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Quanto valor cabe em cada tonelada de Tissue?

A premiumização do mercado está mudando a lógica da indústria e colocando a conversão no centro da criação de valor

O mercado global de Tissue está entrando em uma nova fase. Durante décadas, grande parte da evolução tecnológica do setor esteve concentrada na capacidade de produzir mais: mais toneladas, mais velocidade, mais eficiência. Agora, a equação começa a mudar. Fabricantes estão buscando produtos com mais qualidade, diferenciação, absorção, resistência, maciez e volume, ao mesmo tempo em que precisam controlar custos, consumo de fibras e energia.

A pergunta, portanto, já não é apenas quanto uma fábrica consegue produzir. É quanto valor ela consegue colocar em cada tonelada produzida. E essa mudança coloca uma etapa que durante muito tempo foi vista como final do processo em uma posição cada vez mais estratégica: a conversão.

A PREMIUMIZAÇÃO JÁ ESTÁ MUDANDO O MERCADO

Uma análise publicada pela Fastmarkets em setembro de 2026 mostra esse movimento no mercado norte-americano. Segundo o levantamento, praticamente todos os grandes projetos anunciados para os próximos anos na região estão direcionados a produtos premium, especialmente papéis estruturados e TAD, movimento impulsionado também pelo crescimento das marcas próprias.

Atualmente, existem 196 máquinas de Tissue em operação na América do Norte: 128 convencionais, 60 dedicadas à qualidade TAD e oito baseadas em tecnologias estruturadas. Pelo menos seis novas máquinas TAD ou estruturadas já foram anunciadas para os próximos dois a três anos, representando mais de 450 mil toneladas adicionais de capacidade.

Os números revelam algo maior do que uma simples expansão de capacidade. O mercado está migrando para produtos de maior valor agregado.

A VERDADE: O consumidor quer mais desempenho.

O DESAFIO: A indústria precisa encontrar uma forma economicamente sustentável de entregá-lo.

E é justamente aqui que surge uma questão que pode mudar a lógica de investimento do setor:

É necessário produzir uma nova folha de papel para criar um produto premium? Ou é possível transformar tecnologicamente o papel convencional durante a conversão?

QUANDO A CONVERSÃO PASSA A CRIAR VALOR

É nessa segunda direção que a Gambini vem trabalhando desde o desenvolvimento do AirMill, Sistema de Conformação Térmica da Fibra do Papel. A tecnologia leva para a etapa de conversão elementos que tradicionalmente estavam restritos à fabricação do papel.

Por meio da aplicação controlada de água e energia térmica, a estrutura fibrosa é reorganizada, permitindo modificar propriedades do papel base antes da formação do produto acabado.

O conceito é diferente de uma gofragem convencional. Em vez de simplesmente deformar mecanicamente a folha, o objetivo é atuar sobre sua arquitetura fibrosa, preservando e ampliando características como resistência, absorção, volume e textura.

Foi essa abordagem que a Fastmarkets destacou ao analisar o AirMill: uma tecnologia capaz de partir de basesheets convencionais e gerar características comparáveis às encontradas em papéis estruturados ou TAD, atuando diretamente na conversão.

A lógica é simples, mas sua consequência para a indústria é significativa:

A conversão deixa de ser apenas o lugar onde o papel é transformado em produto. Ela passa a participar da própria engenharia deste produto.

C-TAD: NOVAS POSSIBILIDADES A PARTIR DO PAPEL CONVENCIONAL

Essa filosofia está na base do conceito C-TAD / Comparable TAD, desenvolvido pela Gambini.

É importante fazer uma distinção. Um papel convencional transformado na conversão não se torna fisicamente idêntico a uma folha produzida por uma máquina TAD. São processos diferentes.

O próprio estudo da Fastmarkets ressalta essa diferença: o AirMill pode gerar características comparáveis às de papéis estruturados ou TAD, mas, atuando na conversão, não recria integralmente toda a estrutura intrínseca formada durante o processo de fabricação de uma folha TAD.

A proposta do C-TAD é outra. É utilizar papel convencional e buscar níveis significativamente superiores de resistência, textura, volume e absorção, criando oportunidades para que fabricantes desenvolvam produtos premium sem que toda a estratégia de diferenciação dependa da instalação de uma nova máquina de papel TAD ou E-TAD.

Esse conceito e suas aplicações, incluindo soluções como Hot-Point e Deco Booster, vêm sendo desenvolvidos no TissueHub da Gambini.

Isso representa uma mudança relevante na lógica econômica do setor. A tecnologia passa a oferecer uma nova possibilidade de criação de valor dentro da própria conversão.

MAIS VALOR SEM NECESSARIAMENTE MAIS RECURSOS

A discussão sobre premiumização não pode ser separada da pressão por eficiência.

