Notícias Tissue na América Latina

Venezuela lidera o índice de infelicidade econômica deste ano

A desastrosa escassez de produtos básicos na Venezuela, levou a vizinha Trinidad e Tobago a propor, a troca de papel higiênico por petróleo.

fila

Inflação é uma doença capaz de destruir uma sociedade, disse certa vez Milton Friedman, falecido economista ganhador do prêmio Nobel. Acrescente-se a esse diagnóstico um aumento do desemprego, e o termo bastante não técnico que os economistas atribuem ao efeito debilitante sobre as pessoas é “infelicidade”.

Essa infelicidade, neste ano, será mais aguda na Venezuela, Argentina, África do Sul, Ucrânia e Grécia, as cinco economias onde será mais penoso viver e trabalhar, segundo dados compilados pela Bloomberg que compõem o índice de infelicidade de 2015. Trata-se de uma equação simples: taxa de desemprego + variação no índice de preços ao consumidor = infelicidade.

No caso da Ucrânia, a guerra implicará mais prejuízo para a economia. A tensão com rebeldes apoiados pela Rússia vai prolongar o desemprego no país do leste europeu, e a inflação não vai dar muita folga. O duplo impacto significa que os consumidores ucranianos deverão ser os quarto mais infelizes entre 51 economias (incluindo a zona do euro), segundo previsões para o índice de infelicidade.

O que agravará o sofrimento é o queda relativamente catastrófico da renda, que deixará de abrandar o impacto sobre as famílias ucranianas decorrente de uma alta ainda forte dos preços. Com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 8.494 per capita neste ano, a Ucrânia só está ligeiramente à frente das Filipinas entre os países pesquisados e mensurados com dados do Fundo Monetário Internacional relativos à renda dos habitantes dos países.

A taxa de desemprego provavelmente subirá para 9,5% na Ucrânia, neste ano, contra 8,9% no terceiro trimestre de 2014, segundo os dados da pesquisa. A inflação deverá aumentar a um ritmo de 17,5% em 2015, em comparação com os 24,9% registrados em dezembro (ano sobre ano).

As deprimentes expectativas para a Ucrânia ainda não são tão ruins quanto as que o país, em sérios apuros, enfrentou em 2014, quando terminou em segundo lugar na classificação do índice de infelicidade. As projeções para 2015, ainda que sombrias, deixarão a Ucrânia bem o suficiente para passar à frente da África do Sul e da Argentina em comparação com o histórico de infelicidade do ano passado.

Os três países que provavelmente terão mais infelicidade econômica em 2015 – África do Sul, Argentina e Venezuela – não mudaram muito de posição em relação a 2014, quando ocuparam três dos quatro primeiros lugares, segundo mostram os dados da pesquisa.

papel-venezuela-20130522-size-598

A 78,5%, a taxa estimada de inflação anual pelo índice de preços ao consumidor, na infelicíssima Venezuela, é superior a quatro vezes a taxa de inflação ucraniana. A desastrosa escassez de produtos básicos na Venezuela, levou a vizinha Trinidad e Tobago a propor, a troca de papel higiênico por petróleo.

Cinco anos depois de os investidores popularizarem o termo Piigs para designar um grupo de países europeus com déficits orçamentários inchados, quatro desses cinco países permanecem em apuros, de acordo com a expectativa de seus índices de infelicidade.

Prateleiras-que-deveriam-estar-repletas-de-po-de-cafe-costumam-ficar-o-dia-inteiro-vazias-size-598

A Grécia está em 5º lugar, a Espanha em 6º, Portugal em 10º e a Itália em 11º na classificação deste ano, embora cada um deles esteja bem perto da média dos níveis de renda projetados para o grupo de países pesquisados. A Irlanda está mais tranquila, apenas em 16º no ranking de infelicidade e com um PIB per capita muito melhor do que a média, de US$ 48.787. O Brasil aparece na 13ª posição da lista.

As 51 economias classificadas segundo o índice de infelicidade da Bloomberg têm um PIB médio per capita de US$ 31.079.

Valor Econômico

Fotos: Google Imagens