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Setor de celulose “segura” novos projetos para priorizar finanças

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As empresas de papel e celulose vão focar na redução de seu endividamento em 2015, reduzindo investimentos em expansão. A Klabin cancelou qualquer novo grande investimento até a conclusão do projeto Puma, que consumirá R$ 3,4 bilhões do total de R$ 4,08 bilhões que a empresa pretende investir neste ano.

Já a Suzano destinará 70% de seu investimento, de R$ 1,5 bilhão, à manutenção. Apesar de investir R$ 1,69 bilhão, alta de 5% sobre 2014, a Fibria adiou a decisão sobre sua nova fábrica em Três Lagoas (MS).

Para o analista do setor de papel e celulose do BB Investimentos, Victor Penna, o cenário está mais desafiador, já que os grandes projetos entrarão no curto prazo. “Não há porque partir para novos investimentos, além daqueles já aprovados, porque a pressão de custos está maior”. Segundo Penna, existe ainda a inflação sobre matéria-prima e equipamentos, e o câmbio volátil, que desafia a definição de um orçamento para novos projetos.

Reduzir a exposição ao câmbio e a alavancagem (dívida em relação ao Ebitda – lucro antes de juros, tributos, depreciações e amortizações) é o principal objetivo da Suzano. “O foco é a desalavancagem e não terá projetos orgânicos enquanto (o índice de alavancagem) não cair para 2,5 vezes”, disse o presidente da empresa, Walter Schalka, em reunião com analistas e investidores, em novembro.

Hoje, a alavancagem da Suzano está em 4,5 vezes. No fim do terceiro trimestre, a dívida líquida atingiu R$ 9,777 bilhões, pressionada pela alta de 11% do dólar no período.

Ao chegar à Suzano, em 2013, Schalka cancelou todos os novos investimentos – orientação que deve ser mantida agora. O último grande aporte da empresa em expansão foi a unidade de Imperatriz, no Maranhão, inaugurada em 30 de dezembro de 2013, fruto de inversões de US$ 2,4 bilhões.

Puma – A Klabin também interromperá investimentos nos próximos anos diante do endividamento. A dívida líquida total subiu 12% em 2014, para R$ 4,028 bilhões, e a alavancagem era de 2,4 vezes no terceiro trimestre, contra 1,7 vez no segundo trimestre. Segundo o diretor-geral Fábio Schvartsman, projetos serão retomados apenas após a conclusão do Projeto Puma, previsto para março de 2016.

Para Carlos Farinha e Silva, vice-presidente da consultoria Poyry, as empresas precisam recuperar a saúde financeira depois de terem realizado grandes projetos. A meta é manter o acesso ao crédito. Farinha menciona que a Fibria, por exemplo, trabalha para manter o grau de investimento e, assim, continuar a captar no mercado internacional.

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