Notícias Papel Marrom

Presidente da WestRock Brasil e executivos da Ibá comentam sobre expansão

Na manhã desta última terça-feira (27), a empresa WestRock promoveu um encontro entre representantes da imprensa de Canoinhas e Três Barras, para uma coletiva com executivos da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) e com Jairo Lorenzatto, presidente da WestRock no Brasil. Pela Ibá, estiveram presentes Paulo Hartung (ex-governador do Espírito Santo), presidente da entidade, e o embaixador José Carlos da Fonseca Jr, diretor de Relações Institucionais.

A Ibá é a associação de empresas do setor florestal que compreende companhias de celulose, papel, painéis de madeira, pisos laminados e carvão vegetal. Hartung e Fonseca Jr. tiveram a primeira agenda oficial no Estado de Santa Catarina desde que a nova diretoria assumiu o comando da entidade. Os executivos visitaram a fábrica da WestRock, em Três Barras, onde foram recebidos pelo presidente da WestRock no Brasil.

Paulo e o embaixador abordaram na coletiva a importância do setor florestal para o País. Ambos chegaram à Ibá em março e estão rodando o Brasil, na tentativa de conhecer mais profundamente o setor, que tem planos de investir R$ 22,6 bilhões até 2022, incluindo o investimento bilionário na unidade de Três Barras da WestRock. Hoje, o setor gera 3,7 milhões de empregos diretos e indiretos, mais de R$ 11 bilhões em tributos e tem grande peso na balança comercial do País.

PRODUTIVIDADE DA REGIÃO

Lorenzatto relatou que a região de Três Barras tem a maior produtividade de pinus do mundo. Segundo ele, a média de maturação dos pinus na região é de 14 anos, enquanto nos Estados Unidos é de 24 anos. Na Europa o período aumenta para 70 anos e, dependendo da espécie, como algumas cultivadas na Alemanha, o período de maturação da árvore pode levar até 200 anos. “Existe uma capacidade enorme de produção aqui, comparada com outras regiões do mundo. Além de ter a maior quantidade do mundo, essa produtividade ocorre em um ciclo que é significativamente inferior ao de florestas na Europa, Estados Unidos, onde estão os principais concorrentes do Brasil quando se fala em fibra, em celulose”, afirmou o presidente da WestRock Brasil.

CRESCIMENTO DO SETOR

Para o presidente da Ibá, dos R$ 22 bilhões previstos em investimentos no setor, uma parte é pesquisa aplicada na produção, no desenvolvimento florestal, em novos produtos e na substituição de produtos. “A WestRock é um exemplo disso, são ciclos de pesquisas evoluindo essa produtividade e pesquisa. Aqui tem sol, tem clima, é uma combinação que coloca o Brasil em uma condição diferenciada. Esse é um setor relevante na nossa economia. Esse setor está com quase 6,9% do PIB industrial brasileiro. É relevante na economia, tem espaço para crescimento, inclusive por demandas novas. O setor florestal andou para frente, diferente da maioria dos outros setores, ampliando a sua capacidade produtiva em plena recessão econômica”, comentou Hartung.

RECICLAGEM E SUSTENTABILIDADE

Quanto a reciclagem, os executivos relataram a importância do papel ondulado que é cada vez mais alternativa para substituir as embalagens plásticas, sacos plásticos e isopor, que vêm sendo rechaçados pela sociedade e que terão num futuro próximo pouco espaço. “O papel é reciclável. Aqui em Três Barras, reciclamos quase 100 mil toneladas de aparas, de fibra reciclável. Nós temos em uma parte da fábrica aqui, uma minifábrica de recicláveis de papel, que faz parte do nosso mix de produtos também. E vamos continuar fazendo isso. Entendemos que a nossa vocação aqui em Três Barras, sem dúvida, é a integração de fibra virgem que vem das florestas. A WestRock no mundo é uma empresa que atua nesses dois lados: fibra virgem e fibra reciclada. Temos a história da floresta que é a nossa principal vocação, mas reciclagem também. Tudo faz parte de um conceito de regenerar o planeta”, afirmou o presidente da WestRock Brasil.

EUCALIPTO X PINUS

Quanto à utilização de eucaliptos na produção, Lorenzatto explicou que o eucalipto é diferente do pinus e que os dois têm funções físicas cronológicas diferentes para aplicação do papel. “Para o nosso tipo de papel aqui, que é o kraftliner, estamos aprendendo pouco a pouco como usar também o eucalipto. O eucalipto também é utilizado dentro da mistura de papel. Simplesmente fazer a troca não funciona porque compromete a qualidade do produto final”, esclareceu.

