NotíciasPapel Marrom

Fabricante de papel marrom recebe lixo ao importar material

As remessas destinadas à Jaepel Papéis e Embalagens possuíam focos de papelão moldado misturados com máscaras e luvas usadas, além de diversos utensílios domésticos

Em julho do ano passado, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) recebeu uma mensagem em sua sede em São Paulo, denunciando uma fábrica de papel por importação ilegal, pois o material importado era proveniente de resíduos de papel da coleta seletiva de origem residencial.

As remessas, que eram destinadas à Jaepel Papéis e Embalagens, produtora de embalagens no estado de Goiás, possuíam focos de papelão moldado misturados com máscaras e luvas usadas, além de diversos utensílios domésticos. “A julgar pelo quadro, o lixo parece ter vindo dos EUA”, concluiu a mensagem.

Durante a pandemia de covid-19, a importação de aparas disparou, como efeito da alta demanda por produtos embalados e interrupção da coleta de recicláveis das famílias. A Jaepel Papéis, que praticava esse tipo de importação, ao comprar a carga de papel marrom, recebeu resíduos domésticos misturados ao material. A empresa foi multada em R$ 44 milhões pelo Ibama, mas recorreu da decisão.

Desde agosto de 2021, as autoridades do porto de Santos apreenderam ao menos 93 contêineres que transportavam papéis usados destinados à reciclagem misturados a resíduos domésticos. Apesar de a empresa importadora negar qualquer irregularidade, as regulamentações nacionais e internacionais impõem controles rigorosos sobre as movimentações transfronteiriças desses materiais. As autoridades brasileiras estão investigando o caso como tráfico ilegal de resíduos perigosos.

Ao chegar no Brasil, os contêineres foram abertos para inspeção e os agentes do Ibama e da Receita Federal encontraram diversos tipos de plásticos e materiais potencialmente perigosos no interior – como pratos descartáveis, latas de energéticos, roupas usadas, cabos de carregamento, fraldas geriátricas, luvas usadas e máscaras de proteção – misturados ao papelão, conforme o Ibama descreveu em relatório. As máscaras e luvas geraram preocupação entre as autoridades, pois representam risco de disseminação de variantes da covid-19.

A multa de R$ 44 milhões ainda não foi paga porque a Jaepel tem direito a uma “conciliação”, instrumento criado no Ibama no primeiro ano do governo Jair Bolsonaro (2019) como uma espécie de negociação antes do pagamento da multa.

SOBRE A JAEPEL

A sede da Jaepel está localizada no distrito industrial do município de Senador Canedo (GO), a 208 km de Brasília. Procurada para falar sobre o assunto em dezembro de 2021, a empresa não quis se pronunciar.

Desde janeiro de 2021, a Jaepel importou mais de 250 contêineres de resíduos de papel. A maioria veio do mesmo exportador nos EUA e passou sem inspeção das autoridades brasileiras.

Fonte
Uol
Mostrar mais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo