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Demanda de papelão ondulado supera expectativas e deve continuar forte nos próximos meses

Há a previsão de que o mercado avance cerca de 7% no volume anual expedido, ante a projeção inicial de crescimento de 4% a 4,5%

Mediante o forte desempenho visto desde meados de 2020, as estimativas para as expedições de papelão ondulado, que já eram positivas, foram revisadas para cima neste ano. O setor vem batendo sucessivos recordes mensais e deve permanecer robusto nos próximos meses.

Há a previsão de que o mercado avance cerca de 7% no volume anual expedido, ante a projeção inicial de crescimento de 4% a 4,5% no cenário moderado, que se baseia em uma evolução do Produto Interno Bruto (PIB) em 3% a 3,5%.

Gabriella Michelucci, presidente da Empapel.

Essa estimativa, porém, pode ser superada, conforme reconhece a própria indústria, tendo em vista que as perspectivas para o PIB nacional estão crescendo. “Ainda não vimos arrefecimento. Há casos pontuais, mas no geral a indústria e, portanto, o consumidor, segue demandando”, afirma a presidente da Associação Brasileira de Embalagens em Papel (Empapel), Gabriella Michelucci.

O segundo semestre, que é tradicionalmente mais forte, corresponde a 55% das expedições anuais e deve apoiar as projeções mais favoráveis.

No mês passado, a produção de caixas, chapas e acessórios de papelão atingiu, pela décima vez consecutiva, volume recorde para abril, de acordo com prévia dos indicadores da instituição. O avanço das expedições no acumulado do ano foi superior a 10%.

Também em abril, o Índice Brasileiro de Papelão Ondulado (IBPO) saltou 13,5% na comparação anual, a 144,2 pontos – o ano de 2005 corresponde à base 100.

As expedições bateram 323,88 mil toneladas, em termos de volume – a primeira vez em que houve superação da marca de 300 mil toneladas para o mês de abril.

Para junho, fontes da indústria acreditam que não haja perda do ritmo de maio, quando os pedidos permaneceram fortes. A previsão é de crescimento maior que 25%, na comparação anual, o que também a reflete a fraca base de comparação, visto que, em maio de 2020, o segmento teve seu pior momento, com o auge da pandemia do coronavírus.

Neste momento, as fábricas de embalagens de papelão permanecem operando em plena capacidade e aplicam novos aumentos de preço.

As aparas de ondulado tipo 2 – insumo mais utilizado na produção de embalagens – tiveram alta de 163% entre o início de 2020 e março deste ano, para R$ 1.450 a tonelada, fomentando, desde o meio do ano passado, novos reajustes.

De acordo com o diretor de embalagem da Klabin, Douglas Dalmasi, são esperados novos aumentos no decorrer do ano. “A demanda continua muito forte e não há novas capacidades. O preço das aparas deve permanecer estável em níveis elevados. Então, vemos os aumentos de preço continuando no restante do ano, assim como a melhora de margem”, diz.

O mesmo cenário ocorre na Irani Papel e Embalagem. Segundo o presidente da companhia, Sergio Ribas, com a elevação das aparas e da necessidade de recomposição de margens, foram aplicados aumentos no 4º trimestre, no 1º trimestre e outros estão previstos para o atual intervalo. “[Houve] forte evolução da rentabilidade em todos os negócios”, destacou o executivo. Na comparação anual, a Irani cresceu 9,9% em volume (toneladas) de embalagens de papelão no 1º trimestre, com avanço de de 45% no preço médio.

Na visão da presidente da Empapel, a indústria de embalagens em papel não sentiu os impactos do final da primeira rodada de pagamento do benefício emergencial, pois houve e continua havendo necessidade de recomposição de estoques. Outro fator que beneficia o segmento é o fato de a demanda permanecer aquecida – sobretudo na parte de alimentos – e não existem indícios dessa tendência ser revertida. Apesar de haver casos pontuais de redução de demanda, isso não deve ter efeito no todo. “Não só papelão, mas cartões para embalagens e sack kraft [sacos de papel] também estão muito aquecidos”, finaliza Gabriella.

Fonte
Valor Econômico
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