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Setores de educação e papel e celulose passam por revisões

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O Bank of America Merrill Lynch (BofA) cortou os preços-alvo das empresas de educação em 27%, na média, após as últimas mudanças para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). O preço-alvo para as ações da Kroton passou de R$ 20 para R$ 15; para Estácio, foi cortado de R$ 37 para R$ 27; para a Anima, de R$ 46 para R$ 31; e para Ser, de R$ 32 para R$ 24. As recomendações continuam em compra, com a Kroton como predileta. O banco destacou que ainda vê boas oportunidades de investimentos no setor de educação.

O corte nos preços-alvo, segundo relatório, considera a necessidade maior de capital de giro com as novas regras e o aumento da percepção de risco com as mudanças. Segundo cálculos do banco, o fluxo de caixa a valor presente líquido com as novas regras passa a ser, em média, 39% menor do que o gerado por um aluno regular para as companhias abertas. A Anima deve ser a mais prejudicada entre os pares, já que tem as menores margens e maior exposição líquida ao programa do governo.

“Apesar da redução significativa nos preços-alvo, continuamos com uma visão construtiva no setor, com base no ainda baixo alcance da educação superior no Brasil e em oportunidades de consolidação dado o ambiente fragmentado no mercado e alavancagem operacional que deve vir com ganhos de escala”, afirmam Diego Moreno e Thomas Humpert, em relatório. Os novos preços-alvo implicam em uma alta potencial de 20% nas ações.

No Itaú, o analista Thiago Macruz destacou em relatório que, dentre as mudanças regulatórias anunciadas pelo Ministério da Educação (MEC), a Portaria Normativa 23, que sugere que o governo irá pagar as mensalidades dos alunos do Fies a cada 45 dias, ou seja, o correspondente ao pagamento de apenas 8 meses do ano pelo serviço de 12 meses, deve tirar 16,3% do preço justo de Kroton, de R$ 23 atualmente, e 25,9% do preço justo de Estácio, de R$ 33,80. Contudo, ele prevê um potencial de valorização de 39,5% para Kroton e de 28,1% para Estácio, “o que sugere que os preços atuais são bons pontos de entrada”.

Também o setor de papel e celulose, outro destaque de alta em 2014, foi alvo de revisões. O Bradesco elevou o preço-alvo das ações de Klabin, Suzano e Fibria, além de reiterar a recomendação de compra. A valorização do dólar e o aumento do preço da celulose, avalia o banco, impulsionam a geração de caixa das empresas.

Em relatório assinado pelos analistas Alan Glezer e Arthur Suelotto, as projeções para o preço da celulose saíram de US$ 725 por tonelada entre 2015 e 2016 para US$ 760 por tonelada, refletindo a melhora na conjuntura internacional do setor, que permitiu que as empresas anunciassem aumentos de preços recentemente. O Bradesco também passou a incorporat a projeção de dólar a R$ 2,77 para 2015, o que afeta positivamente as companhias, por meio do aumento da receita com exportações. A Fibria é a mais beneficiada pelo fator cambial, seguida por Suzano e Klabin.

A Suzano continua a principal aposta do Bradesco para o setor. O preço-alvo para as ações da companhia foi elevado de R$ 12 para R$ 15, prêmio de cerca de 35% sobre a cotação atual. As estimativas do Bradesco indicam uma redução do nível de endividamento da companhia neste ano, aumento das margens e cortes de custos. A Fibria também é beneficiada pela mudança no cenário, e teve o preço-alvo elevado de R$ 30 para R$ 39, alta potencial superior a 20%.

As perspectivas para a Klabin, segundo o Bradesco, também são de crescimento, mas em 2017. O preço-alvo da companhia foi elevado de R$ 16 para R$ 18,50 por unit, um potencial de alta de cerca de 28%. Apesar de não ajudar a Klabin diretamente, a desvalorização do real reduziu a diferença entre o lucro obtido com a exportação de produtos de papéis e a redução nas margens nas vendas domésticas.

Já o J.P. Morgan cortou a recomendação para as ações ordinárias da Fibria de compra para neutra, ao mesmo tempo em que elevou o preço-alvo de R$ 35 para R$ 36, por considerar que a maior parte dos benefícios da desvalorização do real ante o dólar e do aumento do preço da celulose já estão nos preços. O banco manteve ainda a recomendação para as ações da Suzano em compra, com preço-alvo mantido em R$ 14.

Segundo o J.P. Morgan, os fundamentos do setor continuam sólidos, com mais aumentos do preço da celulose no curto prazo e estabilidade de preços no médio prazo. No primeiro semestre de 2015, os preços da celulose devem aumentar 2,7%, enquanto o real deve ficar 11% mais fraco ao final deste ano. Esses dois fatores, combinados à geração sólida de caixa e aos fundamentos fortes do mercado de papel, permitem a manutenção da recomendação de compra para as ações da Suzano.

Já a área de análise do Citi elevou o preço-alvo para as ações da varejista Lojas Americanas de R$ 17 para R$ 19 por ação, ao incorporar o plano de expansão da companhia nos próximos cinco anos. A recomendação permanece como neutra. Para as ações da B2W, a recomendação subiu de venda para neutra, após desvalorização de cerca de 20% em dezembro. Já o preço-alvo diminuiu de R$ 26 para R$ 25, pela menor estimativa de lucros com a tendência de aumento da taxa de juros neste ano.

Valor Econômico