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Controle de Qualidade e Requisitos Regulatórios no papel tissue: garantindo desempenho, segurança e competitividade

Setor reforça controle de processo, conformidade normativa e avanços tecnológicos para elevar padrões de desempenho, segurança e valor no mercado de papel tissue

Após entendermos como a madeira e a massa celulósica definem a base técnica e comercial dos produtos tissue, avançamos agora para uma etapa igualmente crítica: o controle de qualidade e o atendimento aos requisitos regulatórios.

Se a fibra representa o DNA do papel, o controle de qualidade é o sistema nervoso que garante que cada rolo entregue ao consumidor cumpra o que a marca promete — consistência, segurança, conforto e desempenho.

O CONTROLE DE QUALIDADE NO PROCESSO TISSUE: DO LABORATÓRIO À CONVERSÃO

O controle de qualidade em uma fábrica de tissue não é apenas um conjunto de testes: é uma cultura operacional integrada em toda a cadeia produtiva — desde a chegada da celulose até o pallet finalizado.

Análises de laboratório da massa celulósica

Antes de entrar na máquina, a massa passa por verificações fundamentais:

  • Freeness (CSF): indica drenabilidade e influencia resistência e maciez;
  • Comprimento e distribuição de fibras: impactam formação e ligações internas;
  • Umidade, pH e condutividade: essenciais para estabilidade do processo;
  • Contaminantes e stickies (no caso de massa reciclada): determinantes para evitar quebras e defeitos.

Esses parâmetros orientam ajustes em refino, aditivos, química úmida e velocidade de máquina.

Controle em linha na máquina tissue

Na produção contínua, o foco é garantir uniformidade e eficiência, monitorando:

  • Formação de folha;
  • Gramatura e umidade;
  • Espessura e bulk;
  • Tensão da folha;
  • Temperatura e pressão no Yankee Dryer;
  • Velocidade de máquina e balanço energético.

A automação e o uso de sistemas avançados como QCS (Quality Control Systems) permitem ajustes automáticos, evitando variabilidade e perdas.

Testes de produto final

No produto acabado, os controles validam atributos percebidos diretamente pelo cliente:

  • Maciez sensorial e instrumental (equipamentos TSA);
  • Resistência à tração seca e úmida;
  • Absorção e capilaridade;
  • Bulk aparente;
  • Brancura e opacidade;
  • Desempenho de desenrolamento e desintegração (flushability);
  • Tolerâncias dimensionais: número de folhas, largura, diâmetro do rolo.

Esses dados sustentam o posicionamento da marca e a competitividade no PDV.

REQUISITOS REGULATÓRIOS: O QUE A LEI EXIGE DO PAPEL HIGIÊNICO NO BRASIL

Apesar de parecer um produto simples, o papel higiênico é regulamentado por normas que asseguram segurança ao consumidor, qualidade mínima e padronização industrial.

ABNT NBR 15052: norma central do papel sanitário

A principal referência técnica no Brasil é a ABNT NBR 15052 – Papel higiênico – Requisitos e métodos de ensaio, que estabelece critérios como:

  • Gramatura mínima;
  • Tolerâncias dimensionais;
  • Resistência mecânica em seco e úmido;
  • Solubilidade em água (evitando entupimentos);
  • Requisitos de rotulagem (informações obrigatórias para o consumidor).

Cumprir essa norma é essencial para garantir segurança jurídica e qualidade técnica.

Anvisa e Segurança do Consumidor

Embora o papel higiênico não seja classificado como cosmético ou dispositivo médico, a Anvisa monitora requisitos relacionados a:

  • Segurança química (ausência de resíduos tóxicos em níveis acima dos permitidos);
  • Boas Práticas de Fabricação;
  • Rastreabilidade de insumos.

Empresas que produzem papéis com loções ou fragrâncias devem ainda cumprir regulamentos adicionais.

Certificações voluntárias de valor agregado

Estas certificações fortalecem a reputação da marca e ampliam a aceitação no varejo:

  • FSC® ou PEFC: manejo florestal responsável;
  • ISO 9001: sistemas de gestão da qualidade;
  • ISO 14001: gestão ambiental;
  • ISO 45001: saúde e segurança ocupacional;
  • EcoLabel / Carbon Neutral (em mercados internacionais).

Consumidores e varejistas valorizam cada vez mais atributos ambientais e sociais.

A INTERFACE ENTRE QUALIDADE E COMPETITIVIDADE COMERCIAL

Garantir qualidade não é apenas cumprir normas — é construir valor em um mercado altamente competitivo.

Como a qualidade define o posicionamento da marca

  • Produtos premium:
    • Maciez elevada, resistência úmida controlada, bulk otimizado;
    • Gramaturas mais estáveis e coloração superior;
    • Embalagens diferenciadas;
    • Testes sensoriais contínuos.
  • Linhas econômicas:
    • Controle rigoroso de gramatura;
    • Uso de blends ou reciclados com maior eficiência;
    • Foco em rendimento por metro.
  • Segmento institucional (AFH):
    • Resistência, durabilidade e maior metragem por rolo;
    • Testes de performance em dispensers.

TENDÊNCIAS DE QUALIDADE E REGULAÇÃO PARA OS PRÓXIMOS ANOS

O futuro do tissue passa por inovações que elevam padrões de qualidade enquanto reduzem custos e impacto ambiental.

Digitalização e Indústria 4.0

  • Sensores inteligentes;
  • Monitoramento preditivo;
  • IA aplicada ao controle de processo;
  • Redução de variabilidade e desperdícios.

Rigor maior em segurança e rastreabilidade

Mercados globais já exigem rastreamento completo desde a floresta até a entrega.

Sustentabilidade como padrão

  • Redução de insumos químicos;
  • Uso de fibras alternativas (bambu, cana, palha);
  • Branqueamento sem cloro;
  • Programas de redução de carbono.

Consumidor mais exigente

Maciez, performance e responsabilidade ambiental passaram a ser não negociáveis.

CONTROLE DE QUALIDADE E CONFORMIDADE — OS ALICERCES DO PRODUTO TISSUE MODERNO

No mundo tissue, qualidade não se improvisa. Ela é construída em cada etapa: da massa celulósica à operação do Yankee, dos laboratórios às prateleiras, das normas técnicas às certificações ambientais.

Dominar controle de processo e atender às exigências regulatórias não apenas evita riscos — eleva a competitividade, fortalece a marca e garante confiança do consumidor.

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Graziele Franca

Graziele Franca é Engenheira de Produção Mecânica, pós-graduada em Gestão de Projetos e Gestão da Qualidade, com mais de 18 anos de experiência em bens de consumo, atuando em empresas como Kimberly-Clark, Softys, Carta Fabril, Bracell e Mercado Livre. Atualmente é Gerente de Qualidade na Bracell Papéis Nordeste, ampliando sua formação em Farmácia e Assuntos Regulatórios para a Indústria Cosmética.
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