Carta Fabril se prepara para realizar IPO
A empresa, que mira em um novo ciclo de expansão, está sendo sondada por bancos de investimento para uma oferta pública inicial de ações
A Carta Fabril, tradicional fornecedora fluminense de tissue, dobrou de tamanho nos últimos cinco anos, conquistou novos mercados e quer manter o ritmo, ganhando ainda mais força. A empresa também tem trabalhado em um novo projeto de uma nova máquina de papel, a MP7. Agora, bancos de investimento vêm sondando a fabricante para uma oferta pública inicial de ações (IPO, em inglês).
“Estamos trabalhando para a empresa estar pronta para listar ações quando o momento for adequado”, afirma o presidente da companhia, Victor Coutinho. A Carta Fabril tem controle familiar e seus resultados financeiros são auditados por uma das “quatro grandes” de auditoria e consultoria, desde 2012. Passando por processos de melhoria, a estrutura de governança foi revisada, e desde 2016, um plano de expansão de R$ 600 milhões entrou em vigor, o que fez com que as receitas dobrassem, atingindo a marca de R$ 1 bilhão.
Os recursos foram investidos na modernização da unidade de Anápolis (GO), que conta com a maior máquina de papel em operação no país, e também na inauguração de uma unidade industrial com tecnologia de ponta em Piraí (RJ). O ciclo de crescimento incluiu a ampliação do portfólio, concluído no ano passado, que consolidou a Carta Fabril como empresa de consumo, na disputa pelos acirrados mercados de tissue e personal care.
Detentora de marcas como Cotton, Coquetel e Baby Looney Tunes, a empresa já inicia os passos para um novo ciclo de ampliação, que deverá custar R$ 350 milhões nos próximos cinco anos. O plano é aumentar, em 50%, a capacidade produtiva da fábrica de Piraí.
Atualmente, cerca de 60% do negócio da Carta Fabril corresponde a tissue e 40% a cuidados pessoais – o objetivo é crescer em todas as categorias e, simultaneamente, alcançar um equilíbrio mínimo de 50% em cada segmento. “Tissue é quase uma commodity. O consumidor olha muito preço. Em cuidados pessoais, a relação [entre marca e consumidor] é de confiança. Então, buscamos um portfólio mais balanceado”, avalia Coutinho.
Hoje, a oferta de tissue no mercado brasileiro é maior do que a demanda, e as margens dos fabricantes em geral têm sido prejudicadas devido à concorrência acirrada e o forte aumento dos preços da celulose. Na visão de Coutinho, 2021 tem se mostrado ainda mais difícil do que o ano passado, justamente por causa do aumento dos custos da principal matéria-prima, que costuma responder por 50% do custo. Com preços atuais superiores a US$ 1 mil por tonelada, seu peso já excede 60%.
A pandemia do coronavírus também reduziu o poder aquisitivo do consumidor, o que pode representar uma oportunidade para a Carta Fabril. “A troca de marcas pode nos beneficiar”, diz Coutinho. Espera-se que o crescimento do faturamento salte, de R$ 1,1 bilhão em 2020, para R$ 1,2 bilhão.
As estratégias para suavizar a pressão dos custos sobre as margens incluem maior eficiência, repassar os preços dentro do possível e focar em inovação. A companhia também deu início a um projeto de exportação, objetivando alavancar a rentabilidade e ter alguma proteção cambial (hedge) natural. As primeiras exportações tiveram como destino outros países da América do Sul e os Estados Unidos, e ainda que não sejam significativas, devem responder por 5% do faturamento neste ano.
O executivo admite que a jornada que mudou o perfil da Carta Fabril tem trazido muitos desafios, já que a disputa se dá, principalmente, com fortes multinacionais. Porém, a empresa brasileira, que até 2015 era totalmente focada em tissue, está buscando ganhar força por meio de capacidade, complementação de portifólio e inovação. Hoje, figura entre as cinco maiores do mercado tanto em tissue quanto em personal care.
Sua ambição é manter presença relevante em todas as categorias de atuação e, para isso, os investimentos não param. Há algum tempo, a Carta Fabril adentrou o segmento de toalhas umedecidas e complementou a oferta de absorventes. Neste mês, introduz no mercado um papel higiênico premium, o Cotton Folha Tripla.
Os principais alvos da fabricante, geograficamente falando, são o Sudeste e Centro-Oeste, com destaque para o Rio de Janeiro, onde oscila entre a liderança e a vice-liderança nas categorias em que atua. O Nordeste e no Norte também representam boas oportunidades – apenas a região Sul não está nos planos de curto e médio prazo da empresa. “A pretensão é ser nacional, mas esse não é um objetivo para os próximos cinco anos”, entrega Coutinho.
O presidente destaca que a organização investe “sistematicamente” em tecnologias mais sustentáveis, como a da MP, em Anápolis, que substituiu o uso de combustíveis fósseis por biomassa na etapa de secagem. Em 2016, a fornecedora foi responsável por criar um dos maiores projetos privados de preservação ambiental, o Parque Temático Ambiental Terra Santa, em Cachoeiras de Macacu (RJ). A iniciativa de reflorestamento e conservação ambiental já alcançou de 384 mil árvores plantadas, em uma área de mais de 1,2 milhão de metros quadrados de Mata Atlântica.













