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Preços da celulose tendem a cair

estoque celulose

Epidemia de Covid-19 adiou a potencial recuperação das cotações da fibra curta

A manutenção dos preços da celulose nos níveis atuais, em torno de US$ 460 por tonelada, pode levar produtores de alto custo do Hemisfério Norte a estenderem paradas programadas para manutenção, que normalmente ocorrem a partir do segundo trimestre, ou a anunciarem paradas de mercado, na avaliação de analistas e fontes da indústria ouvidas pelo Valor Econômico.

Além disso, parece claro que a epidemia de Covid-19 adiou a potencial recuperação das cotações da fibra curta, aumentando a pressão sobre todos os produtores, mas em especial, sobre aqueles que estão abaixo do custo marginal de produção, calculado em US$ 530 por tonelada a US$ 550 a tonelada, contribuindo para uma potencial rodada de paradas ampliadas no setor. Os valores atuais estão perto do piso visto em 2016.

Na semana passada, segundo a Fastmarkets Foex, o preço líquido da celulose de fibra curta na China estava em US$ 460,98 por tonelada, uma baixa de US$ 1,80. Na Europa, a cotação ficou estável em relação à semana anterior, em US$ 680 por tonelada.

Nesses níveis de preço, produtores na América do Norte, Europa e Ásia, estão operando no vermelho e os resultados do quarto trimestre já evidenciaram o momento complicado. Nos Estados Unidos, a ND Paper, produtora de alto custo comprada pela chinesa Nine Dragons, parou para manutenção a partir de 1º de março, de acordo com a Fastmarkets RISI, menos de um ano após voltar a operar.

Na Espanha, a Ence teria adiado investimentos em celulose, previstos em seu planejamento estratégico, depois de ver o resultado operacional dessa unidade de negócios encolher 69% em 2019, para 75 milhões de euros.

Na avaliação do analista Daniel Sasson, do Itaú BBA, mais fábricas de alto custo podem suspender operações se as condições atuais de preço persistirem. Para uma fonte do setor, além de paradas não programadas, alguns produtores poderão aproveitar o calendário de manutenção e estrategicamente estender os dias sem produção. Com oferta menor, os preços tenderiam a se recuperar.

celulose preço

Outro suporte à celulose de fibra curta pode vir da valorização da fibra longa, na avaliação de Sasson. Na semana passada, esse tipo de celulose teve valorização de US$ 4,91 na China, para US$ 574,81 por tonelada. No mercado europeu, houve queda, de US$ 0,31, a US$ 824,42 por tonelada.

“O spread em relação à fibra curta já está em US$ 114 por tonelada, contra nível normalizado de cerca de US$ 70 a US$ 80 por tonelada, o que em teoria dá algum suporte para a fibra curta”, diz o analista.

Ao mesmo tempo, as estatísticas do mercado global em 2020 não têm sido positivas. Em janeiro, conforme dados do PPPC (do inglês Pulp and Paper Products Council), os embarques de celulose de mercado subiram 9% frente ao mesmo mês de 2019, para 3,98 milhões de toneladas, mas recuaram 22% ante dezembro. Para os analistas do Bradesco BBI e do BTG Pactual, o crescimento anual se deve à fraca base de comparação.

“Os dados são negativos, em geral. Os embarques caíram 22% em janeiro, devido à reestocagem dos fabricantes de papel registrada nos últimos meses de 2019. Isso levou a aumento de cerca de 290 mil toneladas nos estoques de fibra curta”, escreveram Thiago Lofiego e Isabella Vasconcelos, do Bradesco BBI, em relatório.

Para Leonardo Corrêa, Caio Greiner, Cesar Perez-Novoa e Alex Sadzawka, do BTG Pactual, os dados do PPPC de janeiro não são de fácil interpretação, já que no início do ano passado, os compradores chineses haviam se retirado do mercado e, no início deste ano, ainda não está claro o tamanho do impacto da epidemia de Covid-19. Ainda assim, a avaliação é a de que os números não entusiasmaram.

Do lado dos estoques de fibra curta, o PPPC reportou alta de cinco dias em janeiro ante dezembro, para 42 dias.

Fonte: Valor Econômico

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