Em meio a consolidação de gigantes, desafios de custos e oportunidades no consumo movimentam mercado de papel tissue
Eduardo Aron, diretor geral da Bracell Papéis, e Luciano Barboza, CEO da Ipel, debateram o panorama geral do setor na conferência da Fastmarkets

O mercado de papel tissue tem observado um panorama extremamente disputado, em meio a um cenário de consolidação de grandes players – como a aquisição dos ativos de tissue da Kimberly-Clark pela Suzano – e a entrada de um competidor integrado voraz, a Bracell Papéis. Este último, que marcou sua chegada ao setor com a aquisição da OL Papéis, iniciou sua megafábrica em Lençóis Paulista (SP) recentemente e já possui uma ambiciosa estratégia de crescimento futuro, visando a liderança do segmento.
Para Eduardo Aron, diretor geral da Bracell Papéis, diante deste horizonte em que busca criar e solidificar a reputação da empresa nos lares brasileiros, um dos grandes desafios que a companhia terá de lidar para chegar até o consumidor é a competição com os players regionais. Vale destacar, no entanto, que por meio de sua localização estratégica em São Paulo, o principal polo de consumo de tissue do país, e com a penetração da OL Papéis na região Nordeste, a logística da companhia possui grandes vantagens perante outras empresas, tendo em vista como o peso e o espaço ocupado pelos rolos de papel higiênico limitam o raio de frete que é vantajoso para as empresas do setor.
Carlos Gallo, diretor de tecnologia e R&D da ANDRITZ, reforçou também que os produtores integrados têm ganhado força nos últimos anos por diversos fatores, principalmente pelas economias de custos com transporte e ganho no aproveitamento do excedente energia. Assim, é possível ter uma diminuição de emissões e otimizar a sustentabilidade das operações, contando com tecnologia estratégica para impulsionar esses resultados.
Já Luciano Barboza, CEO da Ipel, observa que a consolidação do mercado passa por dois ciclos – o primeiro compreende o novo player conquistar espaço, realocando o mercado, com foco na competitividade de preço; enquanto o segundo é voltado para as margens e consolidação, com o nascimento de novos negócios.
Embora a disputa entre os pares seja um fator de atenção para os fabricantes de menor porte em meio a tendência de consolidação, outro ponto focal é o cenário macroeconômico, que aperta ou amplia o consumo das famílias, bem como as mudanças em termos de custos, tanto para matéria-prima – principalmente para os não-integrados – quanto para transporte, energia e outros insumos.
Conforme destacou o CEO da Ipel, o cenário pós-pandemia é marcado principalmente pela inflação, com destaque para os reajustes praticados no preço da celulose, refletindo em um período de incerteza global. Segundo o executivo existe uma movimentação de flexibilização do tipo de fibras na intenção de manter a competitividade, considerando como o preço na gôndola ainda é decisivo para o consumidor. “Observamos que o folha simples voltou a crescer, bem como rolos de 20 metros e de menor gramatura. O consumidor é rei, ele quem dita as tendências, pois é preciso ter o mercado para o posicionamento da marca”.
Nesse contexto, Aron destaca que a Bracell entende que existe a necessidade de educar o consumidor sobre questões como gramatura, visando promover o melhor custo-benefício para o usuário. Segundo o diretor, o mercado precisa ganhar maturidade quanto à inteligência do consumidor, destacando como fator principal o rendimento de uso como um diferencial que deve ser explorado, mantendo características de qualidade.
Diante disso, os executivos concordam que existe potencial de crescimento no consumo de papel tissue no país, bem como em outros países da América Latina. E esse cenário compreende tanto os papéis para uso doméstico (consumo) quanto institucional (professional). Segundo dados da Euromonitor apresentados pelo CEO da Ipel, dos 6 kg/per capita da média brasileira, 5 kg são para o mercado doméstico e apenas 1 kg para o institucional. Em grandes consumidores, como nos Estados Unidos, a diferença é aproximadamente de 15 kg para o mercado doméstico e 10 kg para o institucional.
Barboza ressalta ainda que existe grande potencial a ser explorado por meio de uma visão voltada para questões sociais, tendo em vista que existe uma grande parcela da população brasileira que não possui saneamento básico, portanto não está consumindo papel higiênico.
Dessa forma, apesar dos desafios e incertezas no setor, ainda existem oportunidades para crescimento. E enquanto disputam pela sua fatia do mercado, os fabricantes seguem dedicando-se a melhorias que promovam competitividade e solidifiquem sua posição dentro do posicionamento adotado.











