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Crise hídrica no Brasil coloca produtores de papel e celulose em alerta

Os fabricantes estão preocupados com os efeitos nos custos do maior despacho das usinas termelétricas

Os produtores de papel e celulose estão acompanhando de perto a crise hídrica no Brasil. Além de estarem em alerta com o risco de escassez da água, usada no processo produtivo, ou de racionamento de energia – apesar de este ter sido descartado pelo governo –, eles se preocupam com os efeitos nos custos do maior despacho das usinas termelétricas, visto que a fabricação de papel usa energia de forma intensiva.

Neste momento, diferentes representantes do setor afirmam que o grau de incerteza sobre o que virá pela frente – com exceção da pressão de custos – é alto. Ainda desconhecendo quais medidas serão adotadas, indústria e associações trabalham hoje com vários cenários e tentam sensibilizar o Ministério da Economia com relação aos efeitos negativos que o aumento da conta paga pelo consumidor industrial terão no crescimento econômico.

No segmento de celulose e papel, o impacto da crise pode variar de acordo com a idade tecnológica das plantas, o tipo de produção (integrada ou não) e, eventualmente, a região. Em geral, as fábricas de celulose são autossuficientes em energia e exportam o excedente gerado para o sistema nacional. A produção de papel, por sua vez, é intensiva em energia e seria mais afetada, tanto com um eventual racionamento quanto com a elevação dos preços.

Dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) apontam que o setor é responsável pela produção de 69% da energia que consome e 90% da matéria-prima utilizada na geração de energia provêm de fontes renováveis e do próprio processo produtivo, como licor negro e biomassa florestal. No entanto, uma máquina de papel que não esteja integrada à produção de celulose estará exposta aos efeitos da crise hídrica.

Desde a década de 70, a indústria reduziu o uso de água no processo fabril em 70%. Do recurso captado, 80% são devolvidos ao local de origem após tratamento e 19,7% retornam para a atmosfera por meio de evaporação, de modo que somente 0,3% fica no produto. Mesmo assim, a produção de celulose depende fortemente da disponibilidade de água.

SUZANO: RISCOS ESTÃO CONTROLADOS

A gigante de celulose Suzano afirmou, em nota, que hoje os riscos de desabastecimento hídrico “estão controlados em todas as suas operações”.

“A disponibilidade de recursos naturais, assim como a gestão desses recursos, é tema permanentemente analisado dentro da indústria de celulose brasileira de forma a garantir a sustentabilidade das operações no longo prazo. Tais dados mostram, até o momento, que o nível de criticidade da oferta de recursos hídricos segue dentro de padrões considerados adequados, não havendo qualquer paralelo com situações críticas vivenciadas no passado”, declarou.

De acordo com a Suzano, após a crise hídrica de 2015, “as empresas acumularam aprendizados que contribuíram para uma melhor performance e flexibilidade na gestão de reservatórios e de suas operações, deixando-as mais preparadas para situações adversas e emergenciais”.

Fonte
Valor Econômico
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