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Suzano investe R$ 700 milhões em ampliação de fábrica em Mucuri e gera mais de 1,1 mil empregos

A Suzano Papel e Celulose anunciou ontem o investimento de R$ 700 milhões no município baiano de Mucuri, a 905 quilômetros de Salvador. A previsão é de criação de mais de 1,1 mil empregos diretos na construção civil e outros 50 postos de trabalho permanentes, quando as intervenções forem concluídas.

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Com os recursos, a empresa pretende triplicar a produção de papel branco comum, além de dar início à produção de papel higiênico e construir uma usina para o tratamento de efluentes. O anúncio foi feito pelo presidente da Suzano, Walter Schalka, ao governador Rui Costa, em encontro na Governadoria.

Segundo Schalka, serão investidos R$ 700 milhões divididos em quatro frentes de trabalho. “Vamos triplicar a produção de papel report (papel comum), passando de 50 mil para 150 mil toneladas por ano. Nosso segundo investimento está focado na produção de papel tissue. Pela primeira vez, vamos produzir aqui na Bahia esse tipo de produto”, disse.

Os equipamentos para a produção de papel higiênico foram adquiridos pela empresa no início do ano, com capacidade para fabricar 60 mil toneladas/ano. As intervenções na fábrica devem começar em setembro e a conclusão está prevista para o segundo semestre do ano que vem. Segundo o presidente da Suzano, a Bahia deverá se tornar autossuficiente em relação ao produto: vai deixar de comprar de outros estados.

Schalka anunciou ainda que serão investidos R$ 100 milhões em uma usina de tratamento de efluentes, que reduzirá em 76% o volume de resíduos lançados no Rio Mucuri. “Os equipamentos já foram adquiridos e vamos começar as obras imediatamente”, afirmou. A empresa também pretende investir na linha de produção 1 de Mucuri, que é a mais antiga. “A sua modernização possibilitará o aumento da nossa capacidade de exportação”, aponta o presidente.

Empregos gerados
Segundo a Suzano, as obras de ampliação vão gerar 1.100 empregos diretos na construção civil e outros 50 postos de trabalho permanentes, quando as intervenções forem concluídas.
O governador Rui Costa comemorou os investimentos anunciados. “É algo extraordinário, no meio desta crise, um investimento de R$ 700 milhões em uma região que cresce e desponta como um novo polo de desenvolvimento no Extremo Sul”, disse. Segundo Rui, os investimentos devem beneficiar outros municípios na região do Sul, além de Mucuri.

De acordo com o presidente da Suzano, o potencial da Bahia para a produção de celulose é o que explica a escolha do estado para receber o investimento da Suzano, neste momento de dificuldade pelo qual o Brasil está passando. “A Bahia tem todas as condições climáticas, de solo e de mão de obra para fazer isso acontecer. Estamos trazendo tecnologia, investimentos importantes e estamos confiantes. Vamos integrar a cadeia de celulose com produtos para o consumidor final”, destaca.

Consumo em alta
O consumo de papel higiênico no Brasil tem migrado gradualmente dos produtos de folha simples para os mais sofisticados, com folhas dupla e tripla. O mercado brasileiro consumiu 800 mil toneladas no ano passado e a expectativa é de que a demanda local por tissue – papéis para fins sanitários – cresça, em média, 5% ao ano. Nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, porém, o crescimento tem superado esta taxa.

“Com a fabricação de bobinas na Bahia e no Maranhão, a Suzano se aproxima dos mercados mais promissores, com unidades integradas, produto de qualidade e custo competitivo, em especial na questão de logística, já que grande parte das bobinas do tipo tissue é hoje produzida no Sul e Sudeste do país”, explica Jorge Cajazeira, diretor de Relações Institucionais da Suzano. A companhia Suzano Papel e Celulose é uma empresa de base florestal e uma das maiores produtoras integradas de papel e celulose de eucalipto da América Latina.

Papel e celulose lideram as  exportações baianas
As vendas da celulose produzida na Bahia, no ano passado, serviram para reduzir o resultado negativo da balança comercial da Bahia. No geral, o estado exportou US$ 7,8 bilhões e importou US$ 8,2 bilhões, encerrando o ano com saldo negativo de US$ 403 milhões.

As exportações de papel e celulose voltaram a liderar a pauta baiana pelo segundo ano consecutivo, com vendas de US$ 1,37 bilhão, o correspondente a embarques de 3,1 milhões de toneladas.

A previsão para 2016 é que a demanda global do produto se mantenha firme, com expansão, no mínimo, igual à verificada em 2015, sustentada por compras maiores nos três mercados mundiais de referência – Europa, América do Norte e Ásia – e puxada, principalmente, pela celulose de eucalipto, uma especialidade dos produtores brasileiros, de acordo com relatório da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).

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