é pessoa física, mas também tem muito cliente pessoa jurídica, um setor que foi muito afetado pelo isolamento. A venda para o food service nesse período de pandemia caiu mais de 70%.

Quanto o consumidor pessoa física representa desses 16 milhões de clientes?

Em número de operações, ele representa 80%. Mas em termos de venda, porque o valor médio é menor, ele representava em torno de 50% a 55%. Mas na primeira semana da segunda quinzena de março houve um movimento fortíssimo do consumidor e a maioria das lojas duplicou a venda. Com isso, o consumidor pessoa física chegou a representar a 70% da venda. Agora, em abril, houve uma normalização, porque a população já está abastecida

Como estão as vendas para os transformadores de food service, como pequenos restaurantes, pizzarias, por exemplo?

Os transformadores para nós são muito importantes. Muitos estabelecimentos estão fechados e enquanto estiverem fechados não vão retomar as compras no atacarejo. Muitos passaram a operar ou já tinham delivery. Uma das coisas que fizemos como ação foi reduzir o preço em mais de 20% em todas as embalagens para o food service.  Esse desconto está abaixo do custo de compra desses itens. É a caixa de pizza, o sachê, o guardanapo, embalagens plásticas, caixa para o motoboy. Estamos fazendo uma ação para que a pequena e a microempresa tenham um pouco mais de fôlego. Além da redução dos preços das embalagens, estamos também operando com preços reduzidos, em torno de 10%, de insumos específicos usados pelo food service, como, por exemplo, embalagens de margarina de 20 quilos. A intenção é apoiá-los no período em que os estabelecimentos estiverem fechados.

Ao todo, quantos itens terão desconto?

Entre embalagens e insumos, de 200 a 250 itens, depende do Estado do Brasil. Estamos presentes em 20 Estados, mas os hábitos são diferentes. Essa ação vai durar enquanto houver restrição de abertura desses estabelecimentos.

Os descontos foram negociados com fornecedores?

Não. É uma ação totalmente nossa. A nossa margem nos itens de embalagens é 18%. E vamos dar, no mínimo, 20% de desconto. Estamos operando no vermelho.

Qual o motivo da ajuda?

Somos o maior abastecedor do food service. É uma forma de criar mais vínculos, de fidelizar o público.

Há outras medidas que estão sendo tomadas para manter esse público fiel?

Por meio da Academia Assaí, estamos orientando como renegociar aluguel, refazer fluxo de caixa e outras iniciativas do ponto de vista econômico e de gestão. Nas Regiões Norte e Nordeste, estamos parcelando as vendas para esses empreendedores no nosso cartão e no embandeirado. Antes da pandemia não existia a possibilidade de compra parcelada.

Ao todo, quanto será investido em projetos de apoio ao microempreendedor?

Mais de R$ 4 milhões.

A pandemia vai mudar os planos de expansão da empresa para este ano?

A previsão para este ano é abrir 20 lojas, dessas 17 vão ter a abertura adiada. Neste momento, tenho 16 lojas em obras. Assim como toda atividade, a construção civil também está paralisada. Então, algumas inaugurações que deveriam ocorrer no fim do primeiro semestre e início do segundo serão postergadas. Haverá um atraso de dois a três meses do calendário oficial. Isso varia de um Estado para outro. Mas a meta do ano está mantida. Este mês tinham duas inaugurações previstas, mas não vão ocorrer.

Quanto está sendo investido nas 20 lojas?

Mais de R$ 1 bilhão. O nosso plano de expansão é colocar a bandeira Assaí em regiões onde não estávamos presentes. Por exemplo, neste momento, estamos terminando a obra para inaugurar a primeira loja em São Luís (MA). Será a nossa entrada no Estado. Estamos preparando a loja de Boa Vista, será a nossa entrada em Roraima. Independentemente do cenário econômico, focamos em novas praças, novos mercados. Por isso, neste momento, não há intenção de rever o plano de expansão, muito pelo contrário. No cenário atual, esse modelo de negócio sai extremamente fortalecido. O atacarejo é resistente e mais fácil de se ajustar em cenários de austeridade. Quando há crise, há uma busca maior por preço mais baixo.

Então, o atacarejo é um segmento que está blindado da recessão?

Não chega a ser totalmente blindado, mas é o último mercado a ser afetado. Como a nossa proposta é preço baixo, num cenário de menor poder de compra,  somos uma opção viável para muitas pessoas. Mas antes da crise já era um modelo que vinha em crescimento. Em 2008, o Assaí faturava R$ 1 bilhão. No ano passado, fechamos o ano com R$ 30,4 bilhões. Este ano vamos ultrapassar R$ 35 bilhões.

Como está a questão do emprego no Assaí neste período de pandemia?

Afastamos as pessoas do grupo de risco e para manter a operação de loja contratamos cerca de 3 mil temporários por 70 dias. Depois deve haver uma renovação. Não houve demissões, não reduzimos nem salário nem jornada. Tivemos uma série de iniciativas para manter a segurança dos trabalhadores. Fomos uma das primeiras empresas do Brasil a disponibilizar máscaras para os funcionários.

Como o senhor está vendo o cenário econômico com a pandemia?

A primeira preocupação é com a vida. Existe uma preocupação grande para os próximos meses em relação à economia e com o desenrolar da pandemia. Temos 45 mil colaboradores diretos. Com as novas lojas vamos chegar em 50 mil. Estamos entre as dez maiores empresas privadas do Brasil.

Como está a negociação com os fornecedores depois da pandemia?

A preocupação que temos com a indústria é porque não vemos espaço para aumento de preço. Há insumos cotados em dólar que podem exercer pressão de preços nos próximos dias. O setor de higiene e limpeza, por exemplo, usa muita matéria-prima cotada em dólar. Por outro lado, muitos insumos são derivados de petróleo, cujo preço caiu e poderia trazer algum alívio. A carne, por exemplo, é outro foco de preocupação. Com a alta do dólar, um volume maior poderá ser exportado, o que pode levar a uma alta de preço no mercado interno.

 
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