A Fastmarkets destaca uma estimativa da Gambini segundo a qual um produto fabricado com AirMill pode demandar aproximadamente menos da metade da energia total associada a um produto TAD, considerando conjuntamente fabricação de papel e conversão final.

A reportagem também registra que o equipamento pode ser incorporado a linhas existentes, entre o desbobinamento e as etapas posteriores do processo, reduzindo a necessidade de grandes alterações na linha.

É uma questão importante para uma indústria que precisa, simultaneamente, premiumizar produtos e controlar recursos.

Mas a teoria só ganha relevância quando chega ao mercado. E, no Brasil, ela já começou a chegar.

O BRASIL JÁ SAIU DA TEORIA

No final de 2025, a Gambini entregou à Damapel o primeiro AirMill produzido para o mercado brasileiro, marcando também uma etapa importante da industrialização da Gambini em Joinville.

Em 2026, produtos desenvolvidos com o Sistema de Conformação Térmica da Fibra do Papel começaram efetivamente a chegar às gôndolas. Na Softys, a implementação da tecnologia foi utilizada no desenvolvimento da toalha de cozinha Kitchen Ultra.

Nos testes e desenvolvimentos divulgados anteriormente pelo Tissue Online, foram observados ganhos de até 64% na resistência transversal a úmido, além da possibilidade, em determinadas aplicações, de redução aproximada de 10% no consumo de fibras de celulose.

Isso é valor gerado no processo produtivo.

Na Damapel, resultados divulgados posteriormente mostraram, em uma das aplicações desenvolvidas, ganho de até 50% na resistência transversal e aumento de 22% na absorção em comparação ao produto anterior.

Esses resultados dão dimensão prática a uma questão que começa a ganhar importância estratégica: reduzir fibras e aumentar desempenho não são objetivos necessariamente contraditórios.

Em 2025, quando o Tissue Online visitou a Gambini Brasil, os resultados então obtidos já mostravam aumentos de 20% a 30% em resistência em diferentes desenvolvimentos, acompanhados de melhorias de absorção e possibilidades de redução de gramatura.

Naquela ocasião, existiam 35 equipamentos AirMill instalados mundialmente. Agora, a Fastmarkets informa que esse número já se aproxima de 50 instalações no mundo, mostrando a velocidade com que a tecnologia vem ganhando escala.

PREMIUMIZAÇÃO E MARCAS PRÓPRIAS CAMINHAM JUNTAS

Existe outro movimento acelerando essa transformação: o avanço das marcas próprias.

Nos Estados Unidos, esse movimento já é estrutural. Dados apresentados anteriormente pelo Tissue Online mostram que, entre 2014 e 2025, a participação das marcas próprias no papel higiênico norte-americano avançou de menos de 10% para aproximadamente 37%. No papel toalha, passou de 27% para cerca de 45%.

Em valor, os dois mercados combinados saíram de aproximadamente US$ 3 bilhões para quase US$ 10 bilhões.

O Brasil começa a percorrer trajetória semelhante. Dados da NielsenIQ divulgados no SIMP 2025 e posteriormente analisados pela Gambini no Tissue Online indicaram crescimento de aproximadamente 9,2% ao ano das marcas próprias no país.

Além disso, 58% dos consumidores brasileiros declararam intenção de ampliar suas compras desses produtos, enquanto 51% já consideram a qualidade das marcas próprias igual ou superior à das marcas tradicionais.

Esse cenário muda a relação entre indústria, varejo e tecnologia. Quando a diferença entre um produto de entrada e um produto premium deixa de estar apenas na marca e passa a estar efetivamente na experiência entregue ao consumidor, atributos como absorção, resistência, maciez, textura, diâmetro e rendimento tornam-se instrumentos competitivos.

É exatamente aí que a tecnologia de conversão ganha uma relevância que talvez nunca tenha tido antes.

NÃO BASTA CRIAR VOLUME. É PRECISO PRESERVÁ-LO.

A premiumização também cria outro desafio. Não basta gerar bulk, textura ou outras características de alto desempenho. É preciso preservar essas propriedades ao longo de toda a conversão até o produto chegar às mãos do cliente final.

Por isso, a Gambini desenvolveu soluções específicas para papéis TAD, híbridos e C-TAD.

A G1, por exemplo, foi concebida para preservar durante a rebobinagem o volume criado nas etapas anteriores do processo, trabalhando com sincronismo dos rolos de rebobinamento e do rolo de pressão.

Para bobinas estruturadas, normalmente mais curtas e, portanto, sujeitas a trocas mais frequentes, a Gambini desenvolveu também desbobinadores automáticos específicos, incluindo sistemas de emenda ATS, com foco em continuidade produtiva e preservação das características da folha.

A lógica é simples:

Não faz sentido investir para gerar bulk, maciez ou estrutura e depois perder essas propriedades nas etapas seguintes da conversão.

Isso leva a uma conclusão importante:

A tecnologia precisa ser entendida como um sistema.

