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Produção de papel em Minas Gerais crescem aquém do esperado

A indústria de papel e papelão de Minas Gerais fechou 2014 com crescimento de 0,8% no faturmento em relação ao ano anterior. O ligeiro aumento, no entanto, frustrou as expectativas do Sindicato das Indústrias de Celulose, Papel e Papelão no Estado de Minas Gerais (Sinpapel-MG), que chegou a projetar evolução de 3% para o exercício. Além disso, o setor viu suas margens de lucro despencarem e a demanda enfraquecer. Para este ano, se não houve melhora e os pedidos caírem ainda mais há risco de demissões.

“2014 foi um ano difícil. No primeiro semestre houve até crescimento, mas a segunda metade do exercício foi muito ruim. As margens foram comprimidas pelo aumento dos custos não repassados pelas empresas, que conseguem trabalhar com margens mais baixas, mas, se a demanda cair mais, ajustes terão que ser feitos e obviamente haverá demissões”, diz o presidente do Sinpapel-MG, Antônio Eduardo Baggio.

O representante da indústria de papel e papelão de Minas Gerais afirmou que enquanto a inflação oficial de 2014, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou em 6,41%, o custo com transportes aumentou 15% e as matérias-primas encareceram entre 7% e 8%.

A mão de obra, que representa cerca de 20% dos custos da indústria de papel e papelão no Estado, segundo Baggio, também aumentou bem acima da inflação, na casa dos 15% a 16%. “A maioria das empresas não tem como repassar esses aumentos e por isso as margens de lucro foram achatadas”, afirmou.

Baggio explicou que as empresas até conseguem trabalhar com margens apertadas, fazendo ajustes financeiros e aumentando a produtividade, desde que haja demanda. No entanto, conforme ele, se os pedidos caírem mais em 2015, será difícil para o setor manter os níveis de emprego, uma vez que a corda já está esticada.

Emprego – Mesmo assim, o setor já perdeu vagas de trabalho, como mostrou a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes), divulgada ontem pelo IBGE. Conforme o levantamento, a indústria de gráfica e de papel registrou uma queda de 9,5% no nível de emprego de novembro de 2014 frente ao do mesmo mês de 2013.

No acumulado de 2014 até novembro, o emprego industrial no setor caiu 4,8%, quase o mesmo índice dos últimos 12 meses, que registrou queda de 4,9%, de acordo com as informações da pesquisa do IBGE. Toda essa situação segundo Baggio, levou as empresas a engavetarem investimentos. “As empresas estão em compasso de espera”, destaca.

Minas Gerais possui a quarta maior indústria de papel e papelão do país, atrás de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Internamente, as cidades que se destacam são as localizadas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Juiz de Fora, alguns municípios do Triângulo Mineiro e do Sul de Minas, nessa ordem. Ao todo, são cerca de 200 empresas que geram 28 mil empregos. Há cinco anos, eram 300 empresas e 33 mil postos de trabalho.

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