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Suzano espera impulsionar lucros com a alta de preços da celulose

Forte recuperação das cotações da fibra deve acelerar a desalavancagem da companhia neste trimestre

Após anunciar, recentemente, mais um aumento em seus preços – desta vez, para a China, onde passará a comercializar a fibra curta por US$ 580/ton a partir de fevereiro – a Suzano espera que a forte recuperação das cotações da fibra impulsione o lucro e acelere a desalavancagem neste trimestre.

Com a retomada da demanda chinesa e após os fabricantes de alto custo cortarem a produção por causa queda dos preços causados ​​pela pandemia, a oferta global da matéria-prima está ainda mais limitada.

No entanto, essa é uma boa notícia para organizações de baixo custo, como a Suzano, cujos preços estão em ascensão. “Os fundamentos se apresentam mais favoráveis ​​do que se pensava”, comentou Carlos Aníbal de Almeida Jr., diretor comercial de celulose da Suzano, em entrevista. “Os clientes entendem que os fundamentos atuais justificam o ajuste de preço”, completou.

Há meses consecutivos, a gigante brasileira de celulose vem subindo os preços. Segundo Aníbal, as cotações, que caíram de US$ 770 em 2018 para US$ 440 em agosto passado, podem voltar a US$ 640 no próximo trimestre na Ásia, de acordo com projeções de analistas.

Os preços também subiram na Europa, a região mais afetada pela queda da demanda em 2019. No continente, a Suzano elevou os preços para US$ 750 a partir de janeiro, em comparação à média de US$ 680 de 2020. Um outro aumento para a Europa já está em estudo, e segundo o executivo, consultores preveem que os preços devem subir para US$ 850 neste ano.

Nas duas regiões, a queda do dólar também amortece o efeito de preços mais altos para os clientes. A alta dos preços impacta fortemente a Suzano, visto que a celulose corresponde a 90% do Ebitda, o maior entre os seus concorrentes, aponta o JPMorgan Chase.

O ganho das ações da empresa em 2020 representa mais que o dobro do registrado por um índice global de empresas do segmento de madeira e silvicultura.

“Como a mudança de mercado veio no final do ano passado, pudemos ver o impacto nos resultados do primeiro trimestre”, falou o diretor financeiro da companhia, Marcelo Bacci. Para ele, os preços mais altos da celulose denominados em dólares devem acelerar a desalavancagem da companhia.

 

A oferta apertada tem intensificado as aquisições mensais, além do volume previsto nos contratos, o que pode levar à antecipação de novos aumentos. Na última semana, o JPMorgan disse que algumas indústrias de celulose têm se negado a aceitar novos pedidos de compra de clientes, pois estão com estoques baixos. O espaço da Suzano para aumentar o volume mensal de pedidos é limitado, disse Aníbal.

“O que posso dizer é que a Suzano está cumprindo todos os contratos”, ressaltou. A produtora planeja usar mais sua capacidade de produção neste ano, embora o executivo não tenha comentado se esses planos serão expandidos, considerando a recuperação global dos preços.

Os produtores da América do Norte, local em que os custos de produção são superiores ao do Brasil, operaram com margens apertadas ou negativas devido aos preços baixos e prolongados, aumento dos custos de logística e enfraquecimento do dólar. Isso levou algumas fábricas a fechar ou cortar gastos com manutenção, resultando em reduções inesperadas da produção.

Fonte
Money Times
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