DESENVOLVER O PRODUTO ANTES DE INDUSTRIALIZÁ-LO

Grande parte desse trabalho nasce no TissueHub, centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Gambini.

É nesse ambiente que a empresa desenvolve seus Concept Rolls e testa diferentes combinações de papéis, padrões, água, temperatura e configurações de conversão.

O TissueHub dispõe de uma linha piloto integrada em escala real, concebida para permitir testes com correspondência próxima ao processo industrial.

É o conceito que a Gambini denomina 1:1: o objetivo é que o comportamento observado durante o desenvolvimento seja reproduzível quando o produto chegar à linha industrial do cliente.

Essa abordagem também muda a maneira de pensar o desenvolvimento de equipamentos. Primeiro se define qual produto o mercado deseja criar. Depois se estabelece qual configuração tecnológica é necessária para produzi-lo.

É uma inversão importante.

A tecnologia deixa de ser o ponto de partida. O produto passa a ser.

QUALIDADE PRECISA VIR ACOMPANHADA DE FLEXIBILIDADE

Premiumização, contudo, não significa apenas melhorar as características físicas do papel. O mercado atual exige mais SKUs, menores lotes, mudanças frequentes de produtos e capacidade de responder rapidamente ao varejo.

É por isso que, paralelamente ao AirMill, a Gambini vem ampliando no Brasil a presença do TouchMax.

A tecnologia possui hoje mais de 140 unidades vendidas globalmente e permite substituir um rolo de aço em cerca de três minutos.

Em uma linha configurada para papel higiênico e toalha de cozinha, a troca completa de formato pode ser realizada em 20 minutos, enquanto no mercado brasileiro esse processo tradicionalmente pode consumir entre 10 e 16 horas.

O sistema patenteado AutoLam realiza as aproximações dos rolos utilizando controle por pressão e células de carga. Os parâmetros ficam armazenados na receita do produto, reduzindo ajustes manuais e a dependência do conhecimento individual do operador.

O TouchMax será também um dos destaques do Open House da Gambini Brasil, integrando a linha produzida em Joinville.

A mensagem aqui é clara:

Um mercado que exige mais diferenciação também exige mais liberdade para produzir.

O PRÓXIMO SALTO DO TISSUE PODE ACONTECER NA CONVERSÃO

Durante décadas, grande parte da evolução tecnológica do Tissue esteve concentrada na máquina de papel. Mas essa lógica está mudando.

A análise da Fastmarkets mostra que os fabricantes de máquinas estão buscando diferentes caminhos para responder a um mesmo desafio: produzir Tissue de maior qualidade usando menos recursos.

Enquanto algumas soluções atacam o problema diretamente na formação da folha, a Gambini escolheu outro caminho: transformar a conversão em uma etapa capaz de gerar valor tecnológico.

Isso não significa que uma tecnologia substituirá todas as demais. TAD continuará tendo um papel fundamental em determinadas categorias de altíssimo desempenho. Papéis estruturados continuarão evoluindo. Papéis convencionais continuarão representando parcela relevante da produção mundial.

A verdadeira mudança está em ampliar as possibilidades.

Um fabricante que possui capacidade convencional passa a ter novas ferramentas para desenvolver produtos diferenciados. Um produtor de TAD passa a contar com tecnologias capazes de preservar e aprimorar as propriedades de uma folha de alto valor.

E uma indústria pressionada simultaneamente por custos, sustentabilidade, marcas próprias e premiumização passa a ter mais alternativas para decidir onde investir seu capital e onde criar valor.

Talvez essa seja a principal mensagem que os dados apresentados pela Fastmarkets deixam para o setor.

O futuro do Tissue não será determinado apenas por quantas toneladas uma fábrica consegue produzir. Será determinado, cada vez mais, por:

QUANTO VALOR TECNOLÓGICO ELA CONSEGUE COLOCAR EM CADA TONELADA PRODUZIDA.

E é justamente nessa transformação que a Gambini acredita que a conversão deixa de ser o final do processo e passa a ser uma das protagonistas do produto.

Beyond Tissue. Beyond Machines. WE ARE GAMBINI GROUP.

Dineo Silverio

CEO da Gambini Brasil, empresa especializada em linhas de conversão com alta inovação tecnológica.

Com mais de 31 anos de experiência na indústria Tissue, possui sólida trajetória técnica e executiva na área de conversão, incluindo a instalação de diversas linhas e a condução de projetos de melhoria, adaptação e desenvolvimento de equipamentos.

Durante sua atuação em cargos diretivos na antiga Fabio Perini, esteve envolvido em mais de 200 linhas de conversão e projetos realizados e negociados no Brasil e em toda a América Latina, construindo uma ampla rede de relacionamento com clientes e fornecedores do setor.

Atualmente, lidera o projeto da Gambini Brasil, responsável pela implantação da nova fábrica de equipamentos em Joinville/SC.

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