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Guerra comercial entre EUA e China abala mercados internacionais e pode afetar o setor de tissue

As tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estão gerando instabilidade econômica ao redor do mundo e queda nos preços de commodities

Os desdobramentos da guerra comercial global iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem abalado a economia de diversos países ao redor do mundo, incluindo grandes potências comerciais, como a China. 

As tarifas impostas por Trump atingem praticamente todos os parceiros comerciais dos EUA e elevaram os impostos sobre produtos chineses para 145%. Em resposta, Pequim prometeu aplicar tarifas adicionais sobre importações americanas, totalizando uma taxa de 84%. 

Na Europa, os países-membros da União Europeia aprovaram a aplicação de contra-tarifas contra os Estados Unidos, previstas para entrarem em vigor em 15 de abril. Em comunicado, o bloco afirmou que as medidas “podem ser suspensas a qualquer momento, caso os EUA concordem com um resultado negociado justo e equilibrado”. 

Depois do anúncio chinês, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos isentou produtos eletrônicos importados, como smartphones, monitores de computador e componentes eletrônicos das tarifas recíprocas impostas pelo governo norte-americano. A medida é válida para mercadorias que ingressaram no país ou foram retiradas de armazéns a partir do dia 5 de abril. 

A isenção ocorreu após o governo americano instituir uma tarifa mínima de 145% sobre produtos importados da China.  Trump justificou a medida afirmando que os produtos precisam ser fabricados nos EUA e que “não seremos reféns de outros países, especialmente nações comerciais hostis como a China, que fará tudo o que estiver ao seu alcance para desrespeitar o povo americano”. 

 

IMPACTOS DA GUERRA COMERCIAL NO BRASIL 

Apesar de ser um dos países menos impactados diretamente pelo pacote tarifário de Trump, os efeitos indiretos da guerra comercial já podem ser observados no Brasil. Um levantamento divulgado pela consultoria Elos Ayta, com as empresas que mais perderam valor de mercado desde 2 de abril – quando o presidente norte-americano apresentou uma lista com os países que seriam taxados – apontou que a Suzano, maior produtora mundial de celulose e referência global na fabricação de bioprodutos desenvolvidos a partir do eucalipto, está entre as dez mais afetadas no país, com perdas em torno de R$ 3,6 bilhões. 

Além disso, os preços das matérias-primas recuaram de forma significativa nas últimas semanas, com quedas na casa de dois dígitos. “Os preços das commodities caíram porque o nível de atividade vai perder fôlego no mundo”, afirmou o economista Fabio Silveira, sócio da Consultoria MacroSector. O especialista não prevê uma recessão global, mas estima que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial desacelere de 3,2% em 2024 para 2,5% em 2025 e 2,2% em 2026. 

Com essa nova política tarifária, foram estabelecidas alíquotas mínimas de 10%, com variações conforme a origem da mercadoria. E, apesar de abranger todos os produtos importados do Brasil, alguns itens tendem a ser mais afetados devido ao volume e frequência com que são exportados para o mercado norte-americano. 

A instabilidade nos preços de commodities como a celulose, que vem enfrentando diversos desafios, em meio à essa desaceleração do comércio global causado pela guerra comercial instaurada por Trump, pode acabar impactando também os fabricantes nacionais de tissue, que devem sofrer com um aumento de custos, volatilidade do câmbio e incertezas econômicas em mercados importantes para o setor como China e EUA.  

Fonte
EstadãoCNN BrasilMoney Times
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