TRANSPORTE E INFRAESTRUTURA

O presidente da Ibá comentou que uma das estratégias da associação é trabalhar a melhoria da infraestrutura e que o grande gargalo que o País tem é o atraso em termos de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Segundo ele, a associação defende com entusiasmo, melhorar a qualidade da regulação, melhorar a segurança jurídica. Segundo ele, o caminho da modernização da infraestrutura é atrair o capital privado nacional e internacional. “Nós vamos ainda conviver com ela (crise econômica) por um bom tempo, tem de tomar outras medidas para reorganizá-la e onde nós podemos buscar dinheiro para a área de infraestrutura é a área privada. Nós da Ibá estamos fazendo esse debate em âmbito nacional, para que por exemplo, uma via férrea como a de Três Barras, desativada, possa ser reativada no futuro e cumprir um papel específico no modal de transporte da região, mas a gente não vê isso por obra de governos. Os governos estão com os orçamentos muito comprometidos, via de regra comprometido com despesas correntes”, revelou.

O presidente da WestRock Brasil também comentou que levar a malha ferroviária para o litoral, onde estão os portos, é um desafio técnico. “Esse tema sobre malha viária também estava associado às discussões da Fiesc (Federação das Indústrias de SC). Acho que toda a comunidade empreendedora tá preocupada com isso também. Para quem produz e quer distribuir existe um desafio de gargalo logístico, um tempo descomunal para fluir, para dar fluxo dos seus produtos seja para São Paulo, ou para a própria região. É um assunto que precisa ser desenvolvido e a gente tem de usar o potencial de geração de valor econômico da região para alavancar o desenvolvimento da infraestrutura. Você tem de ter o progresso puxando a infraestrutura”, expôs Lorenzatto.

BIOMASSA

Segundo Hartung, hoje o setor no Brasil gera mais energia do que consome e é preciso construir um marco regulatório e discutir a regulamentação da biomassa. “Quando foi feito na hora em que nós introduzimos por exemplo, a energia eólica no Brasil, teve de se fazer um ajuste de regulamentação; como na hora em que a gente buscou ampliar energia solar, da mesma forma nós estamos tentando construir esse marco regulatório. Esse marco regulatório não existe ainda”.

Lorenzatto explicou que o segmento de papel e celulose é cogerador. “Para fazer papel e celulose precisa de vapor, para os processos. Para produzir vapor tem de ter uma caldeira de força e para isso se queima a biomassa. Já que você tem de fazer vapor, vamos fazer uma caldeira que tem de fazer mais vapor. Esse vapor adicional gera uma turbina, que gera a energia. Toda a fábrica de papel e celulose está pensando desse jeito no mundo. O Brasil é um dos mais evidentes, por causa da escala de produção que é potencial. A escala das florestas gera potencial para o produto final seja celulose e papel ou também de biomassa. Junta as duas coisas e faz energia”, esclareceu.

Durante o processo de expansão da WestRock serão construídas duas caldeiras, uma de recuperação e uma de força. A de força consumirá mais biomassa. Isso deve elevar a autossuficiência da fábrica de Três Barras a cerca de 70 a 80% de autossuficiência. “A gente ainda vai comprar um pouco de energia, mas isso é um passo a passo. A fábrica de Três Barras vai sim consumir uma quantidade muito mais relevante de madeira para biomassa. O próprio descascador, um dos maiores tambores descascadores do Brasil, um equipamento bastante grande, vai pegar toda a casca e transformar em biomassa”, garantiu Lorenazatto.

Heuzer Saraiva Guimarães, diretor de Negócios Florestais da WestRock, falou que apesar de não existir uma indústria de briquetes (bloco denso e compacto de materiais energéticos, geralmente feito a partir de resíduos de madeira) na região, ela ainda é uma região que tem uma produção significativa de biomassa. “De todas as florestas de pinus e eucaliptos colhidas na região, partes das árvores que não são diretamente direcionadas para produtos mais novos, como é o caso de móveis, portas, celulose, neste caso, os galhos e as pontas são transformados e viram fonte de biomassa. Aqui na WestRock nós fazemos isso e algumas empresas da região também fazem. É uma região produtora de biomassa para a energia. As empresas da região têm investido em produção de biomassa para energia também”, finalizou.