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Sob nova liderança, Santher aposta em linhas de produtos premium

De acordo com o CEO Eduardo Aron, a estratégia é aumentar a oferta de produtos de maior valor agregado, trazendo tecnologia japonesa das sócias ao mercado brasileiro

A Santher, dona de marcas Personal e Snob, voltou a aplicar recursos em sua operação após anos de uma dívida elevada que limitava a capacidade de investimentos. Com a aquisição da empresa pelas japonesas Daio Paper e Marubeni em 2020, a liderança da companhia também foi reformulada e agora tem à frente Eduardo M. Aron, com experiência em gigantes como Kimberly-Clark e Pfizer.

A empresa é uma das mais tradicionais fabricantes de papéis tissue do país e tem elevado a aposta no mercado de produtos premium, para o qual destinou R$ 200 milhões em 2021, o maior investimento feito pela companhia na última década. “Haverá mais em 2022”, afirma o novo presidente da empresa. De acordo com Aron, a estratégia é aumentar a oferta de produtos de maior valor agregado, trazendo tecnologia japonesa ao mercado brasileiro de personal care.

Os lançamentos da Santher chegam em momento de forte pressão nas margens da indústria de papel tissue como um todo, tanto pela concorrência quanto pelo aumento de custos, que não está sendo repassado integralmente aos consumidores. “Não há uma mudança de foco. Estamos ampliando a oferta sem abrir mão da posição já alcançada. O foco é sortimento”, explica o executivo.

A Santher está produzindo o novo portfólio na fábrica de Bragança Paulista (SP) e lança, neste mês, uma nova linha “super premium” de fraldas da linha Personal Baby, e de absorventes femininos premium, sob a marca Sym. Esses novos produtos chegam 30% mais caros que os outros já ofertados pela companhia, em pontos de venda de todo o país. Há, ainda, outros lançamentos previstos até o final de 2022.

Na posição de CEO desde janeiro, Aron teve a iniciativa, desde que era vice-presidente da Santher, de investir na reestruturação da área de marketing e a área de vendas da companhia. Atualmente, ele assume também a execução da nova estratégia de negócios, construída juntamente com o ex-presidente, José Rubens de la Rosa, e executivos japoneses, durante o segundo semestre do ano passado.

O ex-presidente da Santher, José Rubens de la Rosa, à esquerda, e o atual CEO, Eduardo M. Aron

“Os dois novos acionistas trazem uma capacidade fantástica de inovação, além do portfólio avançado da Daio”, declara Eduardo. Além de ampliar a presença em mercados mais rentáveis, a Santher pretende se consolidar como empresa de atuação nacional e, para o novo presidente, o objetivo é acelerar esse processo. De acordo com o executivo, o valor investido em 2021 veio do caixa das novas sócias e foi aplicado em desenvolvimento de produto, ativos fixos e produção. Os executivos japoneses pagaram R$ 2,3 bilhões pela Santher – sem considerar dívidas de R$ 600 milhões à época.

Com a economia local mais lenta e a inflação em alta, o poder de compra dos brasileiros foi reduzido. Isso, no entanto, não afeta os planos de curto prazo da Santher, segundo Aron. Para ele, os produtos de maior qualidade e rendimento ganharam mercado após a pandemia do coronavírus – uma tendência que deve se manter.

As fusões e aquisições na indústria brasileira de tissue também não chegam a intimidar o executivo. “É bom competir com empresa séria, que traz inovação ao mercado. Tenho uma visão positiva desse movimento”, diz, acrescentando que a Santher pretende privilegiar o crescimento orgânico e não potenciais aquisições num primeiro momento, pois entende que ainda há oportunidades a explorar considerando-se os ativos existentes e portfólio atual.

A Santher possui três fábricas que, juntas, produzem 180 mil toneladas de papel por ano. Em 2020, teve receita líquida de R$ 1,7 bilhão.

Fonte
Valor Econômico
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