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Sem ter quem descarregar, celulose da Suzano fica parada no porto

Motoristas que realizavam irregularmente a função de estivadores foram impedidos pelo sindicato dos arrumadores de continuar a descarregar os caminhões.

Foto: G. Ferreira

Foto: G. Ferreira

Caminhoneiros contratados para realizar o transporte de celulose de Imperatriz a São Luís, para o galpão da empresa Suzano, situado dentro da área do Porto do Itaqui, estão impedidos de descarregar o produto desde a manhã de quinta-feira (13). A interdição na área de descarga do galpão foi determinada pelo Sindicato dos Arrumadores de São Luís (SA-SL), sob a alegação de que o trabalho que deveria ser feito pelos estivadores está sendo executado de forma irregular pelos próprios motoristas.

Segundo um grupo de motoristas ouvidos pelo Jornal Pequeno, na sexta-feira (14), pelo menos 18 carretas já ocupam a área de estacionamento do Porto, desde a noite da última quarta-feira (12).

Eles explicaram que, para agilizar o processo, estavam realizando a descarga do material. Cada caminhão transporta de 32 a 48 toneladas de celulose, dependendo do porte do veículo.

“Cheguei aqui quarta a noite e até hoje estou parado porque a empresa e o sindicato dos arrumadores não chegam a um consenso em relação ao valor pago para o estivadores. O que soubemos é que o sindicato teria cobrado R$ 150 por carro, o que nós também achamos um absurdo, uma vez que o trabalho do estivador é retirar a lona que cobre a carga e abrir as portas laterais e traseira do caminhão, o resto é feito pelas empilhadeiras”, disse um motorista natural de Itinga do Maranhão.

Outro caminhoneiro, natural de Minas Gerais, informou que a maioria dos motoristas ganha comissão em cima do valor da mercadoria, que varia entre 10% e 12%, e por conta disso precisam trazer o carregamento pelo menos duas vezes na semana, pois, caso contrário, tem prejuízo.

Ele explicou que dois carregamentos semanais equivalem a pouco mais R$ 700, dependendo da quantidade descarregada. Um dia parado custa, para cada caminhoneiro, perto de R$ 600 de prejuízo.

“Isso sem contar nossa alimentação, que custa em média R$ 40 para comer coisas simples e dormir dentro dos caminhões.”

Segundo o motorista, as cargas de celulose não param de chegar. “Daqui uns dias, se essa situação não for resolvida, o pátio do porto não vai conseguir comportar todas as carretas que ainda estão por vir.”

“Nosso prejuízo só cresce e ninguém diz quem vai arcar com esse prejuízo, se é o Sindicato dos Arrumadores ou a Transnordestina, que é quem realiza as operações dentro do Porto para a Suzano”, afirmou o motorista.

De acordo com o presidente do sindicato dos arrumadores, João José Pereira Teixeira, existe uma convenção coletiva, acordada entre o sindicato e os operadores aeroportuários, que estabelece um valor específico para o trabalho em pátio.

Ele explicou que o valor estabelecido é de R$ 0,16 por tonelada movimentada, o que não é aceito pela Transnordestina.

O problema já se arrasta há pouco mais de um mês, quando as operações do transporte de celulose começaram dentro do Porto – antes, eram feitas somente por trem.

“Desde que essas operações começaram no Itaqui, os arrumadores nunca foram contratados, o descarregamento sempre foi feito pelos motoristas, mas agora não vamos mais aceitar essa prática ilegal, que desvaloriza a nossa categoria. Atualmente, temos 164 trabalhadores atuando dentro do Porto do Itaqui, e só vamos liberar a área de descarga depois que chegarmos a um denominador comum e a situação for regularizada”, explicou João José Teixeira.

COMBUSTÍVEL – Dezenas de motoristas que aguardavam no pátio do porto do Itaqui para carregar e descarregar combustível, na semana passada, também reclamaram da lentidão das distribuidoras e da burocracia na emissão da nota fiscal por parte da Receita Federal.

Em alguns casos a espera já ultrapassava 10 dias, apesar de a Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap) ter informado que todas as operações estavam normais e que iria procurar as empresas para minimizar o tempo de espera.

SUZANO – Em nota, a Suzano Celulose afirmou que suas atividades “não foram prejudicadas” e que o processo de descarregamento da sua carga “está sendo realizado dentro da normalidade”.

jornalpequeno.com.br
JULLY CAMILO E OSWALDO VIVIANI