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Corte de produção na China e retomada da Europa animam fabricante de papel

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Um dos fatores que tem impulsionado a demanda por celulose de eucalipto em 2015 é a recuperação da indústria papeleira na Europa. Além de uma leve retomada nas vendas de papéis de imprimir e escrever naquele mercado, a conversão de máquinas voltadas a esse tipo de produto para embalagens e a maior procura por papéis especiais, categoria de maior valor agregado, explicam o recente vigor do setor no continente europeu.

Na China, o fechamento de fábricas de cartões consideradas poluentes tem aberto novas oportunidades de venda para as papeleiras de outras regiões. Esses dois movimentos, combinados, deram fôlego à industria mundial de papéis e têm sido importantes também para as fabricantes instaladas no Brasil, que ampliaram a parcela da produção destinada às exportações numa tentativa de compensar o fraco consumo doméstico.

A Klabin, maior empresa brasileira de papéis para embalagens, remanejou suas vendas no segundo trimestre de forma que as exportações mais do que compensaram o enfraquecimento do mercado interno. Essa estratégia garantiu o 16º trimestre consecutivo de crescimento, considerando-se o período dos últimos 12 meses. De abril a junho, a companhia elevou a receita líquida em 16%, para R$ 1,338 bilhão, e o Ebitda ajustado subiu 17%, para R$ 391 milhões.

De abril a junho, as exportações da Klabin cresceram 12% na comparação anual, para 139 mil toneladas, enquanto o volume de vendas domésticas ficou estável. Com isso, as vendas externas representaram 32% do volume total vendido pela companhia, frente a 29% um ano antes.

Conforme a Klabin, além da demanda, os preços internacionais mantiveram-se em trajetória ascendente e contribuíram para o bom desempenho. O preço de referência do kraftliner na Europa, por exemplo, atingiu média de € 577 por tonelada no trimestre, conforme informações da consultoria Foex, com alta de 5% na comparação anual.

Na Suzano, as vendas de papel no mesmo intervalo alcançaram 310 mil toneladas, das quais 82% colocadas na América do Sul (incluindo Brasil) e na América Central. Em volume, as exportações totalizaram 104 mil toneladas, frente a 99 mil toneladas um ano antes. As vendas ao mercado doméstico, por sua vez, caíram de 220 mil toneladas para 206 mil toneladas.

Os números da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), entidade que reúne os produtores de celulose, papel, painéis e pisos de madeira e florestas no país, reforçam esse cenário. Enquanto as vendas domésticas de papel recuaram 4,9%, para 2,615 milhões de toneladas nos seis primeiros meses do ano, as exportações cresceram 3,9%, totalizando 987 mil toneladas.

Entre os fabricantes nacionais de papéis que dependem da compra de celulose de terceiros, porém, o momento não é de comemoração. Além do encarecimento dos preços da matéria-prima, tanto pelo aumento dos preços em dólar quanto pelo impacto negativo da desvalorização do real, esses produtores têm encontrado muita dificuldade em repassar a elevação dos custos para os preços finais por causa da fraqueza da demanda doméstica neste momento.

Em evento recente do setor, promovido pela consultoria RISI, executivos de empresas não integradas questionaram os produtos de celulose sobre o risco de os sucessivos reajustes comprometerem determinados negócios no país. Na Suzano, que produz toda a celulose que utiliza na fabricação de papel, a percepção é a de que, de fato, as papeleiras nacionais passam por uma situação delicada no país, especialmente as que não têm insumo próprio.

Segundo o presidente da companhia, Walter Schalka, se for feita a comparação da rentabilidade das papeleiras americanas frente à das europeias, as primeiras saem em vantagem. “A fragmentação é muito maior na Europa. Existem muitas fábricas com baixa capacidade competitiva que não são fechadas por razões sociais. Se isso vai ser revertido ou não, depende de a Europa conseguir promover a tão falada consolidação”, afirmou o executivo.

Na mesma linha, o presidente da Fibria, Marcelo Castelli, acrescentou que a indústria de papel europeia vem dando exemplo de consolidação. “Não tem fabricante que não esteja integrado”, afirmou o executivo. Ao que parece, a consolidação também seria a saída para as papeleiras com maior dificuldade no país, ao menos na visão das grandes companhias do setor.

Valor Econômico