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Completando 80 anos, Irani atinge seu maior valor de mercado

A valorização ocorreu depois de um pacote de medidas de reestruturação, aliado à robustez do mercado de embalagens no Brasil

Completando 80 anos de fundação, a Irani Papel e Embalagem atingiu, na última semana, o maior valor de mercado de sua história, de R$ 2,4 bilhões. A história da companhia, que pertence ao grupo Habitasul, é marcada por altos e baixos, que incluem uma quase venda em 2018 e a migração para o Novo Mercado da Bolsa de Valores no ano passado.

A valorização ocorreu depois de um pacote de medidas de reestruturação, aliado à robustez do mercado de embalagens no Brasil, que foi acelerado pela pandemia do coronavírus, e o crescimento do comércio eletrônico.

O papel da fabricante mais que dobrou de valor desde o “re-IPO” em julho, quando a ação ON saiu a R$ 4,50, para R$ 9,33 na última sexta-feira.

“A Irani chega aos 80 anos revitalizada e com um olhar muito forte em ganho de participação de mercado”, comenta o presidente da companhia, Sérgio Ribas. A alta acumulada das ações é de quase 80% neste ano e, na visão de analistas e da administração da fabricante, há espaço para ainda mais valorização no curto prazo.

Recentemente, o Credit Suisse subiu, de R$ 8,10 para R$ 10,10, o preço-alvo para as ações ordinárias da Irani. E o BTG Pactual afirmou, após o balanço do primeiro trimestre, que o Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) anualizado da empresa já está em R$ 400 milhões – nível que só era esperado para 2024.

Junto com Suzano, a Irani é considerada favorita (top pick) do Credit Suisse na América Latina. Além disso, ela é a terceira em participação de mercado, atrás de Klabin e WestRock.

PROJETO GAIA

A atual avaliação em bolsa da Irani, de acordo com Ribas, incorpora a melhora do segmento doméstico de embalagens em papel, porém, não reflete o pacote de investimentos de R$ 743 milhões que está em andamento.

Até 2023, serão finalizados os cinco primeiros projetos da Plataforma Gaia. A empresa ainda trabalha com mais dois projetos, de modernização da operação em Minas Gerais e repotenciação de mais uma pequena central hidrelétrica (PHC), para complementar esse primeiro ciclo de expansão.

O conselho de administração aprovou, na última semana, a contratação de financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), via Finame, no valor de até R$ 484 milhões. Para um analista, isso reforça que a companhia levará adiante os planos de crescimento.

Após concluir os sete projetos da Plataforma Gaia, a Irani pretende dar início a um segundo ciclo de crescimento, que será mais forte e caro, já que incluirá, necessariamente, a construção de novas linhas de celulose e de papel para embalagem.

Em se tratando de novas aquisições, o presidente da Irani defende que a empresa deverá alcançar ganho de participação de mercado naturalmente. “Crescimento orgânico, com tecnologia, é o mais natural dada a pulverização do mercado brasileiro”, diz.

Para Ribas, boas aquisições no segmento de embalagens se tornaram “oportunidades raras”. Além disso, ele salienta que a companhia está focada em cumprir a nova política financeira, que estabelece limites à alavancagem financeira. “Estamos pensando no próximo ciclo de crescimento, mas também queremos nos manter como bons pagadores de dividendos”, pondera.

A indústria se beneficia de condições de mercado favoráveis. Em abril, o Índice Brasileiro de Papelão Ondulado (IBPO) subiu 13,5% na comparação anual, para 144,2 pontos. A produção de caixas, chapas e acessórios de papelão atingiu, pela décima vez consecutiva, volume recorde para abril, de 323,79 mil toneladas, de acordo com dados da Associação Brasileira de Embalagens em Papel (Empapel).

NOVAS METAS

Aproveitando oito décadas de história, a Irani anunciou novas metas ESG (Ambiental, Social e Governança) até 2030. Dos seis novos compromissos, quatro objetivam garantir a sustentabilidade e a economia circular na operação e cadeia produtiva.

A fabricante de embalagens, que é considerada carbono neutro por natureza por conta de suas florestas, pretende aumentar em 20% o saldo positivo entre emissões e retiradas de gases do efeito estufa (GEE) até 2030.

Entre os compromissos assumidos, também estão o de reduzir em 30% o uso de água por tonelada fabricada, zerar o envio de resíduos para aterros, aumentar em 40% a presença feminina no seu quadro de colaboradores e ter 50% de mulheres em cargos de liderança.

Fonte
Valor Econômico
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