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Notícias Tissue no Brasil

Retração em embalagens derruba mercado de aparas

APARAS

O mercado de aparas de papel vive acentuada queda de preços em 2014, sob impacto da retração na produção brasileira de embalagens. De janeiro a agosto, o recuo no preço médio das aparas de papelão ondulado foi de 17,6% ou R$ 94,62 por tonelada, segundo dados da Anguti Estatística. O excesso de material dá espaço a novas quedas de preço, mas há expectativa de recuperação na expedição de caixas de papelão ondulado no semestre, o que pode contribuir para a estabilidade.

As aparas marrons, de ondulado e kraft, representam 77% do volume de aparas e apresentam queda de valores desde abril – os demais segmentos seguem estáveis. “A queda de preços desestimula cooperativas e catadores”, diz o proprietário da comercializadora CBS Aparas, Carlos Ribeiro, sobre o impacto na cadeia de reciclagem. Para os aparistas, que não conseguem repassar integralmente, os preços menores resultam em retração de margens.

O empresário relata, desde maio, queda de R$ 0,06 a R$ 0,10 por quilo nas aparas de ondulado, que são vendidas hoje em São Paulo a R$ 0,43 a R$ 0,53 por quilo. “A atual política econômica desestimula totalmente a indústria. Se a indústria não está produzindo, não vende embalagem e, se não há demanda, o preço cai”, diz.

A CBS comercializou cerca de 31 mil toneladas de aparas de papel em 2013, em duas plantas em São Paulo e Recife (PE). “O volume já caiu 10% a 20% este ano, desde o início da baixa. Se continuar a queda [de preços], pode chegar a 50% de redução no volume”, prevê Ribeiro, que emprega 60 pessoas. O empresário não vislumbra nenhuma melhora para o setor de embalagens em 2015.

O diretor da Scrap, Fabio Bellacosa, avalia que o mercado se comportou normalmente no primeiro semestre, passando a apresentar queda a partir de julho. “Começamos este segundo semestre com excesso de material reciclado e dificuldade de venda de produto acabado por parte do fabricante, que passou a desligar máquinas para manutenção”, relata o empresário, que também é presidente da Associação Nacional dos Aparistas de Papel (Anap).

A Scrap espera fechar o ano sem crescimento, diante da venda de 120 mil toneladas de aparas no ano passado – o crescimento anual vinha sendo de 5% a 7% em anos anteriores. O faturamento deve apresentar recuo, ante osR$ 50 milhões registrados em 2013, devido à pressão de preços.

Aparas brancas 
Por outro lado, o mercado de aparas brancas, voltado para a produção de papéis para fins higiênicos (tissue) segue estável, apesar de queda de demanda. Bellacosa explica que isso se deve pela menor variação do mercado de higiene, em relação a outros segmentos de consumo, em momentos de economia desfavorável, e pelo equilíbrio entre oferta e demanda. “O material branco também é equilibrado pela celulose, porque se a apara sobe muito de preço, o fabricante adiciona celulose”, conta o empresário.

Em julho, um importante fabricante paulista de papel tissue abandonou o uso de aparas, passando a consumir apenas celulose branqueda. A queda de demanda provocou temor de impacto sobre preços, o que não se confirmou, devido à baixa oferta de matéria-prima pelas gráficas.

O consultor da Anguti Estatística, Pedro Vilas Boas, explica que há uma tendência de menor uso de aparas na produção de papel higiênico, pela busca por maior qualidade, com o aumento de renda. Também a queda de preço da celulose, com a expansão da capacidade de fibra curta na América Latina pode prejudicar o mercado de aparas no futuro, embora a redução de oferta, com o avanço do eletrônico sobre o impresso, ajude no equilíbrio.

O economista ressalta a retomada na expedição de caixas e chapas de papelão em julho (alta de 3,17%), após três meses de queda na comparação anual. “O consumo de embalagens é maior no segundo semestre, o que deve manter o preço das aparas equilibrado até o fim do ano”, projeta.

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